Se a família percebe que o jovem mudou de atitude, está irritado, isolado, indo mal na escola, tem alguma coisa errada, que pode ser um comportamento de risco que está alterando sua qualidade de vida. Os pais têm que estar atualizados, de olho, trabalhando a proximidade com muito diálogo — aconselha a psiquiatra Ana Cecilia Marques, coordenadora da Comissão de Dependência Química da Associação Brasileira de Psiquiatria, acrescentando que faltam políticas de prevenção para pais e jovens.
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quarta-feira, 17 de maio de 2017
Como lidar com a busca constante por aceitação e aprovação na adolescência
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Dependente químico
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017
Beber para esquecer é mito. Álcool reforça memórias ruins, diz estudo
Quando os problemas apertam, há quem recorra a uma boa dose de bebida alcoólica para tentar esquecê-los. Mas, segundo um estudo feito por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, o efeito é um pouco diferente. O consumo de álcool, na verdade, reforçaria as memórias negativas.
No estudo, dividiram ratos de laboratório em dois grupos. Um bebeu água por duas horas e o outro, grande quantidade de álcool. Depois, todos foram submetidos a um som específico seguido de descarga elétrica. No dia seguinte, os animais ouviram o mesmo barulho, mas sem o choque. Os que tinham ingerido álcool demonstraram lembrar mais do choque do que os outros.
Para a coordenadora da Comissão de Dependência Química da Associação Brasileira de Psiquiatria, Ana Cecília Marques, o estudo deve ser feito em humanos para resultados mais precisos. Por enquanto, o que é certo, diz ela, é que, na primeira fase da bebedeira, o álcool pode resgatar memórias antigas, não necessariamente as vividas enquanto se bebe.
— Dependendo da dose, memórias mais intensas, boas ou ruins, podem ser desencadeadas por conta da liberação de dopamina, que estimula a acetilcolina (hormônio da memória) no sistema límbico (responsável pelas emoções) — explica.
Ela fala ainda como o álcool age naqueles que bebem para amenizar alguma dor:
— A dopamina traz a sensação de relaxamento e a pessoa não fica presa ao mal estar que vive. Mas com o fim do efeito do álcool, tem que enfrentar a realidade como ela é.
Afogar mágoas e não parar de falar sobre elas
Se quando se começa a beber a tendência é lembrar de coisas não tão boas, após algumas doses a mais, a sensação é de relaxamento mental.
— Após duas a três latas de cerveja, passa a se abolir a atenção, o reflexo, a capacidade de tomar decisões — conclui Ana Cecília.
O neurologista André Gustavo Lima afirma que o estudo da universidade americana pode trazer respostas químicas para um comportamento já conhecido: falar sem parar.
— Quem bebe fica desinibido, então, fala mais ainda do que o incomoda. O álcool ocupa receptores de glutamato do lobo frontal (responsável pelo planejamento de ações e movimento, bem como o pensamento abstrato) o que causa essa desinibição — diz o membro da Academia Brasileira de Neurologia.
Sinais de ressaca
Dor de cabeça
O álcool causa a dilatação dos vasos sanguíneos do cérebro, provocando o incômodo. Mas evite tomar medicação que tenha paracetamol. Elas sobrecarregam o fígado.
Sede e boca seca
São sinais de que o corpo está desidratado. Tome bastante líquido, como água, sucos, e isotônicos. Não entre na onda de tomar mais uma. Isso só intoxica mais o corpo.
Enjoos e náuseas
A bebida ataca o aparelho digestivo, aumenta a produção de suco gástrico e de secreções intestinais, podendo causar gastrite e vômito. Por isso, alimente-se de forma leve.
Sonolência
O álcool desregula a produção de glutamina, um estimulante natural do organismo. Isso agita o cérebro e dificulta o sono. Para se recuperar, descanse.
Não fume
Quanto mais nicotina, menos oxigênio no sangue, o que apressa e facilita a intoxicação pela bebida alcoólica.
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terça-feira, 22 de março de 2016
ÁLCOOL COM ENERGÉTICO: UMA BOMBA QUE MATA!
