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sexta-feira, 18 de outubro de 2019

ABP e CFM divulgam Decálogo sobre a Maconha.




A vocês caros colegas e amigos médicos, congratulações pela aptidão de ter escolhido o compartilhar o sofrimento do outro e direcionar energia, devoção mesmo, para que o sofrimento termine.

Por ter fé na Humanidade e por respeitar de verdade daquele que te procura para ser cuidado!
Amém!!!!!

Ana Cecília

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Palestra sobre prevenção às drogas

24/06 – Sexta-feira 10h
Palestra sobre prevenção às drogas, na Câmera Municipal de Sertanópolis.
Ana Cecília




quarta-feira, 25 de junho de 2014

Maconha: legalizar jamais!



A polêmica sobre o uso da maconha tem sido alvo de muita atenção pela mídia, bem como na área científica em geral. Profissionais da saúde estão unidos contra a possível legalização, lutando em benefício da saúde.

Destaco a batalha da Dra. Ana Cecília Roselli Marques, psiquiatra da ABEAD (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas), em entrevista ao Jornal Folha de S. Paulo em 01/02/2014 a Dra. Ana Cecília explicou que:

“Estudos mostram que, além da dependência, o uso crônico produz bronquite crônica, insuficiência respiratória, aumento do risco de doenças cardiovasculares, câncer no sistema respiratório, diminuição da memória, ansiedade e depressão, episódios psicóticos e de pânico e, também, um comprometimento do rendimento acadêmico e/ou profissional. Por que optar por um caminho que oferece tantos riscos?”

A maioria dos usuários de maconha encontra-se no estágio da pré-contemplação, ou seja, o usuário não encara seu uso como problemático ou causador de problemas, tampouco considera algum tipo de mudança. Em geral, não busca tratamento voluntariamente, e sim por causa dos pais, família, escola, trabalho ou por encaminhamento judiciário

O indivíduo nesse estágio acredita estar imune ás consequências adversas, por exemplo, acha que não se tornará dependente ou que tem controle sobre o uso, sabemos que não existe esse controle no tocante ao uso de drogas.

Uma série de estudos indica que a potência desta droga vem aumentando e, com isso, causando maiores prejuízos à saúde mental daqueles que a consomem.

A maconha é a substância proibida por lei mais usada em nosso país. Cerca de 1,5 milhão de adolescentes e adultos usam maconha diariamente no Brasil. O dado faz parte do II Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD), primeira amostragem sobre o consumo da droga no Brasil.

Segundo o estudo, 3,4 milhões de pessoas entre 18 e 59 anos usaram a droga no último ano e 08 milhões já experimentaram maconha alguma vez na vida, o equivalente a 7% da população brasileira. Desses, 62% deles tiveram contato com a droga antes dos 18 anos e 01 em cada 10 adolescentes que usa maconha é dependente.



Estes dados parecem sugerir que a disponibilidade da maconha esteja crescendo, inclusive entre os jovens, que vem utilizando esta substância de forma compulsiva, apesar dos efeitos nocivos à saúde.

A adolescência é um período marcado por inúmeras transformações e conquistas importantes. No entanto, fatores como o uso de drogas podem transformar o adolescente em um adulto problemático com sequelas irreversíveis para o desenvolvimento de sua vida futura.

O consumo de drogas nesta fase pode trazer sérias consequências físicas e/ou psíquicas para o desenvolvimento, como déficits cognitivos, problemas físicos, psicológicos, envolvimento em acidentes e infrações.

O uso da substância psicoativa faz com que o indivíduo sinta uma diminuição do perigo relacionado ao problema a ser enfrentado.

O uso da maconha muitas vezes começa a ser associado a várias situações pelas quais o indivíduo passa, se ele está nervoso fuma; se está tenso fuma para relaxar, se sente depressivo fuma, se tem um problema fuma antes de pensar em tentar resolvê-lo e assim por diante, tornando assim cada vez mais dependente.

