sexta-feira, 29 de abril de 2011

Aumenta consumo de álcool entre mulheres



De acordo com pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde, o porcentual da população adulta que consome álcool em excesso passou de 16,2% em 2006 para 18% em 2010. Os homens são a maioria entre os que bebem em excesso - 26,8% em 2010, contra 25,5% em 2006. Foi entre as mulheres, no entanto, que se deu o aumento mais expressivo: a taxa passou de 8,2 para 10,6% nos quatro anos.

O ministério considerou consumo excessivo de álcool cinco ou mais doses em uma mesma ocasião em um mês para os homens e quatro às mulheres. A pesquisa foi feita em todas as capitais por meio de 54 mil entrevistas telefônicas.


Moradora de São Caetano, A.N.Q. se enquadra entre as pesquisadas que consomem quatro ou mais doses de álcool em uma semana. “É o meu momento de relaxar. Bebo em casa, com meu marido, até mesmo porque depois não precisamos dirigir. Sexta, sábado e domingo são os meus dias, quando posso abandonar temporariamente as obrigações da semana”, relatou.


A são-caetanense acredita que beber apenas aos fins de semana não prejudica a saúde nem o trabalho. “Mantenho esse hábito há cerca de dois anos. Não descuido das minhas obrigações de mãe, profissional e esposa. É apenas para descontrair”, considerou.


De acordo com Ana Cecília Marques, psiquiatra e especialista em dependência química da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), o aumento no consumo de álcool pelas mulheres tem impactos importantes nas questões de saúde pública.


“O álcool é mais danoso ao organismo feminino, devido ao metabolismo. Doenças como cirrose, hipertensão, diabete e diversos cânceres atingem primeiro as mulheres”, declarou a especialista.


“Outro ponto fundamental é o papel que a mulher representa na sociedade. Alcoolizada, não cuida dos filhos, não se previne contra gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis e ainda assume o papel de vítima potencial para violência doméstica e abuso sexual”, concluiu.


Para a socióloga da Universidade Federal do ABC, Adriana Capuano de Oliveira, as propagandas de bebida no Brasil sempre associam o consumo de álcool com festas e celebrações. “Nos anos 70, a mulher expressou a sua independência fumando. Hoje, acontece o mesmo, mas com a bebida. Ela está divorciada, com problemas, mas tudo se resolve quando toma uma cerveja. É essa a mensagem falsa das peças publicitárias”, afirmou.


Adriana ressaltou que o ato de ingerir bebidas alco­ólicas também está associado com inclusão social. “Mais uma vez, temos as propagandas que associam vinhos, vodkas e cervejas com conquista, diversão. Todos querem fazer parte disso”, frisou.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O drinque das oito

Novelas do horário nobre exageram em cenas nas quais muitos personagens bebem muito. Para o autor de Viver a Vida, a ficção imita a realidade. Para especialistas, a ficção estimula.


Capítulo 1. O céu azul é de Búzios (RJ). À beira da piscina, copos nas mãos, amigos conversam alegremente. À noite, antes de sair para um desfile de moda, Marcos (José Mayer) se aproxima de uma mesa repleta de bebidas. Enche o copo. Ao fundo, o trânsito de suas filhas na sala. Em primeiro plano, por mais de dez segundos, a mesa coberta de garrafas é a estrela da cena. Em outro ambiente, festa regada a muita bebida, encontros descontraídos. Capítulo 2. Helena (Taís Araújo) e Marcos aparecem em longas tomadas, longas como suas taças de champanhe. Capítulo 3. O copo protagonista é o de Renata (Bárbara Paz). Capítulo 4. Duas médicas (Daniele Suzuki e Christine Fernandes) encerram a noite com vinho. Os gêmeos Miguel e Jorge (Mateus Solano) tomam cerveja com amigos na pizzaria. Sandra (Aparecida Petrowsky), irmã de Helena, grávida, vai no gargalo mesmo. Capítulo 5. Helena aparece chapada. Marcos, dessa vez, está em sua mesa de trabalho, o copo também. Numa reunião, regada a loira gelada, outros personagens discutem projetos de arquitetura, nem parece que trabalham. Betina (Letícia Spiller), prá lá de alegrinha, dá carona para Tereza (Lília Cabral), que de tão embriagada cai ao desembarcar. Dona Noêmia (Lolita Rodrigues), mãe de Marcos, é advertida duas vezes por sua dama de companhia para ir devagar com o champanhe. Seria exagero dizer que Viver a Vida é, antes de tudo, um porre?

