sexta-feira, 2 de junho de 2017

Como deve ser o tratamento de saúde para dependentes do crack?

"O ideal seria que o tratamento começasse no ambulatório. O paciente chega à atenção primária, na Unidade Básica de Saúde, e o médico generalista detecta que ele está tendo problemas com álcool, tabaco e outras drogas, e então encaminha para o ambulatório especializado; mas isso não acontece", afirma a psiquiatra Ana Cecília Petta Marques.

Confira a matéria completa:

Reveja algumas entrevistas concedidas a Rádio CBN

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Estadão Notícias: Programa ouve especialistas sobre ações na Cracolândia

Edição desta segunda-feira, 29, se debruça sobre o grave problema da Cracolândia em SP. Os governos estadual e municipal promoveram ações policiais ostensivas para acabar com a feira de drogas na região central da cidade. A questão que se impõe a partir de agora é tão urgente quanto tentar prender os traficantes: o que fazer com os mais de mil usuários que vagam por ali? Nós conversamos com defensor público Rodrigo Lessa, a psiquiatra Ana Cecilia Marques e  autor da reportagem especial sobre o tema publicada ontem no Estado, Alexandre Hisayasu.

Ouça a entrevista completa

Justiça de São Paulo autoriza busca e apreensão de dependentes químicos.

 Internação compulsória terá que ser autorizada por um juiz caso a caso. Após ação da polícia na Cracolância, usuários foram para praça.
A Justiça autorizou a busca e apreensão de dependentes químicos na região da Cracolândia, em São Paulo, mas neste sábado (27) só foi atendido quem procurou ajuda por vontade própria.
Os técnicos passaram o dia refazendo a fiação elétrica e religando o sistema de telefones que não funcionavam na antiga Cracolândia. Já em torno do novo endereço do crack, a maioria das lojas não abriu.
Quem trabalha ou mora ao redor da Praça Princesa Isabel ficou com medo da situação. Em cinco dias de ocupação, os usuários montaram barracas de lona. E, no meio de muito lixo, eles passam o dia consumindo drogas.
A abordagem dos assistentes sociais e das equipes médicas aos dependentes químicos ainda não mudou. Durante o dia eles foram ao meio da praça e só voltavam com alguém quando a pessoa queria atendimento por vontade própria. 
Na quarta-feira (24), a prefeitura pediu a autorização para fazer internações compulsórias, ou seja, contra a vontade do dependente químico. 
Na quinta (25), a Justiça autorizou que equipes médicas, com a ajuda da Guarda Civil Metropolitana, façam a busca e apreensão de pessoas, maiores de 18 anos.
Depois de exames médicos e psiquiátricos, a internação compulsória ainda terá que ser autorizada por um juiz caso a caso. A medida vale a partir deste sábado (27) e tem duração de 30 dias.
“O paciente que estiver fora de si, ou com uma crise grave de agressividade contra ele próprio ou ao redor, esse vai ser motivo de uma abordagem”, explicou o secretário municipal de Saúde, Wilson Pollara.
O Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana teme que haja abusos.
“O que nós tememos é uma verdadeira caçada humana. Não há como se fazer buscas e apreensões por parte de agentes de saúde e sociais em conjunto com a polícia ou com a Guarda Civil Metropolitana”, disse o conselheiro Ariel de Castro Alves.
A psiquiatra Ana Cecília Marques da Universidade Federal de São Paulo defende a internação compulsória.
“Eu acho que ela serve para poucos indivíduos, mas ela pode ajudar esse indivíduo em particular, são indivíduos que têm muita vulnerabilidade, então, onde o estado perdeu a mão, o indivíduo não adere ao tratamento”, afirmou a psiquiatra Ana Cecília.
Sem o crack tão perto, a vida muda. Quem mora nas ruas onde funcionava a Cracolândia agora se senta na porta de casa.
“Mudou muita coisa, o dia a dia, as crianças agora podem brincar sossegadas e a gente fica mais tranquila”, diz Jaqueline Rodrigues, moradora da região.
Ver crianças brincando, voltando da escolinha pela calçada eram coisas simples que por anos não se via por aqui.

domingo, 28 de maio de 2017

Participação no Bom Dia Brasil - 26/05 - Cracolândia

Ação na Cracolândia foi ‘desastrosa’, avaliam especialistas

O professor de antropologia da Fespsp Paulo Niccoli Ramirez e a psiquiatra Ana Cecília Marques analisam a operação feita na Cracolândia, em São Paulo, no começo desta semana, pelo governador Geraldo Alckmin e o prefeito João Doria.