Os que são favoráveis à legalização, pensam apenas na figura do usuário, mas, devemos pensar nos motivos sociais que levam à essa proibição legal, como, por exemplo, impedir que os efeitos do uso nocivo à saúde que causam a dependência cheguem com mais facilidade aos nossos adolescentes.

No entanto, é importante considerar que além do risco da dependência, da síndrome amotivacional, dos efeitos agudos e crônicos causados pelo uso da maconha, com a sua legalização provavelmente teremos muitos problemas parecidos com os causados pelas drogas lícitas (aquelas permitidas pela Lei), o álcool e o tabaco, cito como exemplo, o aumento dos acidentes de trânsito causado por pessoas sob efeito da substância.

Vale destacar ainda que o uso de drogas não prejudica só o dependente, é um problema que atinge toda família, a dependência química tem um poder destruidor sobre a vida dos familiares.

Para finalizar, sabemos que a maconha é a porta de entrada para outras drogas, entre elas o crack. A maconha é uma erva, mas, uma erva perigosa, que deve continuar sendo proibida. Ao invés de criar uma possível solução, legalizar seria gerar um novo e gravíssimo problema, legalizar jamais!

Adriana Moraes – Psicóloga Especialista em Dependência Química - Colaboradora da UNIAD.
Referências:

[1] Integração de competências no desempenho da atividade judiciária com usuários e dependentes de drogas/ organização de Paulina do Carmo A. Vieira Duarte e Arthur Guerra de Andrade. Brasília: Ministério da Justiça, Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, 2011;

[2] Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e outras Drogas. IILENAD: Levantamento Nacional de Álcool e Drogas. São Paulo: UNIFESP, 2012;


sexta-feira, 16 de maio de 2014

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Maconha Legal



O Uruguai e os Estados americanos de Colorado e Washington liberaram o uso da maconha. Medidas reguladoras e uma abordagem mais realista sobre o consumo estão virando alternativas para o tratamento do problema da droga. O Brasil vai seguir esse  caminho?


Já se pode comprar maconha legalmente no Colorado, nos Estados Unidos, desde o início do ano. O Estado americano foi o primeiro lugar do mundo a colocar em ação a liberação do cultivo e do consumo da Cannabis sativa e será acompanhado, em junho, pelo Estado de Washington. Em agosto, a venda do produto em farmácias será iniciada no vizinho Uruguai, o primeiro país a tornar a maconha 100% legal. Toda essa movimentação está reacendendo a discussão sobre a descriminalização da maconha no Brasil. Mas quem deseja ver a erva encarada como um produto trivial, tipo uma lata de cerveja, ainda vai ter que esperar.

As experiências norte-americana e uruguaia consolidam uma tendência global nas políticas antidrogas. Com modelos diferentes, Portugal e Holanda conseguiram minimizar os danos relacionados ao uso de entorpecentes ao descriminalizar o consumo. O porte de drogas deixou de ser crime no Brasil desde 2006. Atualmente, o senador Cristóvão Buarque (PDT-DF) e o de- J putado federal Jean Wyllys (PSOLRJ)  lideram iniciativas de projetos de lei para legalizar e regulamentar o uso da erva. Mas aprová-los no Congresso será uma batalha. 

O que os Estados do Colorado e Washington e o Uruguai propõem vai além: aí foi liberado não só o consumo recreativo, mas a cadeia produtiva inteira será regulamentada. No primeiro caso, o processo fi cará nas mãos de empresas licenciadas. No outro, caberá ao Estado controlar a produção, distribuição e venda – a legalização da maconha implica a sua estatização.

Trata-se de modelos distintos, mas os objetivos são os mesmos: reduzir os impactos associados à guerra ao tráfico e abordar de maneira tolerante o consumo. Por trás da evolução há um consenso: a constatação de que a guerra ao tráfico não pode ser ganha provoca mudanças legislativas mundiais.