Conhecido por abordar temas relevantes em suas tramas, o autor Manoel Carlos considera o alcoolismo um dos maiores flagelos sociais. “O álcool, para desgraça nossa, é droga lícita. Por essa razão tenho abordado o alcoolismo, de uma maneira ou de outra”, diz. O tema apareceu em Por Amor (1997), Laços de Família (2000), Mulheres Apaixonadas (2003), Páginas da Vida (2006). O novelista vem lendo durante os últimos anos sobre o crescente número de jovens, grande parte composto de mulheres, que se entregam ao vício, justificando-o como uma necessidade social. “Em Viver a Vida, a personagem será Renata. O nome que se dá a esse tipo de alcoolismo é drunkorexia. A jovem pensa que diminui, neutraliza ou elimina calorias do álcool deixando de se alimentar, para manter-se magra”, explica. “É um tremendo engano, já que estudos provam que o álcool engorda mais que os alimentos. Acho que a novela pode dar um alerta, sem precisar sem didática.”

Clima de tolerância

Especialistas, no entanto, veem com preocupação uma trama na qual muitos personagens bebem muito. Para começo de conversa, gera no público a falsa impressão de que a maioria das pessoas costuma beber. E não é verdade. Ilana Pinsky, coordenadora do ambulatório de adolescentes da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), diz que metade da população brasileira não toma nada. Na outra metade, porém, 50%, ou seja, um quarto da população, têm algum distúrbio ligado ao álcool. Os dados são do 2º Levantamento Domiciliar sobre Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil, de 2005. O estudo revelou que 12,3% das pessoas com idade entre 12 e 65 anos são portadoras de alcoolismo e cerca de 75% já beberam alguma vez na vida. Os resultados também indicam o consumo cada vez mais precoce e sugerem a necessidade de revisão das medidas de controle, prevenção e tratamento. 

“Esse excesso é ruim principalmente para adolescentes, que são induzidos a acreditar que todos bebem, que beber é normal, que a bebida não causa danos e é a responsável pela alegria em encontros de amigos. Convencer o público de que todos, ou quase todos, bebem só interessa aos fabricantes do setor”, diz Ilana. Outro complicador, segundo a especialista, é que as novelas sempre têm personagens problemáticos, violentos ou dependentes químicos. O público então tende a absolver os demais, “normais”, que podem beber à vontade. Afinal, não causam confusão, não dão vexame e são bem-sucedidos. “Um agravante relacionado a isso, que o folhetim não aborda, é que a maioria dos acidentes de carro acontece com quem não é alcoolista”, diz. Ou seja, é gente “normal”, que bebe socialmente e sempre acha que está sob controle. “Se querem tanto fazer marketing social, porque não mostram amigos discutindo sobre quem vai voltar dirigindo depois que beberem?”, sugere a psicóloga.

Ana Cecília Marques, coordenadora do Departamento de Dependência Química da Associação Brasileira de Psiquiatria, explica que o alcoolismo é uma doença crônica, incurável, determinada por fatores biológicos e psicossociais. “Entre os aspectos psicossociais que desencadeiam o beber está a propaganda, que por meio de técnicas diversas, como colocar o produto para ser bem vendido em uma novela, influencia principalmente os adolescentes”, diz. Para ela, cenas que exibem álcool num contexto que envolve sonhos, desejos, fantasias e estilos de vida emocionalmente atraentes têm o mesmo efeito da propaganda, embora sejam peças de ficção. O consumidor é influenciado não apenas por anúncios comerciais – sempre com pessoas e estilos de vida associados a riqueza, prestígio, poder, aprovação social, sucesso, fama, beleza, sensualidade etc., como se fossem modelos a ser seguidos –, mas pela propagação e glamorização do hábito por meio da indústria cultural.

Para o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, coordenador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Unifesp, a propaganda do álcool busca, além de fazer com que os consumidores tenham preferência por determinada bebida, criar um clima social de tolerância, visando nitidamente aumentar o consumo. 

Coordenador da Unidade de Dependência Química do Hospital Mãe de Deus, de Porto Alegre, e conselheiro da Associação Brasileira de Estudos sobre o Álcool e Outras Drogas (Abead), Sérgio de Paula Ramos observa que a mídia só consegue alavancar o consumo porque a indústria do álcool é uma grande financiadora e porque a lei é permissiva. Em 2007, o governo federal aprovou a Política Nacional sobre o Álcool. O Decreto nº 6.117 explicita a preocupação governamental com o alcoolismo e define ações para inibir e prevenir danos à saúde e situações de violência e criminalidade associadas ao uso de bebidas alcoólicas. Para isso sair do papel, porém, são necessárias várias medidas, como leis restritivas à propaganda. Um projeto apresentado pelo Executivo no começo do ano passado para limitar a propaganda, que deveria ser votado com urgência, sucumbiu ao lobby da indústria. Pela lei em vigor, só é considerada alcoólica a bebida com mais de 13º GL (Gay-Lussac). Cervejas e vinhos ficam de fora. Há também um projeto de lei do Senado que propõe a proibição de anúncios de bebidas. 