Megaoperação Policial na região da Cracolândia prende traficantes

Confira minha participação na TV Brasil

Prefeitura confirmou apreensão de mais de 12 quilos de crack

http://tvbrasil.ebc.com.br/reporter-sao-paulo/2017/05/megaoperacao-policial-na-regiao-da-cracolandia-prende-traficantes

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Como lidar com a busca constante por aceitação e aprovação na adolescência

Se a família percebe que o jovem mudou de atitude, está irritado, isolado, indo mal na escola, tem alguma coisa errada, que pode ser um comportamento de risco que está alterando sua qualidade de vida. Os pais têm que estar atualizados, de olho, trabalhando a proximidade com muito diálogo — aconselha a psiquiatra Ana Cecilia Marques, coordenadora da Comissão de Dependência Química da Associação Brasileira de Psiquiatria, acrescentando que faltam políticas de prevenção para pais e jovens.

domingo, 7 de maio de 2017

XIII Congresso Nacional e V Internacional de Amor Exigente

TEMA
Fatores de proteção e risco no desenvolvimento da infância e adolescência para prevenção de drogas.

segunda-feira, 13 de março de 2017

XIII Congresso Nacional e V Internacional de Amor Exigente

30 de março a 02 de abril de 2017 (Palmas/TO)
Dependência química: prevenção e reeducação FAMILIAR
Faça sua inscrição agora: www.congressoamorexigente.org.br

Os desafios das políticas públicas para a Cracolândia

Participação no programa Assembleia Segurança: 
Os desafios das políticas públicas para a Cracolândia

Legalização das drogas

Participação no Jornal da Cultura 09/03/2017
Legalização das drogas
Para Início da reportagem avançar até

(tempo: 16:48)


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Beber para esquecer é mito. Álcool reforça memórias ruins, diz estudo

Quando os problemas apertam, há quem recorra a uma boa dose de bebida alcoólica para tentar esquecê-los. Mas, segundo um estudo feito por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, o efeito é um pouco diferente. O consumo de álcool, na verdade, reforçaria as memórias negativas.
No estudo, dividiram ratos de laboratório em dois grupos. Um bebeu água por duas horas e o outro, grande quantidade de álcool. Depois, todos foram submetidos a um som específico seguido de descarga elétrica. No dia seguinte, os animais ouviram o mesmo barulho, mas sem o choque. Os que tinham ingerido álcool demonstraram lembrar mais do choque do que os outros.
Para a coordenadora da Comissão de Dependência Química da Associação Brasileira de Psiquiatria, Ana Cecília Marques, o estudo deve ser feito em humanos para resultados mais precisos. Por enquanto, o que é certo, diz ela, é que, na primeira fase da bebedeira, o álcool pode resgatar memórias antigas, não necessariamente as vividas enquanto se bebe.
— Dependendo da dose, memórias mais intensas, boas ou ruins, podem ser desencadeadas por conta da liberação de dopamina, que estimula a acetilcolina (hormônio da memória) no sistema límbico (responsável pelas emoções) — explica.
Ela fala ainda como o álcool age naqueles que bebem para amenizar alguma dor:
— A dopamina traz a sensação de relaxamento e a pessoa não fica presa ao mal estar que vive. Mas com o fim do efeito do álcool, tem que enfrentar a realidade como ela é.
Afogar mágoas e não parar de falar sobre elas
Se quando se começa a beber a tendência é lembrar de coisas não tão boas, após algumas doses a mais, a sensação é de relaxamento mental.
— Após duas a três latas de cerveja, passa a se abolir a atenção, o reflexo, a capacidade de tomar decisões — conclui Ana Cecília.
O neurologista André Gustavo Lima afirma que o estudo da universidade americana pode trazer respostas químicas para um comportamento já conhecido: falar sem parar.
— Quem bebe fica desinibido, então, fala mais ainda do que o incomoda. O álcool ocupa receptores de glutamato do lobo frontal (responsável pelo planejamento de ações e movimento, bem como o pensamento abstrato) o que causa essa desinibição — diz o membro da Academia Brasileira de Neurologia.
Sinais de ressaca
Dor de cabeça
O álcool causa a dilatação dos vasos sanguíneos do cérebro, provocando o incômodo. Mas evite tomar medicação que tenha paracetamol. Elas sobrecarregam o fígado.
Sede e boca seca
São sinais de que o corpo está desidratado. Tome bastante líquido, como água, sucos, e isotônicos. Não entre na onda de tomar mais uma. Isso só intoxica mais o corpo.
Enjoos e náuseas
A bebida ataca o aparelho digestivo, aumenta a produção de suco gástrico e de secreções intestinais, podendo causar gastrite e vômito. Por isso, alimente-se de forma leve.
Sonolência
O álcool desregula a produção de glutamina, um estimulante natural do organismo. Isso agita o cérebro e dificulta o sono. Para se recuperar, descanse.
Não fume
Quanto mais nicotina, menos oxigênio no sangue, o que apressa e facilita a intoxicação pela bebida alcoólica.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