Embora seja proibida, a maconha é considerada uma das drogas menos perigosas do mundo, atrás do álcool e do tabaco, ambas lícitas. Entre as ilícitas, é de longe a mais popular. O Relatório Mundial sobre Drogas de 2013, divulgado pelo Escritório das Nações
Unidas sobre Drogas e Crimes, mostra que 180 milhões de pessoas entre 15 e 64 anos, quase 3,9% da população mundial, consomem cannabis. Estima-se que 10% dos usuários desenvolvam dependência, com incidência menor que a do álcool (por volta de 15%).

Os usos medicinais, religiosos e culturais da maconha remontam a pelo menos 2.000 anos. Os primeiros registros de proibição são do século 18, mas foi no século 20 que a restrição ganhou força e atingiu seu ponto crítico. “O alto custo de vidas do narcotráfico induz às políticas de prevenção”, explica à PLANETA Pablo Anzalone, coordenador do Conselho de Drogas de Montevidéu. “As limitações do paradigma proibicionista, suas derrotas, a violência decorrente, a estigmatização e a exclusão dos usuários estão na base das transformações. É necessário se atrever a mudar as estratégias predominantes”, diz Anzalone.

Além dos hippies
 
No fim da década de 1930, os EUA promulgaram a primeira lei que proibia a maconha. Hoje, além de Washington e Colorado, outros 19 Estados permitem o uso medicinal da droga. Ex-presidentes como Bill Clinton e Jimmy Carter passaram a defender o fim da estratégia rece estar disposto a bancar o projetopiloto, proibicionista e uma abordagem mais tolerante do tema quando deixaram os respectivos cargos. Barack Obama pamas com cautela. Apesar da leifederal que proíbe a maconha, o atual presidente americano decidiu não interferir nas decisões e garantiu autonomia às unidades federativas do país.

Em 2011, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso protagonizou o documentário Quebrando o Tabu, uma defesa da regulamentação da droga. Desde 2009, FHC tem se dedicado  ao assunto e participado de comissões e conferências no Brasil e no Exterior. “Os recursos estão todos concentrados em destruir a produção e combater  o tráfico. Mas nada é feito para lidar com os efeitos na sociedade e em quem usa”, declarou em entrevista à época do lançamento do filme. 

O discurso regulamentador não é exatamente uma novidade. Desde a década de 1960, diferentes setores da sociedade confrontam os argumentos que levaram à proibição da cannabis, intensificada por um acordo global proposto pela Organização das Nações Unidas, em 1961, fortalecido pelos governos de Richard Nixon (1969-1974) e Ronald Reagan (1981-1989).

Em 1967, quando fervilhava a contracultura nos EUA, o médico recém-formado Lester Grinspoon, hoje professor emérito da Faculdade de Medicina da Universidade Harvard (EUA), decidiu estudar os efeitos da maconha para provar os malefícios da droga aos amigos. Quatro anos depois, lançou o livro Marijuana Reconsidered (Maconha Reconsiderada, em tradução livre), com um resultado inverso.

“Depois de mergulhar na biblioteca e revisar toda a literatura médica a respeito da maconha, percebi que tínhamos sofrido uma grande lavagem cerebral”, disse Grinspoon para a PLANETA. “Tudo o que sabíamos sobre a cannabis era baseado em mitos. Havia uma verdadeira inquisição cultural movida pelo governo.” 

O endurecimento mundial da política contra as drogas, que teve os EUA como principal protagonista, gerou efeitos contrários: as pessoas não pararam de se drogar, os cartéis do narcotráfico enriqueceram e a violência e o número de prisões e de mortes aumentaram. Na Colômbia, o número de regiões que plantam coca saltou de oito para 24. “Desde 1971, 26 milhões de pessoas nos EUA foram presas. Dessas, 89% por posse de droga, a maioria jovens, que podem ter tido o futuro arruinado por portar maconha”, afirma Grinspoon.

Efeitos imprevistos
 
Experiências legalizadoras tiveram resultados diversos nos países onde foram implantadas. Desde 2001, a posse de qualquer entorpecente em Portugal não é considerada crime, sendo passível apenas de multa. Um estudo conduzido pelo Cato Institute, uma organização liberal norte-americana, revelou que depois da liberação portuguesa o consumo geral de drogas baixou, assim como o número de presidiários. Também os usuários passaram a recorrer mais aos tratamentos oferecidos pelo governo. 