Alto teor de merchan

Sérgio de Paula Ramos conta que numa reunião da Organização Mundial da Saúde em Genebra, na Suíça, para discutir estratégias de redução do consumo de álcool, mostrou aos colegas de outros países slides de comerciais de bebidas produzidos no Brasil. “Eles ficaram boquiabertos, porque em nenhum lugar do mundo a publicidade de bebidas é tão intensa e escancarada”, diz. Segundo ele, a irresponsabilidade dos fabricantes e da mídia já ultrapassou os limites éticos e trouxe a percepção de que era possível ampliar o nicho de mercado ao colocar na mira adolescentes, crianças e idosos. “Não por acaso, pesquisas revelam pessoas de todas as idades bebendo cada vez mais”, diz. 

Ramos refuta o efeito conscientizador da novela: “Se a novela tem 100 capítulos, o personagem alcoolista bebe em 90 deles. Nos 10 finais ele se recupera. Mas não são mostradas cenas com as dificuldades enfrentadas durante o processo de recuperação”. A longa lista desses personagens inclui Zé da Feira (Eri Johnson, em Duas Caras, de Aguinaldo Silva); Heleninha Roitman (Renata Sorrah, em Vale Tudo, de Gilberto Braga); Santana (Vera Holtz, em Mulheres Apaixonadas); Orestes (Paulo José, em Por Amor); Bira (Eduardo Lago, em Páginas da Vida).

O psiquiatra ressalta ainda que, se a saúde pública não sensibiliza os gestores, o alcoolismo chama a atenção por suas consequências às contas públicas. O gasto nacional com saúde representa cerca de 7,6% do PIB, enquanto a indústria da bebida movimenta recursos equivalentes a 3,5%, segundo dados do Ministério da Saúde e da Associação Brasileira de Bebidas. Será que a receita compensa as despesas com tratamento e doenças, problemas gerados pela violência doméstica, pagamentos de pensões devido a acidentes, tentativas e homicídios consumados etc.? Os gastos públicos do Sistema Único de Saúde (SUS) com tratamento de dependentes de álcool e outras drogas em unidades extra-hospitalares, como os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPSad), atingiram, entre 2002 e junho de 2006, a cifra de R$ 37 milhões. No mesmo período, outros R$ 4 milhões foram gastos em procedimentos hospitalares de internações relacionadas ao uso de álcool e outras drogas

Coordenador do Programa de Orientação e Assistência a Dependentes (Proad), vinculado à Unifesp, o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira desconhece estudos que associem novelas ao hábito de beber da população, mas acredita na influência. O glamour da mulher bonita e bem-sucedida segurando a taça de champanhe exerce o mesmo fascínio que, no passado, o cigarro exerceu no cinema. “Quanta gente não começou a fumar imitando divas e heróis dos filmes?” Silveira conta que conheceu na Europa iniciativas de produtores de cinema e vídeo que, antes de gravar e levar ao ar suas produções, submetem o roteiro à análise de especialistas. “É preciso ter a certeza de que aquela cena, da maneira como foi pensada, não levará mensagens destrutivas ao público”, diz. Manuel Carlos não discorda: “Todo o assunto (drunkorexia) foi levantado pelas minhas três pesquisadoras. Tenho todas as informações de que necessito”, garante. 

Criativo, simpático, extrovertido


O publicitário Hugo Leal tem 59 anos e está há 25 sem beber. Sua história, aliás, poderia ser resumida e apresentada no final de um capítulo de Viver a Vida. Começou aos 12 anos, quando ganhou um garrafão de vinho numa quermesse e o “enxugou” rapidamente com os amigos. Os meninos passaram mal, precisaram ser levados para casa. Hugo se sentiu “forte” para a bebida por não ter ficado ruim. Sob efeito do álcool, começou a perceber-se mais criativo. E mais simpático, bonito, desinibido, extrovertido...
Cursou matemática, filosofia e comunicação, sempre “bebaço”, como diz. Para ficar acordado à noite e manter os efeitos do álcool, juntou anfetamina e cocaína. Logo começou a escrever roteiros de filmes, vídeos, eventos, trabalhou em jornais e agências. Por causa da bebida – hoje ele sabe – sentia-se gênio e era líder em todo lugar que chegava. Começou a achar que podia tudo: já não pagava impostos, desobedecia regras e chutava o balde nas redações e por onde passasse. Virou frila e casou 11 vezes. Aos 31 anos tinha uma casa noturna, mas bebeu tudo o que faturou, e faliu. Não arranjou mais trabalho e vivia de bar em bar recitando poemas em troca de bebida. Chegou a achar que vida estável não era para ele. Achava-se um poeta. “Até que um dia, num bar, um cara falou: ‘Pode beber, mas nada de poesia!’” Bebeu calado.
A ficha começou a cair. Foi para casa chapado, como sempre, e a mulher anunciou que iria embora. Foi dormir sentindo-se um gênio incompreendido e acordou com a certeza de que era um doente. Foi para os Alcoólicos Anônimos e fez consigo um pacto de que sairia dessa. Chegou a passar mal por causa da falta do álcool no cérebro. Mas nunca precisou de ajuda médica. “Tenho de fazer por merecer estar vivo”, diz. Hoje trabalha, vive bem e dá palestras sobre sua história, alertando que as armadilhas do álcool estão por toda parte, até na novela das oito.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Bares restringem “double drink”