SEM AÇÕES INTEGRADAS, COMBATE AO CRACK FALHA

Nas praças, debaixo de viadutos ou em cantos das sete cidades, é comum ver pessoas em situação de rua consumindo crack. O cenário, cada vez mais preocupante, evidencia políticas públicas pouco efetivas voltadas à recuperação desse grupo.

Embora relatório divulgado nesta semana pela OSF (Open Society Foundations) mostre que projetos como o programa De Braços Abertos, da Capital, e exemplos semelhantes no Rio de Janeiro e em Pernambuco, – que não exigem abstinência dos usuários de drogas como pré-condição para serem incluídos nos programas de assistência e oferecem moradia, treinamento e oportunidade de retorno ao mercado de trabalho –, sejam o caminho tido como eficaz para a reinserção dos usuários na sociedade, nenhuma das sete cidades mantém ações estruturadas do tipo ou manifestaram que planejam avançar no tema.

Basicamente, na região, o assunto é tratado de forma isolada pelas equipes de Saúde mental via rede de atenção psicossocial. Com exceção de Santo André, nenhuma administração destacou ter o problema mapeado.

Para o integrante do Movimento Nacional de Direitos Humanos Ariel de Castro Alves, falta integração da área de Saúde pública com os setores de Educação, Habitação, trabalho e assistência social. “Os programas, para terem êxito, precisam ser multidisciplinares e intersetoriais”, fala.

A psiquiatra da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e coordenadora da comissão de dependência química da Associação Brasileira de Psiquiatria, Ana Cecília Petta Marques, compartilha do argumento. “Medidas restritas a uma parte só da política pública não funcionam. Elas precisam ser articuladas.”

Para o psiquiatra e diretor do Inpad (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e outras Drogas) Ronaldo Laranjeira, falta combate à proliferação do tráfico nas ruas. “Se o setor de Segurança não tiver estratégia, vamos continuar tendo cracolândias.”

COMO FUNCIONA

Em Santo André, onde o número de dependentes em situação de rua varia entre 100 e 125 pessoas, a Prefeitura diz que projeto em fase de elaboração visa dar oportunidade de emprego, já que muitas vezes a pessoa é retirada da rua e, se não tem encaminhamento, volta para o lugar de uso.

Ribeirão Pires, que atende na rede de Saúde 560 pacientes usuários de crack, ressalta que dispõe de oficinas geradoras de renda, para estimulá-los a desenvolver o autossustento.
Mauá diz que não atua com a classificação sobre qual tipo de droga levou o paciente ao tratamento e contabiliza 1.564 pacientes atendidos no Caps AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas).

As demais cidades não informaram suas ações.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Importar sementes de maconha não é crime, diz conselho de Procuradoria.

Ana Cecília Marques critica o que vê como “mais uma medida caótica”. 



Programa Em Discussão

O programa Em Discussão desta semana, apresentado pelo jornalista Mauro Frysman, recebe convidados para debater o Projeto de Lei 635/2016 de autoria do deputado Celso Nascimento (PSC), que autoriza a criação do Fundo Estadual Antidrogas (Funead)

Heroína chega à Cracolândia a R$ 50; droga é trazida de países africanos

Um dos fatores de risco para o consumo de drogas é o ambiente. Essa população da Cracolândia está exposta à heroína. Não estão consumindo, mas podem consumir. Não é nem pelo prazer, mas pelo comportamento de experimentação, pela curiosidade”, diz a pesquisadora do Instituto de Políticas sobre Drogas (Inpad) e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ana Cecília Marques.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Uso de drogas e adolescência