Na Holanda, a situação é controversa. Nos anos 1970 o consumo de heroína aumentou preocupantemente. Na época, acreditava-se que o trafi cante empurrava a droga mais pesada ao jovem consumidor de maconha. Criaram- se, então, os Koff eshops, que proporcionavam a venda e o uso da cannabis. Mas fora desse ambiente a droga continua ilegal. O número de pessoas que já provaram a erva no país praticamente dobrou e a capital, Amsterdã, virou uma espécie de Disneylândia maconheira. Por outro lado, o uso de heroína, alvo principal da política, deixou de ser um problema e o consumo geral de drogas, comparado a outros países, não é alto. Ainda não se chegou a uma conclusão defi nitiva se a regulamentação vale a pena.

Erva estatal
 
Há muitos anos fumar maconha no Uruguai não é crime. Tolera-se o ato inclusive em lugares públicos. Mas a simples descriminalização não resolveu a questão das drogas no país. O poder do tráfi co aumentou, o consumo e a criminalidade também e jovens estão
entrando em contato com entorpecentes cada vez mais cedo. 

A decisão arrojada do governo de José Mujica, da Frente Ampla, pretende diminuir o poder do crime organizado, tirando de seu controle o mercado da maconha. “O que a nova lei faz é regular o mercado”, explica Pablo Anzalone, do Conselho de Drogas. “Em vez de ficar concentrado na mão do narcotráfi co, ele vai ser regulado pelo Estado. Haverá mais garantias e controle. Eu diria que o sistema anterior era muito mais liberal, já que o mercado estava nas mãos do capital privado, que lucra e promove o consumo da droga.”

A maconha uruguaia será vendida em farmácias só para cidadãos uruguaios maiores de 18 anos, que serão registrados em um banco de dados. A quantidade máxima é 40 gramas por mês. Também será permitido o plantio individual de até seis pés de cannabis e
a associação em clubes de fumo. Esses grupos devem ter entre 15 e 45 membros e poderão cultivar por ano até 99 plantas. 

O governo acredita que dessa forma terá um contato mais direto com o usuário, fundamental para traçar políticas de saúde mais efi cazes, e poderá oferecer uma droga de melhor qualidade do que a comercializada atualmente. Mais importante, pretende quebrar o vínculo entre o consumidor de maconha e o trafi cante, que costuma ser o elo entre drogas mais pesadas.

Diferentemente do que aconteceu nos EUA, onde 55% da população manifestou apoio à regulamentação em um plebiscito realizado em janeiro, no Uruguai 58% da sociedade não aprova a lei. Mas isso não abala a crença do atual presidente e seus aliados. Não há como prever se o projeto dará certo, mas para o governo uruguaio não faz mais sentido continuar trilhando o caminho da repressão. 

Nova economia 
 
O modelo de mercado livre adotado pelos Estados de Washington e do Colorado traz um desafio inédito. Lá, o processo de produção, distribuição e venda de maconha precisa ser licenciado pelo governo estadual, mas ficará na mão da iniciativa privada. Os empresários da cannabis terão de pagar impostos altos que serão revertidos para programas de prevenção e tratamento de drogas. 

Os críticos temem que, na prática, a livre concorrência possa estimular o consumo. “É melhor do que a proibição, mas haverá sofrimentos desnecessários”, alerta Mark Kleiman, professor de políticas públicas da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Kleiman coordenou uma consultoria para mapear o uso da droga no Estado, e não vê vantagem em substituir um mercado ilegal por um mercado privado. “Os interesses que você cria estabelecendo um modelo de comércio livre são contrários aos interesses do sistema de saúde. É melhor ter esse tipo de produção controlado pelo Estado, que pode estabelecer um preço alto o sufi ciente para afastar menores de idade e usuários crônicos. Também pode proibir a publicidade”, diz. 