Não é de hoje a moda entre os adolescentes de misturar
energético com bebidas alcóolicas. Especialistas alertam para o
perigo para a saúde dessa combinação explosiva, assim como para a bebida tomada pura,
em excesso.
O
álcool pode causar diversos problemas ao sistema nervoso central e tem consequências piores para os
adolescents do que para os adultos. É o que afirma a psiquiatra e presidente da
Abead (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas), Ana Cecília
Marques. Ela explica que o álcool pode “provocar atrofia em áreas importantes
do cérebro”, responsáveis pelo seu
O álcool afeta, também, o sistema
cardiovascular, deixando as pessoas mais vulneráveis a um AVC
(acidente vascular cerebral), que é o rompimento de artérias no cérebro. Um AVC
pode deixar a pessoa com sequelas ou levá-la à morte.
Além
de interferir na saúde, o álcool em excesso está associado a casos de
violência, relação sexual desprotegida, entre outros.
Álcool e energético
A
médica cardiologista e presidente da Socerj (Sociedade de Cardiologia do Estado do
Rio de Janeiro), Olga Ferreira de Souza, alerta que a mistura de álcool
com energético pode
levar ao aumento da pressão arterial, palpitações, arritmias
cardíacas, AVC e morte súbita.
A
cardiologista explica que os energéticos camuflam os sintomas de embriaguez,
porque contêm estimulantes, como cafeína e taurina, que mascaram os efeitos do
álcool. Assim a pessoa bebe mais e por mais tempo.
O
álcool, depois de seu momento de euforia, causa um efeito depressor, levando a
uma queda de entusiasmo e à sonolência. A cafeína do energético acelera osbatimentos cardíacos e produz hormônios,
como a adrenalina, provocando
riscos como arritmia e aumento da pressão arterial. O problema do jovem é que,
geralmente, não faz check ups que revelam se ele pode
ter alguma propensão a uma cardiopatia ou à pressão alta. Por desconhecer seu
estado de saúde, o jovem corre muito risco ao consumir energético.
O
consumo diário de cafeína recomendado para uma pessoa é 150 mg em 24h. Uma lata
de energético tem, em média, 80 mg de cafeína. O jovem costuma consumir de duas
a três latinhas de energético numa balada.
A
cardiologista explica que não existe recomendação médica para o uso de
energéticos e, infelizmente, não há restrições para a venda de energéticos,
como ocorre com o álcool.
Uma pesquisa feita pela
Unifesp demonstrou que a cafeína dos energéticos potencializa os efeitos do
álcool no cérebro e pode causar envelhecimento precoce e a doenças degenerativas,
como Mal de Alzheimer e de Parkinson.
A
cardiologista alerta que “se for beber, que seja de forma moderada, pouca
quantidade, evitando bebidas destiladas que possuem maior teor alcoólico”. É
imprescindível beber água enquanto se consome bebidas alcóolicas para manter o
corpo hidratado, já que um dos efeitos do álcool é desidratar
as células. Também não se deve beber em jejum.
Um
outro problema é que os adolescentes têm começado a beber cada vez mais cedo.
Isso se deve, sobretudo, à falta de campanhas de conscientização voltadas para
essa faixa etária alertando sobre os perigos do consumo de álcool e as
consequências do seu uso.
Pais
e jovens devem estar em alerta quanto ao uso de energético. Por terem a venda
liberada, muitos adolescentes abusam do energético sem saberem das
consequências danosas para o seu organismo.
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Energético
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Cerveja na chupeta: contato precoce com a bebida pode favorecer o vício na fase adulta
Especialistas
alertam que brincadeiras com álcool indicam uma permissividade com a droga que
pode despertar, nas crianças, um interesse precoce pela bebida
Alguns
acham engraçado, outros o fazem por hábito cultural. Ainda há os que pensam
que, assim, vão desestimular os filhos a beber no futuro. O fato é que não é
raro os adultos oferecerem um pouco de álcool às crianças, seja molhando a
chupeta na cerveja, seja deixando que tomem um golinho. Embora não exista
consenso se a prática poderá, mais tarde, influenciar um comportamento de abuso
ou adição, especialistas alertam que, por trás da brincadeira, está a
permissividade familiar em relação à bebida alcoólica. E isso, sim, pode ter
consequências negativas.