Parceria da ABEAD e Viva Mais/CECOM/FCM/UNICAMP
Data: 24 de novembro de 2016
Horário: 8:30-18:00
Local: Auditório da FCM/UNICAMP
Valor: R$50,00
Forma de pagamento: Depósito bancário
ABEAD - Associação Brasileira de Álcool e Droga
Banco do Brasil
Agência: 2806-1
Conta Corrente:21706-9
CNJ: 881.739.76-0001/07

Importante: O comprovante do depósito deve ser apresentado no dia do evento para validar sua inscrição.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Drogas: Questões Políticas e Sociais

Dia: 24/08/2016 – 19h30
Local: A Casa - Rua Ibiapinópolis, 762 - Jardim Paulista - SP
Evento GRATUITO (contribuição voluntária)
Inscrição: http://goo.gl/forms/RhllPm9tAFucnvGm1
Mais informações pelo telefone 3818-8712

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Candidatos criticam programa de Haddad para a cracolândia

A psiquiatra Ana Cecília Marques, afirma que a eventual interrupção repentina poderia prejudicar aos usuários. “Eu consideraria uma transição para avaliação independente do programa. O que fosse bom permaneceria”. 

quinta-feira, 7 de julho de 2016

VIII Simpósio Internacional sobre Tabaco, Álcool e outras Drogas

VIII Simpósio Internacional sobre Tabaco, Álcool e outras Drogas
O que há de Novo na Prevenção e no Cuidado das Adicções
27 a 29 de outubro de 2016 - Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro/RJ

O que há de novo na Prevenção e no Cuidado das Adições.
Caros colegas,
Este ano levaremos o XVIII Simpósio de Tabagismo, Álcool e outras Drogas para dentro da Santa Casa de Misericórdia do Rio Janeiro. Cientes da crise que atravessamos no momento, decidimos por baixar todos os custos possíveis para oferecermos valores de inscrição acessíveis a todos e com isto garantir que possam continuar a participar do Simpósio. Não deixaremos, contudo, de manter a excelente qualidade da programação científica e de todos os palestrantes.
Informando sempre. Inovando cada vez mais.

Venha se atualizar no que há de novo na Prevenção e no Cuidado das Adições!

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Palestra sobre prevenção às drogas

24/06 – Sexta-feira 10h
Palestra sobre prevenção às drogas, na Câmera Municipal de Sertanópolis.
Ana Cecília




terça-feira, 3 de maio de 2016

WORKSHOP

WORKSHOP
O Impacto da Dependência Química na Família
21 de maio de 2016
Download do programa completo

terça-feira, 22 de março de 2016

ÁLCOOL COM ENERGÉTICO: UMA BOMBA QUE MATA!

Não é de hoje a moda entre os adolescentes de misturar energético com bebidas alcóolicas. Especialistas alertam para o perigo para a saúde dessa combinação explosiva, assim como para a bebida tomada pura, em excesso.
O álcool pode causar diversos problemas ao sistema nervoso central e tem consequências piores para os adolescents do que para os adultos. É o que afirma a psiquiatra e presidente da Abead (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas), Ana Cecília Marques. Ela explica que o álcool pode “provocar atrofia em áreas importantes do cérebro”, responsáveis pelo seu
O álcool afeta, também, o sistema cardiovascular, deixando as pessoas mais vulneráveis a um AVC (acidente vascular cerebral), que é o rompimento de artérias no cérebro. Um AVC pode deixar a pessoa com sequelas ou levá-la à morte.
Além de interferir na saúde, o álcool em excesso está associado a casos de violência, relação sexual desprotegida, entre outros.
Álcool e energético
A médica cardiologista e presidente da Socerj (Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro), Olga Ferreira de Souza, alerta que a mistura de álcool com energético pode levar ao aumento da pressão arterial, palpitações, arritmias cardíacas, AVC e morte súbita.
A cardiologista explica que os energéticos camuflam os sintomas de embriaguez, porque contêm estimulantes, como cafeína e taurina, que mascaram os efeitos do álcool. Assim a pessoa bebe mais e por mais tempo.
O álcool, depois de seu momento de euforia, causa um efeito depressor, levando a uma queda de entusiasmo e à sonolência. A cafeína do energético acelera osbatimentos cardíacos e produz hormônios, como a adrenalina, provocando riscos como arritmia e aumento da pressão arterial. O problema do jovem é que, geralmente, não faz check ups que revelam se ele pode ter alguma propensão a uma cardiopatia ou à pressão alta. Por desconhecer seu estado de saúde, o jovem corre muito risco ao consumir energético.
O consumo diário de cafeína recomendado para uma pessoa é 150 mg em 24h. Uma lata de energético tem, em média, 80 mg de cafeína. O jovem costuma consumir de duas a três latinhas de energético numa balada.
A cardiologista explica que não existe recomendação médica para o uso de energéticos e, infelizmente, não há restrições para a venda de energéticos, como ocorre com o álcool.
Uma pesquisa feita pela Unifesp demonstrou que a cafeína dos energéticos potencializa os efeitos do álcool no cérebro e pode causar envelhecimento precoce e a doenças degenerativas, como Mal de Alzheimer e de Parkinson.
A cardiologista alerta que “se for beber, que seja de forma moderada, pouca quantidade, evitando bebidas destiladas que possuem maior teor alcoólico”. É imprescindível beber água enquanto se consome bebidas alcóolicas para manter o corpo hidratado, já que um dos efeitos do álcool é desidratar as células. Também não se deve beber em jejum.
Um outro problema é que os adolescentes têm começado a beber cada vez mais cedo. Isso se deve, sobretudo, à falta de campanhas de conscientização voltadas para essa faixa etária alertando sobre os perigos do consumo de álcool e as consequências do seu uso.
Pais e jovens devem estar em alerta quanto ao uso de energético. Por terem a venda liberada, muitos adolescentes abusam do energético sem saberem das consequências danosas para o seu organismo.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Dependência química ainda é desafio: História de casal de usuários de crack, em Santos, aponta uma das lacunas deste problema: eles não conseguem atendimento integral