A lei de Washington não permite a veiculação de anúncios voltados ao público menor de 21 anos, porém a garantia constitucional de liberdade de expressão comercial cria uma brecha para as lojas licenciadas fazerem propaganda.

Brian Smith, porta-voz do departamento de controle de bebidas do Estado de Washington, responsável pelo cumprimento da Lei I-502 que estabeleceu as regras da regulamentação, confia no bom funcionamento do modelo. “O sistema vai ser estritamente regulado e haverá controle em tudo, desde o plantio até a venda”, garante.

A proibição da cannabis em nível federal faz a possibilidade do surgimento de uma economia da maconha ser vista com descrença por muitos. Por enquanto, há certa insegurança entre os investidores. As empresas com negócios no setor têm contas bancárias frequentemente bloqueadas. Mas já é possível falar em uma indústria da cannabis. “Nos EUA, considerando o mercado ilegal, o medicinal e o emergente, a fatia da cannabis está crescendo. Já está a caminho de ser maior que a do milho”, diz Christian Groh, chefe de operações da Privateer, um guia de serviços e produtos da erva no país.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

No trânsito, drogas também podem matar


Efeitos de substâncias ilícitas e medicamentos alteram o comportamento do motorista

Desde a criação da Lei Seca, há cinco anos,   o número de mortes no trânsito vem diminuindo gradualmente. De janeiro a setembro de 2007, quando foi lançada,  301 pessoas foram vítimas de acidentes fatais no DF. No mesmo período de 2013, foram 271. Ainda pequena, sem chegar a 10%, a redução   mostra a necessidade de investimento em novas estratégias contra a impunidade. O problema é que muitos não dirigem apenas sob o efeito de álcool. Drogas ilícitas também   estão por trás dos volantes. Por isso, alertam especialistas: o desafio agora é outro.

 “O uso de entorpecentes ou até mesmo de medicamentos receitados, dependendo da química deles, afeta completamente a percepção do indivíduo. É claro que cada pessoa tem a sua reação, mas o normal é a redução da capacidade de avaliar vários fatores necessários para dirigir, como o reflexo. A maconha, por exemplo, inibe a agilidade da reação”, aponta a psiquiatra e presidente do Instituto Nacional de Política Sobre Drogas (Inpad), Ana Cecília Marques. 

 Por isso, sugere a especialista, “se existe uma lei para coibir a ingestão de álcool, deveria  ter uma para inibir o uso de drogas antes de dirigir”. Contudo, opina, a discussão esbarra em   aspectos sociais e políticos. “O consumo de drogas   aumenta  em todo o mundo. O Brasil é o segundo maior mercado consumidor de cocaína, por exemplo.  É muito claro para a gente que isso esbarra nos números de violência no trânsito. Quem cheira fica eufórico,  pode perder a noção de perigo”.

Medicamentos
Além das substâncias ilícitas, outro aspecto preocupa os especialistas: o uso de remédios   como antidepressivos e emagrecedores. 

“Vários medicamentos criam restrições à pessoa poder dirigir. Muitos   tiram a capacidade de moderação, o reflexo, causam sonolência. E, mesmo assim, elas dirigem. Esse fato é conhecido pelas autoridades”, diz o especialista em trânsito Carlos Penna. 

 Segundo o pesquisador, não existem pesquisas que digam o número de acidentes   fatais envolvendo o uso de drogas. Informação essa que considera “importante e relevante para dar rumo às novas campanhas e ações de trânsito”. Para Penna, o debate é complexo, levando-se em conta as limitações da atual legislação.  “A pessoa não é obrigada a produzir provas contra si, certo? Já temos o primeiro entrave. E existe ainda a coisa da privacidade do indivíduo. É complicado mesmo”, analisa. 