Na
edição do próximo mês da revista Alcoholism: Clinical Experimental Research, será publicado um artigo de pesquisadores
americanos no qual se procurou investigar como crianças com menos de 12 anos
têm esse primeiro contato com a bebida. Os especialistas do Centro Médico da
Universidade de Pittsburgh e do Centro de Pesquisa em Adição da Universidade de
Michigan não estavam interessados em analisar o comportamento de adolescentes
que bebem regularmente ou consomem drinques eventuais. Na verdade, queriam
entender o que se passa antes disso, uma fase que chamam de iniciação na prova do
álcool.
Os
especialistas utilizaram dados de um estudo longitudinal sobre fatores de risco
para ingestão precoce de álcool, o Projeto Adolescente. No início da década de
2000, uma amostra de 452 crianças — 238 meninas e 214 meninos — de 8 a 10 anos
e suas famílias foi escolhida aleatoriamente e contatada pelos pesquisadores.
Os pequenos, então, passaram por uma entrevista com ajuda de computador, assim
como os pais deles. Os questionários foram refeitos três vezes ao longo de 18
meses. Sete anos e meio depois, os participantes voltaram a ser procurados
pelos investigadores.
A
abordagem com as crianças consistia em perguntar se elas sabiam que bebidas
como licor, cerveja e vinho continham álcool e questionar se já haviam provado
alguma delas. Aquelas que diziam “sim” deveriam clicar em todos os contextos
nos quais isso havia ocorrido: cerimônia religiosa, jantar com a família, festa
familiar, sozinhas ou com alguém fora do seio familiar. Então, perguntava-se se
já haviam tomado um drinque inteiro alguma vez. Os pesquisadores colocaram no
grupo de abstêmios as que só tinham provado álcool na prática religiosa. Quanto
às demais, 201 tinham tomado pelo menos um gole na infância.
União de fatores
Nas
entrevistas, também se procurou saber se as crianças achavam que os pais
aprovavam esse comportamento. Um teste semelhante foi aplicado com os adultos,
que deveriam responder se tinham alguma objeção em relação ao contato precoce
dos filhos com a bebida, além de dizer se consumiam álcool e em com qual
frequência. O fator que mais influenciou as crianças a provar o álcool foi a
percepção da aprovação dos pais. O fato de o pai e/ou da mãe beber socialmente
também teve influência. “Por sua vez, as respostas das famílias foram bem de
acordo com as das crianças, com os pais admitindo que aprovavam plenamente que
seus filhos tomassem alguns goles de álcool”, conta Zucker.
Na
amostra analisada, passados sete anos e meio, nenhuma dessas crianças haviam
desenvolvido problemas como abuso de álcool, consumo de maconha e outras
drogas, delinquência e comportamento sexual de risco. “Isso sugere que,
sozinho, o fato de provar álcool na infância não está relacionado ao
envolvimento com esses tipos de problema na adolescência”, diz o pesquisador.
O que
não significa, contudo, que está tudo bem oferecer golinhos de bebida para
crianças. “Essa pesquisa também sugere que, se as crianças não percebem seus
pais como desaprovadores, elas serão mais propensas a tomar o primeiro passo no
uso de álcool. Mais do que isso, ela mostra que, se os pais bebem na frente dos
filhos, estes também terão maior propensão a beber quando crianças. Espero que
isso faça os pais mais cautelosos a respeito de beber na frente dos filhos e
sobre as mensagens que estão enviando para elas quanto à bebida”, afirma o
coautor do estudo, John E. Donovan, psiquiatra do Centro Médico da Universidade
de Pittsburgh.
Além
disso, Donovan alerta que pesquisas anteriores — algumas conduzidas por ele —
indicam que provar o álcool na infância aumenta os riscos de se começar a beber
regularmente antes da idade adulta. De acordo com Ana Cecília Marques,
presidente da Associação Brasileira de Estudo do Álcool e Outras Drogas
(Abead), os que experimentam a bebida aos 12 anos têm 12% de risco de se
tornarem dependentes, percentual que vai para 2% quando esse contato é feito
aos 22. “O ideal é adiar ao máximo possível”, aconselha a psiquiatra.