O cerco ao consumo excessivo de bebida alcoólica ganhou um reforço inesperado em Curitiba. A Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar) lançou ações entre os associados para reduzir o incentivo ao consumo de álcool nos estabelecimentos da cidade. A medida foi bem aceita pelos empresários porque dá fim à concorrência desleal.
De acordo com o presidente da Abrabar, Fábio Aguayo, a associação decidiu criar medidas para fortalecer sua responsabilidade social diante dos problemas decorrentes do consumo excessivo de álcool. “Existem ideias proibitivas ao álcool, mas é preciso ter bom senso. Por isso, defendemos o não incentivo”, afirma.
Desde 1.º de março, a medida da Abrabar sugeriu aos estabelecimentos que tenham um único dia, entre domingo e quarta-feira, para colocar em prática as promoções, e que isso não seja feito de quinta a sábado. Além disso, a recomendação também sugere que os populares “double drinks” sejam oferecidos até, no máximo, as 20 horas.“Não queremos que o álcool seja a atração principal das casas. É o ambiente, a música, a boa comida que deve atrair o cliente, não as promoções open bar ou double drink, por exemplo”, explica Aguayo.

Segundo ele, além de não estimular o consumo excessivo de álcool, a medida tem efeitos também sobre a ação predatória que algumas promoções representam. “Essa atitude de quem dá mais não é concorrência sadia. Quem faz muita promoção de bebida, ou trabalha com produto falsificado ou que não está entrando na contabilidade”. Por isso, segundo ele, a decisão foi consenso entre os empresários.

Gustavo Costa é proprietário do Bar Devassa, que desde sua inauguração, não investiu nesse tipo de oferta. “Nós conversamos com os empresários do setor e percebemos que isso já não tem influência efetiva na atração de clientes. As promoções de bebidas se tornaram tão comuns na cidade que já não são vistas como um diferencial”, diz.

Quem apostava nas promoções também não sentiu qualquer impacto ao extinguir algumas delas. “O cliente que ganha uma bebida deixa de pagar para consumir. É uma estratégia de marketing que financeiramente não é interessante para nós”, conta Giocondo Villanova Artigas Neto, um dos proprietários dos bares Santa Marta, Taj, Es Vedra e Comenda.

ANÁLISE

Ações isoladas ajudam, mas não resolvem o problema

A redução da oferta de bebidas pode contribuir para a diminuição do consumo, avalia o psicólogo Naim Akel Filho, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. “Muita gente se torna dependente da bebida por oportunidade. Essas promoções dos bares estimulam o consumo abusivo, que é o estágio anterior à dependência”, opina. Para ele, o problema é especialmente grave na atual geração de jovens. “Essa geração tem uma enorme dificuldade em controlar impulsos. Quando a bebida é oferecida de forma vista como vantajosa pelo cliente, perde-se totalmente o controle do consumo”, explica.

Conter o consumo de bebidas tem sido o alvo de muitas iniciativas. Na Câmara dos Deputados, por exemplo, tramitam mais de 200 propostas para estabelecer medidas que vão desde a proibição de anúncios de bebidas e festas “open bar” à instituição de sanções para quem vender bebidas alcoólicas para menores de 18 anos. Recentemente, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) protocolou projeto de lei para restringir a publicidade de cerveja em todo o Brasil.

Para a especialista em dependência química Ana Cecília Marques, que é pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do CNPq, essas ações são importantes, mas sozinhas não são capazes de afetar significativamente o consumo do álcool. “É preciso que essas ações façam parte de uma política. Medidas para reduzir o consumo associadas a campanhas na mídia e à fiscalização no trânsito, por exemplo, conseguem causar um impacto considerável”, diz.