O polegar e o indicador da mão esquerda amarelados revelam a dependência de Roberto, nome fictício que será usado nesta reportagem para preservar a identidade do usuário de crack. Ele tem 36 anos e vive há mais de dez nas ruas de Santos. Ele e sua companheira, que também é moradora de rua e usa a mesma droga, saíam da Seção Núcleo de Atenção ao Toxicodependente (Senat), na Encruzilhada, quando relataram sua rotina a A Tribuna: há alguns meses o casal vai à unidade para se tratar contra o vício. Apesar do aparente esforço, Roberto diz que os dois não conseguem se manter limpos aos fins de semana, quando o Senat está fechado. “Sábado e domingo a gente guarda carro e usa o dinheiro (que ganha) para comprar crack”. O Senat também não funciona à noite, quando Roberto e a companheira voltam para a marquise na esquina das ruas Silva Jardim com a Xavier Pinheiro. A presidente do Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas (Comad), Maria Tereza Spagna Louzano, reconhece que o atendimento ao dependente químico em Santos precisa melhorar. Diz que a entidade tem trabalhado em conjunto com a Prefeitura. Ela acredita que casos como o de Roberto serão mais assistidos com a inauguração do Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas (Caps AD) na Zona Noroeste. “Ele (Caps AD) já está pronto, mas a Prefeitura informou que por problema de Recursos Humanos ainda não inaugurou. A expectativa é que isso aconteça até julho”.

AVANÇAR
A psiquiatra e professora da Unifesp, Ana Cecília Marques, afirma que os modelos de tratamento aos dependentes químicos em todo o País precisam avançar. De acordo com ela, há a necessidade de uma ação conjunta, que comece na Atenção Básica de Saúde. “Temos que evitar que esses dependentes de álcool e drogas cheguem na rua, porque quem está na rua, está no fim da linha”, diz ela, que também é coordenadora do conselho consultivo da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead).

ATENÇÃO BÁSICA
Para ela, o primeiro passo é identificar a dependência química ainda na Atenção Básica
de Saúde. “Na hora que o paciente entra na unidade de Saúde, do mesmo jeito que ele mede a pressão, é só perguntar se ele fuma, bebe, ou usa droga”. Segundo Ana, esse é um procedimento ignorado em todo o Brasil, até pelos agentes comunitários de Saúde, em cuja ficha de trabalho há um espaço para preencher essa informação. Detectar a dependência precocemente, significa impedir que ela evolua. Para saber os resultados dessas medidas, Ana integra um grupo de pesquisa da Unifesp, que há dez anos adotou a prática em Tarumã, cidade com 12 mil habitantes no Centro Oeste do Estado. Agora o projeto entra na etapa de avaliar resultados.