Festeje, mas eduque
Para o
psiquiatra John E. Donovan, do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh, uma
das principais mensagens da pesquisa do Centro Médico da Universidade de
Pittsburgh e do Centro de Pesquisa em Adição da Universidade de Michigan é que
a permissividade dos pais em relação ao consumo do álcool — próprio ou por
parte das crianças — deve ser repensada.
Presidente
da Associação Brasileira de Estudo do Álcool e Outras Drogas (Abead), Ana
Cecília Marques concorda. “A história do álcool tem a ver com a história da
humanidade, está até na Bíblia. Por isso, não é tão fácil fazer a prevenção.
Mas o modelo parental é fundamental para a estruturação dos filhos, é preciso
explicar para a criança e para o adolescente que, quanto mais tarde
experimentar, melhor.”
A
psiquiatra afirma que os pais não precisam se tornar abstêmios. “Mas, se estão
em uma festa de adultos e os filhos também estiverem ou forem brindar em um
momento especial, têm de aproveitar para ensinar que aquele não é um produto
para crianças e adolescentes. Também têm de prestar atenção à quantidade e não
ficar enchendo a cara na frente dos filhos. Não vejo como erradicar a bebida
alcoólica do planeta, mas é preciso proteger os filhos sendo pais
equilibrados”, diz.
Aos 13
anos, França* ficou órfão de pai e, a contragosto, foi designado pela mãe como
o “homem da casa”. Até então, jamais havia chegado perto de álcool. O pai,
operário que ajudou a construir Brasília, não era “farrista”, embora a mãe
gostasse de beber escondida. Por volta dos 15, 16 anos, quando arrumou o
primeiro emprego, o rapaz começou a frequentar festas e, em uma delas, se
embriagou. Chegou em casa constrangido, mas se surpreendeu com a reação
materna. “Em vez de me repreender, ela disse que homem tinha de ter um vício”,
recorda.
Sem
responsabilizar a mãe pela dependência que desenvolveu, hoje, França, 56 anos,
está internado pela segunda vez em uma clínica de reabilitação. “Ela bebia
escondida desde moça. Morreu no fim do ano passado aos 86 anos e eu soube que
tinha bebido. Mas não a responsabilizo. Eu continuei a beber porque gostei,
porque aquilo me dava prazer”, ressalta.
Inclinação natural
Diretora
da Clínica Renascer, a psicanalista Janete Krissak Pinheiro observa que existe
uma inclinação natural na sociedade para encontrar a culpa no outro,
principalmente no que diz respeito aos comportamentos de dependência, como o
alcoolismo. “Mas, independentemente da família estimular a bebida, se acontece
um efeito de prazer, é isso que fica. Não é porque você vive em um meio em que
é muito mais fácil beber que vai se tornar alcoolista.”
Contudo,
a psicanalista reforça a importância de os pais darem o exemplo e colocarem
limites nos hábitos dos filhos. “A criança é o fruto da educação que recebe.
Embora não dê para classificar que beber é algo insano, você também não vai
começar a beber às 10h e parar às 16h. A criança vê isso. Obviamente, se a
família traz essa mensagem de permissividade com o álcool, a criança vai
entender e assimilar isso como algo natural. O desenvolvimento do alcoolismo se
dá porque algo na ordem do limite não foi associado pela criança”, reforça.
Entre
os pacientes da Clínica Renascer, está João*, 52 anos, há mais de 80 internado
para reabilitação. Diferentemente de França, ele começou a beber tarde, com 21
anos. Embora dependente, decidiu jamais deixar que os filhos, hoje dois homens
de 18 e 21 anos, chegassem perto de bebida no ambiente doméstico e nunca deu
uma provinha para eles. “Depois que eles nasceram, álcool dentro de casa só o
de limpeza”, conta. A falta de incentivo parece ter surtido efeito — nenhum dos
dois bebe.
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quinta-feira, 24 de julho de 2014
Congresso Nacional: Inclua qualquer bebida alcoólica dentro das restrições à propaganda de álcool
Eu acabei de assinar o abaixo-assinado
"Congresso Nacional: Inclua qualquer bebida alcoólica dentro das
restrições à propaganda de álcool" na Change.org.