Segundo ela, essas políticas são mais efetivas se forem pensadas de forma particular para cada lugar. “Algumas medidas funcionam em cidades pequenas, mas não em cidades grandes. Por isso, a aplicação dessas ações e leis é muito mais efetiva se for feita municipalmente”.

terça-feira, 29 de março de 2011

quarta-feira, 16 de março de 2011

Saiba como cada parte do seu corpo sofre com o excesso de álcool

Confira no infográfico como o abuso de bebidas compromete o fígado, cérebro e até os músculos

Cerveja, chope, whisky, vodka, caipirinha. Antes de encher o caneco neste Carnaval, é bom saber de algumas informações valiosas sobre os efeitos do exagero do álcool no seu corpo. Você sabia que os dados mais recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que os brasileiros consomem 18,5 litros de álcool puro por ano, sendo, portanto, o quarto país que mais consome álcool das Américas?


E as pesquisas não param por aí. Ainda segundo a OMS, o álcool causa quase 4% das mortes no mundo todo, matando mais do que a Aids, a tuberculose e a violência. Hoje o impacto do abuso de álcool é considerado igual ao impacto da dependência em si, o alcoolismo.
Para aqueles que não sabem, abuso de álcool é quando a pessoa ingere bebida alcoólica em doses maiores que cinco, em uma só situação, sem uma "carreira" de consumidor, mas mesmo assim colhe os malefícios para o organismo.


Esse dado é preocupante, já que revela que aquela pessoa que abusa de bebidas alcoólicas uma vez ou outra pode correr os mesmos riscos de vida do que uma pessoa dependente.


"Isso acontece por que o corpo de um abusador não está acostumado com o etanol, diferentemente do dependente", conta a médica psiquiatra Ana Cecilia Marques, pesquisadora da Unidade de Álcool e Drogas (Uniad) da Unifesp e especialista em dependência química da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead).


Confira agora por que o excesso de bebidas alcoólicas causa tantos danos ao nosso organismo e quais partes do nosso corpo são mais afetadas com essa prática:

Por que o excesso de álcool causa tantos danos?
Para entender como a ingestão de bebidas alcoólicas consegue causar danos a tantas partes do nosso corpo, é preciso explicar o processo de metabolização do álcool ou etanol, ou seja, como o nosso corpo absorve, metaboliza e excreta essa substância.


A médica Ana Cecilia explica que o órgão responsável por metabolizar o álcool é o fígado, e que ele só metaboliza em média uma dose de bebida alcoólica por hora - entenda uma dose como uma lata de cerveja (360ml), uma taça de vinho (100ml) ou de destilado (40ml).


Portanto, se tomarmos seis latas de cerveja, por exemplo, nosso fígado irá levar as mesmas seis horas para metabolizar todo o álcool presente em nosso corpo. "E enquanto o fígado metaboliza a primeira latinha, o resto do álcool fica circulando no sangue e intoxicando, causando alterações e danos em diferentes órgãos", explica Ana Cecília.


Sistema gastrointestinal
Quando bebemos uma cerveja ou uma caipirinha, o álcool logo é absorvido pelo nosso sistema gastrointestinal. Ele irrita as mucosas do esôfago e do estômago, alterando as membranas do intestino, prejudicando a absorção.


Os resultados podem ser esofagite, gastrite e até diarreia. Já no fígado, o álcool vai alterar a produção de enzimas, aumentando este conjunto de substâncias que serão responsáveis pela metabolização.


"É como se o álcool forçasse o trabalho do fígado, que fica sobrecarregado", diz Ana. "O fígado passa a produzir mais enzimas para metabolizar o etanol e isso culmina com uma inflamação crônica e hepatite alcoólica, podendo evoluir para cirrose", completa.


Outro órgão afetado pelo excesso de bebidas alcoólicas é o pâncreas, responsável pela fabricação de insulina e de enzimas digestivas. O álcool pode causar uma inflamação no pâncreas, e essa inflamação pode evoluir para uma pancreatite.


A pancreatite é uma doença que causa uma forte e repentina dor abdominal, perda de apetite, náusea, vômito e febre. O tratamento é feito em hospitais e inclui medicações para a dor e antibióticos.


Sistema nervoso central
Quando abusamos das bebidas alcoólicas, o sistema nervoso, ou seja, nosso cérebro é afetado logo após a ingestão da segunda dose. Homens apresentam alterações na percepção da realidade e do comportamento logo após a segunda dose, e mulheres já na primeira.