 Entre os moradores do DF que usam drogas e dirigem está Roberto (nome fictício),   37 anos. Promotor de festas, ele reconhece seu vício em maconha e afirma: “Fumo várias vezes por dia. Dirijo, trabalho, faço tudo normalmente”. Para ele, o entorpecente não tira sua percepção ao volante, por isso,  não representa perigo. “A única coisa  alterada é a minha percepção mental das coisas, mas fisicamente não muda nada”, diz. 
 Questionado sobre a possibilidade de ser flagrado em uma blitz, ele responde: “Não tenho medo. Não faço mal a ninguém”.

Campanhas para alertar a população 
Para o especialista em trânsito Paulo César Marques, o ideal para   diminuir o uso de drogas entre motoristas seria aumentar o número e a qualidade das campanhas de trânsito,  hoje  focadas apenas no perigo do álcool.
 “Quando o indivíduo cheira cocaína, por exemplo, pode ficar mais agressivo. A pessoa fica   mais excitada e pode querer dirigir com mais velocidade. O perigo existe e é legalmente condenável, mas acredito nas campanhas educativas”, ressalta. 

 Nos bares e boates, o tema provoca discussões e revela a insegurança de quem diz não usar nenhum tipo de droga. “Acho a ideia de um drogômetro super-válida. Porque eu posso ser vítima de alguém que dirige sob o efeito de drogas. É perigoso, é irresponsável”, diz a cantora Ana Carolina Nóbrega, 33. 
 Acostumado a ver a movimentação dos jovens à noite, o segurança Francisco (nome fictício), que trabalha em uma boate,  diz que o problema aumenta a cada dia. “Tem uns que não estão em condição alguma de dirigir. Eles chegam a se encostar na porta do veículo para descansar. Imagina como uma pessoa assim consegue se responsabilizar pela direção de um carro?!”.

Problema nas estradas
Nas rodovias do País, o problema chegou a tal ponto que o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) determinou, a partir de 2014, a obrigatoriedade do exame toxicológico para renovação da carteira entre motoristas profissionais das categorias C (carga superior a 3 mil quilos), D (mais de oito passageiros) e E. A medida tem o objetivo de reduzir o número de mortes nas estradas brasileiras, que chega a 43 mil pessoas por ano.  
De acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal, o uso de drogas estimulantes, como o crack e a cocaína, é comum entre caminhoneiros que dirigem mais de oito horas seguidas. 

 Os testes, que serão feitos no ato de tirar ou renovar a carteira, deverão identificar o uso de drogas nos últimos 90 dias. Se o resultado acusar o uso de algum tipo de entorpecentes, o motorista pode fazer uma contraprova até 90 dias depois do exame. Nas estradas, porém, a ideia é reprovada até por quem diz não fazer uso de tais substâncias. 

“Se a pessoa pode fazer uma contraprova, o que me parece? Que o governo quer arrecadar com a sobrecarga de trabalho dos caminhoneiros e com o problema do vício. Não é assim que se resolve a coisa”, diz Dejivan (nome fictício), condutor de um caminhão de cargas. 

 Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a quantidade de drogas apreendidas nas estradas aumentou até setembro de 2013 em comparação a todo o ano de 2012.  Até dezembro de 2012, haviam sido  recolhidos 248 quilos de maconha, e em 2013 o número passou para 632 quilos, um aumento de 154%. Já a apreensão de cocaína triplicou, passando de 60 quilos para 180. “Muita gente usa mesmo, mas tem condutor que carrega produto perecível e  não pode parar. Não é fácil julgar e querer condenar”, argumenta ainda Dejivan. 

 Já para Joel (nome fictício), também caminhoneiro, apesar de o problema ter como pano de fundo a exigência de entrega em determinado tempo, o drogômetro pode diminuir o número de acidentes. “Eu já vi gente usando cocaína na minha frente, uma cena horrorosa. E não é pouca gente que usa não. Por isso, o aparelho vem para ajudar. Mas, claro, tem que ter uma discussão maior. Não é só o caminhoneiro o responsável por isso”, aponta.

Disponível em: http://www.jornaldebrasilia.com.br/noticias/cidades/522903/no-transito-drogas-tambem-podem-matar/