É importante. Você também quer assinar?
Aqui está o link:
http://www.change.org/pt-BR/petições/congresso-nacional-inclua-qualquer-bebida-alcoólica-dentro-das-restrições-à-propaganda-de-álcool?recruiter=86519826&utm_campaign=signature_receipt&utm_medium=email&utm_source=share_petition
É importante. Você também quer assinar?
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segunda-feira, 7 de julho de 2014
Alcoolismo e prejuízo na vida profissional
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Bebida alcoólica deve ser liberada em estádios? Não
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Estádios de futebol
quarta-feira, 2 de julho de 2014
Veja como avaliar o limite de consumo de álcool
Matéria transmitida no programa Bem Estar
Rede Globo
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quarta-feira, 25 de junho de 2014
A mídia e a indústria do álcool na Copa do mundo no Brasil
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Copa do mundo 2014
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Estamos nas mãos da indústria do álcool
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quarta-feira, 21 de maio de 2014
Consumo de álcool no Brasil supera a média mundial, revela OMS
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sexta-feira, 16 de maio de 2014
A estratégia da indústria da cerveja em relação à Copa do Mundo de Futebol 2014 no Brasil
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Brasileiros bebem acima da média
Segundo a OMS, o consumo anual é de 8,7l de álcool puro por
habitante com mais de 15 anos, dois litros e meio a mais que o índice mundial.
Especialistas alertam para os efeitos sociais e fisiológicos do costume
Os números são de uma epidemia. Três
milhões e 300 mil mortes em 2012. O agente por trás de tantos óbitos — 5,9% dos
registrados no mundo naquele ano — não foi um vírus ou uma bactéria ou um tumor
maligno. Ele está dentro de copos e garrafas e é consumido por 47,7% da
população global acima de 15 anos. Trata-se do álcool, substância diretamente
relacionada com mais de 200 doenças, como cirrose hepática, alguns cânceres,
diabetes e distúrbios neuropsiquiátricos. O abuso da bebida, segundo um
relatório divulgado ontem pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mata mais
que HIV, atos violentos e tuberculose. O documento também mostra que, no
Brasil, o consumo de álcool está acima da média global.
Baseado em dados dos 194 países-membros das Nações Unidas, o documento alerta que a bebida não apenas provoca danos diretos à saúde, mas aumenta a suscetibilidade a males infecciosos e está por trás da ocorrência de crimes e acidentes. A OMS traçou o perfil de consumo das nações, relatou o impacto da bebida na saúde pública e avaliou as respostas das políticas governamentais. No total, o consumo anual foi de 6,2l de álcool puro por ano na população com mais de 15 anos. Contudo, como 38,3% do planeta é abstêmio, calcula-se que os que bebem ingerem 17l no período de 12 meses.
A região que mais consome álcool é a Europa, com 10,9l por ano — na Bielorrússia, a campeã mundial de ingestão, são 17,5l. Já o Mediterrâneo é onde menos se bebe: 0,7l anualmente. O relatório indicou que, entre 2008 e 2010, os brasileiros ingeriram 8,7l ao ano, mais que a média mundial. A quantidade caiu, comparado ao biênio 2003-2005, quando o consumo no Brasil era de 9,8l. Nas Américas, os campeões de bebida são Granada (12,5l), Santa Lúcia (10,4l), Canadá (10,2l), Chile (9,6l) Argentina (9,3l), Estados Unidos (9,2l) e Paraguai (8,8l). O país do continente americano que menos bebe é a Guatemala (3,8l).
“É preciso fazer mais para proteger as populações das consequências negativas do consumo de álcool”, disse, em nota, Oleg Chestnov, diretor-geral adjunto da OMS para doenças não transmissíveis e saúde mental. “O relatório mostra claramente que não há espaço para a complacência quando se trata de reduzir os perigos do uso do álcool”, afirmou.
Políticas falhas
O levantamento indica ainda que alguns países estão fortalecendo as medidas protetivas. Isso inclui criar impostos, limitar a venda ao aumentar o limite mínimo de idade e regular a propaganda de bebidas alcoólicas. Mas as políticas públicas são insuficientes em muitas nações. Na Bolívia, por exemplo, a única política é a taxação. O país sequer tem legislação sobre a condução de veículos sob o efeito de bebida. Lá, o consumo de álcool aumentou, passando de 5,1l por ano entre 2003-2005 para 5,9l no período de 2008-2010.