De acordo com a especialista Ana Cecilia, os sintomas decorrentes da presença de álcool no sistema nervoso são: problemas de atenção, perda da memória recente, perda de reflexo, perda do juízo crítico da realidade. Com o aumento da dose, sonolência, anestesia e, no grau mais elevado, o coma alcoólico.


"O coma é um grau de intoxicação grave, por ação direta do etanol no sistema nervoso central e em outros sistemas orgânicos", diz Ana Cecilia. Quando isso acontece, é muito importante procurar socorro médico. Se o corpo não conseguir se recuperar do coma, pode haver parada respiratória, podendo levar à morte.


A reversão do quadro inclui medidas gerais para manutenção da vida, que vão desde oxigenação, hidratação, correção da glicemia, do magnésio e do zinco, entre outros cuidados que podem variar de caso para caso.


Sistema renal
Os rins são responsáveis pela filtração final do etanol, de apenas 6% da substância. Mas quando abusamos das bebidas, o etanol altera a capacidade dos rins de filtrar as substâncias do nosso corpo, causando uma alteração dos hormônios que controlam a pressão arterial, o que culmina em hipertensão arterial.


Pulmões
Como o sangue passa pelos pulmões para efetuar as trocas gasosas, nem esse órgão fica livre dos efeitos do álcool. "O etanol deixa as trocas gasosas mais lentas, pois os pulmões recebem um sangue muito sujo", conta Ana Cecilia.


O resultado disso é uma respiração mais lenta, fazendo a pessoa sentir dificuldades para respirar. É por isso também que o bafômetro capta o álcool ingerido, que ainda está circulante.


Sistema cardiovascular
A ingestão de bebidas alcoólicas favorece a liberação de dopamina no cérebro. Este hormônio neurotransmissor é responsável pela regulação de outras substâncias que, por sua vez, regulam o sistema cardiovascular.


Isto significa uma possível alteração da pressão arterial, da frequência cardíaca e depois, dos vasos sanguíneos. A taquicardia e a hipertensão arterial são as consequências mais comuns. 


Sistema muscular
É o sistema nervoso central o grande responsável por movimentar nossos músculos. A médica especialista da Abead explica que além da alteração central causada pelo álcool, que deixa as mensagens que chegam aos músculos mais lentas, as ligações nervosas periféricas são comprometidas, e a sensação é de relaxamento.


Sistema hormonal
Ninguém escapa da ação do etanol e, portanto, as glândulas também têm seus produtos, no caso os hormônios, alterados. Porém, são as pessoas que já apresentam doenças de alteração hormonal, como diabetes, que sentem com mais intensidade os danos físicos pela ingestão de bebidas alcoólicas.


A principal consequência do abuso de álcool em diabéticos, por exemplo, é uma rápida evolução ao coma alcoólico. Ana explica que o etanol altera a metabolização da glicose pelo fígado e pelo pâncreas, este último já adoecido pelo diabetes. Por conta disso, os danos aparecem mais rápido.



Ressaca
Além de todas as complicações que o álcool causa enquanto o indivíduo ainda está embriagado e intoxicado, ele ainda deixa seu efeito para o dia seguinte, a famosa ressaca. Dentre os sintomas da ressaca estão enjoo, vômitos, diarreia, tontura, pensamento embaralhado, moleza e até um sentimento de tristeza.


Abuso do álcool é diferente do alcoolismo
Como já foi dito anteriormente, o abuso do álcool é quando a pessoa bebe em grandes quantidades e tem problemas, mas não é dependente.


O alcoolismo é a doença crônica, a dependência pela bebida. E as consequências são individuais, tanto para os abusadores como para os dependentes.  
"Quando a pessoa é dependente de álcool é diferente. Ele tem uma tolerância maior pelo etanol, que demora em média, cinco anos para se desenvolver", conta Ana Cecilia.


Os órgãos e sistemas comprometidos são os mesmos citados acima, porém, quando os problemas aparecem, as complicações são bem mais graves e muitas vezes irreversíveis.


Dentre as doenças que podem surgir do alcoolismo estão gastrite crônica, hepatite crônica que pode evoluir para cirrose, hipertensão arterial, diabetes por alteração crônica no funcionamento do pâncreas e problemas de memória que podem evoluir para demência alcoólica - não só quando está sob os efeitos da bebida, como é o caso do abuso -. Além disso, o álcool também altera a imunidade, abrindo caminho para o surgimento de outras doenças.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O QUE FAZER COM O TRAFICANTE DEPENDENTE?

A passagem relâmpago do advogado Pedro Abramovay pela Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) reacendeu o debate sobre políticas para tratamento de dependentes químicos que passam a traficar drogas, sem envolvimento com o crime organizado, para manter o próprio consumo. Para especialistas ouvidos pelo Diário, um tratamento eficaz para os chamados pequenos traficantes é crucial na sua recuperação e a consequente redução da criminalidade.