IMEDIATO
Ana Cecília acredita que esse cuidado na Atenção Básica produza resultados
a longo prazo. De imediato defende uma coalizão que envolva toda a comunidade e não deixe apenas nas mãos da escola o assunto. “A prevenção na família deve ser urgente. Tem que ser uma prevenção universal, cuidando do adolescente e da criança, dando o exemplo, mudando o comportamento”, finaliza.



Ana Cecília Marques e o Nemt



SERVIÇO ESPECIALIZADO

Crianças de Tarumã ganham atendimento preventivo através do Nemt. Objetivo é ter no futuro uma adolescência mais saudável. É um dos únicos programas dessa especialidade que existe a nível mundial, diz a médica Ana Cecília Marques.

As crianças de Tarumã com necessidades especiais e que apresentam algum tipo de problema persistente na escola, vão receber atendimento especializado do Nemt (Núcleo Educacional e Multidisciplinar de Tarumã) a partir de 2016, e não justifica mais encaminhá-las para a Apae, em Assis, correndo risco de acidentes em viagens
numa estrada (SP 333 com tráfego de 9 mil veículos/ dia) com volume de tráfego pesado e muito elevado. A informação foi dada pela médica psiquiatra e mentora do projeto Periscópio, drª Ana Cecília Marques, beneficiando 60 crianças. Ela explica que o Nemt, broto do Periscópio, que já faz a prevenção contra uso de drogas, mobilizando cuidadores de toda a comunidade na fiscalização, já dispõe de uma estrutura técnica e especializada para oferecer esses serviços com qualidade, evitando o deslocamento até Assis diariamente.

AVALIAÇÃO
Segundo a drª Ana Cecília, “a partir da demanda avaliada, pesquisada, com crianças com problemas de aprendizagem, problemas de humor e familiares, enfim de crianças adoecidas na escola que emergiam na classe, nós construímos todo um levantamento para avaliar a taxa de problema que as crianças apresentavam e diante disso, com a comprovação da necessidade, pleiteamos junto ao prefeito Jairo da Costa e Silva e a secretária da educação Luciene Garcia Ferreira e Silva para que fosse construído um sonho que já era acalentado há muitos anos, mas agora com dados reais, contando com o apoio da Câmara, a criação de um Núcleo Educacional de Atendimento Multiprofissional dessas crianças que estão ligadas a escola. Esse núcleo tem um médico especialista na psiquiatria infantil, uma fonoaudióloga, um psicólogo e uma psicopedagoga que juntos abordam a criança que emerge da escola com problema persistente. Não é um probleminha que a criança apresentou naquele mês. Mas um problema que a própria psicopedagoga da escola já detectou junto com a professora e que se mantém ao longo do semestre e a criança não consegue evoluir. Isso demonstra que apesar da adaptação da criança ao ambiente escolar, deve apresentar um problema mais profundo e por esta razão deve ser submetida a uma avaliação mais aprofundada, que o núcleo vai oferecer”.

LEVANTAMENTO
A médica disse que foi feito um levantamento e que “temos pelo menos 60 crianças em tratamento hoje, que passam pelo fonoaudiólogo, reabilitam a linguagem; passam pela terapia e habilitam as suas realidades sociais pelo médico e psicopedagoga, e com isso em breve, no ano que vem, já que o Nemt é um broto do Periscópio, já devemos ter o resultado mostrando a eficácia da intervenção.” O Núcleo Multidisciplinar Saúde e Educação, inclusive com verbas consorciadas das secretarias que envolvem essa questão, otimizadas, a gente não esbanja dinheiro aqui no núcleo e tudo é baseado em dados previamente detectados, e que acredito que deve proteger essas crianças, alinhavou a drª Ana Cecília. Ela própria indaga: “Porque essas ações preventivas de saúde da criança são tão importantes? Porque todas as pesquisas no mundo, e são poucas, apontam para esse fator de adaptação escolar, seja na aprendizagem ou pela desordem do humor, ou comportamental, é o fator que pré dispõe problemas na adolescência. Quando a gente minimiza o dano, interrompe esse processo, a gente quase que está mudando o destino da criança, porque ela vai ter uma adolescência mais saudável e com menos fatores de risco envolvidos, entre eles, beber precocemente. Essa ação preventiva é das mais relevantes e a gente pode contar nos dedos de uma mão, onde é feito no mundo esse tipo de trabalho, e é feito aqui em Tarumã”, assinala sem deixar esconder a sua satisfação como médica, dos resultados obtidos com esse programa.

Fonte: Revista Correio Assissense p. 5, Assis 2 a 8  marco, 2016