Embora o Brasil tenha aprovado, em 2007, a Política Nacional sobre o Álcool e Outras Drogas, a presidente da Associação Brasileira de Estudo do Álcool e Outras Drogas (Abead), Ana Cecilia Petta Roselli Marques, avalia que, na prática, o que se têm são medidas isoladas e de alcance reduzido. “No Brasil, quem dita a política do álcool é a indústria”, critica. Ela exemplifica a questão com a Copa do Mundo: cedendo à pressão da Fifa, o país liberou a venda de bebida alcoólica nos estádios.
Na avaliação da psiquiatra e pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), para ser bem-sucedida, uma política de combate ao álcool tem de incluir ações de prevenção, tratamento e controle da oferta. Ana Cecilia critica as propagandas de bebida que, diferentemente do que acontece com o tabaco, são liberadas, passando mensagens que associam o álcool à diversão, ao lazer e à sensualidade de maneira inofensiva. Além disso, o foco do marketing está cada vez mais nas mulheres, observa. “Infelizmente, a mulher está replicando o comportamento dos homens no cigarro, no álcool e em todas as drogas”, diz. O documento da OMS destaca essa tendência.
Baseado em dados dos 194 países-membros das Nações Unidas, o documento alerta que a bebida não apenas provoca danos diretos à saúde, mas aumenta a suscetibilidade a males infecciosos e está por trás da ocorrência de crimes e acidentes. A OMS traçou o perfil de consumo das nações, relatou o impacto da bebida na saúde pública e avaliou as respostas das políticas governamentais. No total, o consumo anual foi de 6,2l de álcool puro por ano na população com mais de 15 anos. Contudo, como 38,3% do planeta é abstêmio, calcula-se que os que bebem ingerem 17l no período de 12 meses.
A região que mais consome álcool é a Europa, com 10,9l por ano — na Bielorrússia, a campeã mundial de ingestão, são 17,5l. Já o Mediterrâneo é onde menos se bebe: 0,7l anualmente. O relatório indicou que, entre 2008 e 2010, os brasileiros ingeriram 8,7l ao ano, mais que a média mundial. A quantidade caiu, comparado ao biênio 2003-2005, quando o consumo no Brasil era de 9,8l. Nas Américas, os campeões de bebida são Granada (12,5l), Santa Lúcia (10,4l), Canadá (10,2l), Chile (9,6l) Argentina (9,3l), Estados Unidos (9,2l) e Paraguai (8,8l). O país do continente americano que menos bebe é a Guatemala (3,8l).
“É preciso fazer mais para proteger as populações das consequências negativas do consumo de álcool”, disse, em nota, Oleg Chestnov, diretor-geral adjunto da OMS para doenças não transmissíveis e saúde mental. “O relatório mostra claramente que não há espaço para a complacência quando se trata de reduzir os perigos do uso do álcool”, afirmou.
Políticas falhas
O levantamento indica ainda que alguns países estão fortalecendo as medidas protetivas. Isso inclui criar impostos, limitar a venda ao aumentar o limite mínimo de idade e regular a propaganda de bebidas alcoólicas. Mas as políticas públicas são insuficientes em muitas nações. Na Bolívia, por exemplo, a única política é a taxação. O país sequer tem legislação sobre a condução de veículos sob o efeito de bebida. Lá, o consumo de álcool aumentou, passando de 5,1l por ano entre 2003-2005 para 5,9l no período de 2008-2010.
Embora o Brasil tenha aprovado, em 2007, a Política Nacional sobre o Álcool e Outras Drogas, a presidente da Associação Brasileira de Estudo do Álcool e Outras Drogas (Abead), Ana Cecilia Petta Roselli Marques, avalia que, na prática, o que se têm são medidas isoladas e de alcance reduzido. “No Brasil, quem dita a política do álcool é a indústria”, critica. Ela exemplifica a questão com a Copa do Mundo: cedendo à pressão da Fifa, o país liberou a venda de bebida alcoólica nos estádios.