Abramovay pediu demissão sexta-feira do cargo de secretário nacional de Justiça e recusou indicação para Senad depois de ser desmentido, no início da semana passada, pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. O advogado defendeu, na mídia, a substituição da pena de prisão para pequenos traficantes por penas alternativas, como prestação de serviços à comunidade, para resolver a superlotação carcerária. Segundo ele, dos atuais 70 mil presos por tráfico, 40 mil podem ser enquadrados nesse perfil.

No entanto, afirmam médicos e profissionais ligados à Justiça, substituir uma pena pela outra em nada vai adiantar. Pelo contrário, vai gerar sensação de impunidade. "É preciso programas eficientes de tratamento, geração de emprego, formação para tirá-lo do tráfico e fazer com que não volte a cometer. No País, a reincidência chega a 70%. O tráfico é onde mais o indivíduo volta a cometer o delito por ser dependente, não ter renda, estrutura familiar e escolaridade", ressalta o juiz Ulysses de Oliveira Gonçalves Júnior, titular da 1ª Vara de Execuções Criminais de São Paulo e corregedor dos Presídios da Capital.

A psicóloga Andréa Costa Dias, especialista em dependência química, chama a atenção para a falta de informação sobre os dependentes químicos, o que fazem e quantos são. "Há um desconhecimento sobre perfil e hábitos do dependente, principalmente de crack. Muitos conseguem levar vida social com trabalho e relacionamento", explica.

Andréa coordenou estudo que analisou 107 dependentes de crack que estavam em tratamento no Hospital Geral de Taipas, Zona Leste da Capital, entre 1992 e 1994. Doze anos depois, retomou o contato com eles e descobriu, a partir de entrevistas, que 61% se envolveram em delitos. Destes, 29% com o tráfico.

Além disso, 43% foram presos pelo menos uma vez, com média de tempo de prisão de um ano e oito meses. Já a média de tratamento foi somente de três meses. "Isso é reflexo da política repressiva em relação a essas pessoas. São doentes crônicos e é preciso mudar o olhar sobre a questão", diz.

É esperado nos próximos meses o primeiro diagnóstico sobre o tema, feito pela Fundação Oswaldo Cruz, a pedido do governo federal. Além de não saber quem são, o Ministério da Saúde desconhece quanto custa o tratamento para dependência química no SUS (Sistema Único de Saúde).

A psiquiatra Ana Cecília Marques, da Uniad (Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas), da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), que há 25 anos trabalha com pesquisa e tratamento sobre o tema, vai mais longe. Para ela, nem a Justiça nem a Saúde Pública estão preparadas para encaminhar e atender os pacientes. Ela lembra que há 40 anos a Organização Mundial de Saúde declarou se tratar de uma doença como qualquer outra. "Ou seja, a Constituição já garante o tratamento público a eles. Mas faltam profissionais capacitados, leitos e locais apropriados", critica a médica, que é favorável ao fim dos manicômios, mas lembra que a internação adequada em alguns casos é o mais indicado.

Atendimento cresce em cidades da região

O número de atendimento a dependentes químicos nos CAPS-AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Droga) aumentou 47% em São Caetano, Santo André e Diadema.
Em São Caetano foi onde houve o maior número de atendimentos: foram 6.288 em 2009, número que saltou para 9.457 no ano passado. Diadema registrou 1.348 atendimentos em 2009, contra 1.851 no ano seguinte. Santo André contabilizou 800 em 2009 e 1.100 no ano passado. 

São Bernardo, que não informou o número de 2009, computou 1.686 em 2010. Já Ribeirão Pires registra 4.000 atendimentos ao mês nos três CAPS da cidade - CAPS 2, CAPS Infantil e CAPS AD. Mauá e Rio Grande da Serra não se manifestaram. 

Os CAPS fazem parte da política do Ministério da Saúde, que desde 2003 passou a tratar o uso de drogas como problema de saúde pública. Nos Centros de Atenção o dependente químico é tratado por equipe multidisciplinar e passa alguns dias da semana em atividades psicoterapêuticas, individuais e coletivas, e retorna para casa no fim do dia. A internação ocorre somente em casos mais graves. 

Segundo médicos e psicólogos, a não-internação é uma tendência na psiquiatria. E, apesar do crescimento de atendimentos na região, o País tem um deficit grande de leitos psiquiátricos para dependentes químicos. 

O NAPS-AD (Núcleo de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas) de Santo André faz 300 acolhimentos ao mês, e somente 10% passam por período de internação, nos seis leitos disponíveis. 