Na avaliação da psiquiatra e pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), para ser bem-sucedida, uma política de combate ao álcool tem de incluir ações de prevenção, tratamento e controle da oferta. Ana Cecilia critica as propagandas de bebida que, diferentemente do que acontece com o tabaco, são liberadas, passando mensagens que associam o álcool à diversão, ao lazer e à sensualidade de maneira inofensiva. Além disso, o foco do marketing está cada vez mais nas mulheres, observa. “Infelizmente, a mulher está replicando o comportamento dos homens no cigarro, no álcool e em todas as drogas”, diz. O documento da OMS destaca essa tendência.
No Brasil, as mulheres beberam 4,2l por ano em 2010, sendo que 11,1% consumiram
álcool de forma pesada em pelo menos uma ocasião. “Nós descobrimos que, no
mundo todo, cerca de 16% dos bebedores se envolveram em episódios de embriaguez
— geralmente referidos por ‘beber em binge’ —, que é muito prejudicial à
saúde”, explicou Shekhar Saxena, diretor de saúde mental e abuso de substâncias
da OMS. Esse padrão, caracterizado pelo consumo de cinco ou mais doses de uma
única vez (no caso de mulheres, quatro ou mais), está associado a disfunções no
cérebro, doenças cardiovasculares e diminuição da longevidade. Segundo a OMS, o
álcool encurta em cinco anos a vida dos brasileiros.
Em todo o mundo, é preciso estreitar as políticas voltadas às populações mais pobres, alertou o órgão das Nações Unidas. Embora o gênero seja o principal fator de risco — homens bebem mais —, a vulnerabilidade social também pesa no consumo. Não que a ingestão seja maior. Na realidade, enquanto 75,6% dos homens de renda alta bebem, o percentual é de 24,9% entre os mais pobres. O problema está nas consequências sofridas. “Grupos de baixa renda são mais afetados pelas consequências sociais e de saúde. Eles têm menos acesso a atendimento médico de qualidade e são menos protegidos por redes comunitárias e familiares”, ressaltou Shekhar Saxena. Ele afirmou que a OMS vai trabalhar arduamente com seus países-membros para reduzir em 10% a ingestão perigosa de álcool até 2050.
Em todo o mundo, é preciso estreitar as políticas voltadas às populações mais pobres, alertou o órgão das Nações Unidas. Embora o gênero seja o principal fator de risco — homens bebem mais —, a vulnerabilidade social também pesa no consumo. Não que a ingestão seja maior. Na realidade, enquanto 75,6% dos homens de renda alta bebem, o percentual é de 24,9% entre os mais pobres. O problema está nas consequências sofridas. “Grupos de baixa renda são mais afetados pelas consequências sociais e de saúde. Eles têm menos acesso a atendimento médico de qualidade e são menos protegidos por redes comunitárias e familiares”, ressaltou Shekhar Saxena. Ele afirmou que a OMS vai trabalhar arduamente com seus países-membros para reduzir em 10% a ingestão perigosa de álcool até 2050.
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
No INSS, pedidos de auxílio-doença para usuários de drogas triplicam em oito anos
Por anos, o eletricista Cléber Wilson do Prado Franchi, de 35 anos,
conciliou a rotina de trabalho com o vício do álcool e da cocaína. Em 2011, um
aumento no consumo das duas drogas levou o profissional a apresentar sintomas
como perda de raciocínio e coordenação, e fez com que ele fosse demitido da
multinacional onde trabalhava. Nessa época, ele ingeria três litros de álcool
por dia e chegou a ter duas overdoses.
Em busca de ajuda, internou-se em uma
clínica de reabilitação e, desde 2012, recebe um auxílio-doença mensal no valor
de R$ 1.500. Isso fez com que ele entrasse em uma estatística preocupante que
vêm crescendo nos últimos anos. O consumo de drogas no Brasil não só cresce,
como também afasta cada vez mais brasileiros do mercado de trabalho.