Já o Ministério da Saúde mantém programas de combate ao uso de drogas, como o Plano de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas e emitiu portaria no fim de 2010 autorizando a abertura de 8.800 leitos em todo País. Porém, até agora só 250 leitos foram pedidos pelos municípios.
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Crime organizado rejeita dependente 
O perfil do dependente de drogas que trafica apenas para consumir não faz parte do quadro de membros do crime organizado. Segundo a delegada Katia Regina Cristófaro Martins, titular da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) de São Bernardo, ele não é bem visto por prejudicar os negócios. 
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"Por causa da fissura provocada pelo uso contínuo do entorpecente, ele (viciado) acaba cometendo roubo, chamando a atenção da polícia. E o traficante quer discrição. Por isso, no crime organizado a maior parte consome eventualmente", conta a delegada, que tem 29 anos de Polícia Civil, sendo 22 como delegada. Há dois anos à frente da Dise, ela contabiliza neste mês dez inquéritos instaurados e, em todos eles, os detidos declararam fazer uso de drogas. 
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Diferentemente do dependente, o viciado ajuda a alavancar o mercado de drogas, afirma o juiz Ulysses Gonçalves Júnior. A estratégia utilizada é de manter uma grande quantidade de tóxico em circulação, vendida por muita gente, em pequenas quantidades, para evitar perder mercadoria no caso de uma batida policial. Segundo ele, há uma corrente de juízes que leva em consideração a quantidade apreendida para estipular a pena, que varia de 5 a 15 anos, segundo artigo 33 da Lei 11.343/06. Mas há outra que entende que isso não deve atenuar a pena, uma vez que o tráfico de drogas atenta contra a Saúde. 


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Maconha: a ciência da legalização

Os cientistas estão saindo de seus laboratórios para discutir se a droga deve ser legalizada. Do uso medicinal ao recreativo, saiba o que eles dizem.

Na véspera do jogo Brasil x Holanda na Copa do Mundo deste ano, o neurocientista carioca Stevens Rehen, um dos mais respeitados pesquisadores brasileiros de células-tronco, recebeu um telefonema do irmão. Do outro lado da linha estava o músico e antropólogo Lucas Kastrup Rehen, baterista da banda de reggae carioca Ponto de Equilíbrio. Contava que o guitarrista do grupo, Pedro Caetano, 29 anos, havia sido preso por cultivar dez pés de maconha em casa. Adepto da religião rastafári, seita de origem jamaicana que faz uso da droga em seus rituais, Pedro fora enquadrado como traficante por causa da ambiguidade da lei 11.343, de 2006, que não determina a quantidade exata de droga que separa usuários e fornecedores. E por isso ficou 14 dias na cadeia. A história teria sido mais uma nas páginas de jornal se não tivesse esquentado uma discussão que começava no meio científico, sobre a legalização da maconha no Brasil. O tema veio à baila diversas vezes desde que a Organização das Nações Unidas (ONU), em 1961, aconselhou todos os países signatários a proibi-la. A diferença é que, desta vez, os debatedores foram inédito.

PEDRO CAETANO > Saiu de casa numa quinta-feira de manhã e passou 14 dias na cadeia. Foi o estopim para o novo debate sobre a legalização da maconha. Dessa vez, entre cientistas

Em vez de políticos ou artistas com ideais liberais, quem levantou a bandeira da legalização foram quatro dos cientistas mais respeitados do Brasil: Stevens Rehen é diretor adjunto de pesquisa do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); João Menezes, neurocientista com Ph.D. no Massachusetts General Hospital e na Harvard Medical School, nos Estados Unidos, além de professor da UFRJ; Cecília Hedin, neurocientista e doutora em biofísica, divide com Menezes a direção do Laboratório de Neuroanatomia Celular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ; e Sidarta Ribeiro, Ph.D. em neurociências pela Universidade Duke, nos Estados Unidos, é chefe do laboratório do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

A questão levantada pelos cientistas se resume em três pontos. No primeiro, argumentam que o que é proibido não pode ser regulamentado. A maconha vendida no mercado ilegal é mais nociva para a saúde de quem consome, uma vez que a erva pode ser misturada com outras substâncias mais pesadas, como o crack. O segundo ponto é o de que a Cannabis sativa (nome científico da maconha) pode ser usada como remédio no tratamento de diversas doenças. O terceiro, e principal ponto da argumentação, diz que a droga faz mal ao corpo - mas não tanto quanto já se pensou - e que esse problema é bem menor quando comparado aos males que seu comércio ilegal causa à sociedade. "Precisamos discutir o que é 'menos prejudicial': os efeitos da maconha no indivíduo ou a violência associada ao tráfico", diz Rehen.