Nos últimos oito anos, o total de auxílios-doença relacionados à
dependência química simultânea de múltiplas drogas teve um aumento de 256%,
pulando de 7.296 para 26.040. No mesmo período, o benefício concedido a
viciados em cocaína e seus derivados, como crack e merla, também mais do que
triplicou. Passou de 2.434, em 2006, para 8.638, em 2013, num crescimento de
254%. O uso de maconha e haxixe resultou, por sua vez, em auxílio para 337
pessoas, em 2013, contra 275, há oito anos.
Os dados inéditos foram obtidos pelo GLOBO com o Instituto Nacional do
Seguro Social (INSS). Ao todo, nos últimos oito anos, a soma de auxílios-doença
concedidos a usuários de drogas em geral, como maconha, cocaína, crack, álcool,
fumo, alucinógenos e anfetaminas, passou de um milhão. Só em 2013, essa soma
alcançou 143.451 usuários.
Segundo o INSS, o total gasto em 2013 com auxílios-doença relacionados a cocaína, crack e merla foi de R$ 9,1 milhões. Os benefícios pagos a usuários de mais de uma droga somaram R$ 26,2 milhões. E a cifra total, relativa a todas as drogas (incluindo álcool e fumo), chegou a R$ 162,5 milhões.
O auxílio-doença varia de R$ 724 a R$ 4.390,24, de acordo com o salário de
contribuição do segurado. O valor mensal médio pago a um dependente químico de cocaína
e seus derivados é de R$ 1.058, e a duração média de recebimento é de 76 dias.
Para ter direito, o segurado precisa de autorização de uma perícia médica e de
atestados e exames que comprovem tanto a dependência química quanto a
incapacidade para o trabalho. O tempo de recebimento do benefício é determinado
pelo perito.
Uso de cocaína cresce no Brasil
A presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas
(Abead), a psiquiatra Ana Cecilia Petta Roselli Marques, observou que, por conta
do aumento do consumo de cocaína e crack, era esperado que houvesse um impacto
também no mercado de trabalho brasileiro. A última edição do Levantamento
Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), promovido pela Universidade Federal de São
Paulo (Unifesp), mostrou que, entre 2006 e 2012, duplicou o consumo de cocaína
e seus derivados no Brasil. A pesquisa mostrou ainda que um em cada cem adultos
consumiu crack em 2012, o que faz do país o maior mercado mundial do
entorpecente. Na avaliação da psiquiatra, o consumo da droga já se tornou
epidemia.
— Era esperado que tivesse um impacto no mercado de trabalho do país, com
repercussões, por exemplo, em auxílios-doença para cuidar da saúde. Por conta
do uso, o trabalhador adoece cada vez mais cedo, principalmente do sistema
cardiovascular. E há também a questão da mortalidade precoce. É uma epidemia, o
que é visto pelo número de casos novos na população ao longo dos anos —explicou
Ana Cecília.
No ano passado, apenas os estados de Alagoas, Roraima e Sergipe não tiveram
aumento do número de auxílios-doença relacionados ao uso de drogas em relação a
2012. Em São Paulo, estado que historicamente concentra o maior número de
beneficiados, o total de auxílios-doença passou de 41 mil para 42.649. Na
sequência, estão Minas Gerais (de 18.527 para 20.411), Rio Grande do Sul (de
16.395 para 16.632), Santa Catarina (de 13.561 para 14.176) e Paraná (de 9.407
para 10.369).
O diretor do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas
Públicas do Álcool e outras Drogas (Inpad), o psiquiatra Ronaldo Laranjeira,
observa que o Brasil é um dos poucos países em que o consumo de crack e cocaína
têm aumentado nos últimos anos.
— As pesquisas mostram que há, nos domicílios brasileiros, um milhão de
usuários de crack e 2,6 milhões de usuários de cocaína. E uma parcela dessas
pessoas trabalha. Então, não há dúvida de que tem um impacto no mercado de
trabalho.
Em virtude do aumento da dependência química, o Ministério da Saúde
informou que aumentará neste ano a capacidade de atendimento dos Centros de
Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD) 24 horas. Atualmente, o Brasil
tem 47 unidades em funcionamento, com capacidade para 1,6 milhão de
atendimentos por ano. O governo federal afirma que vai construir mais 132
unidades até o fim do ano, elevando a capacidade para 6,1 milhões de
atendimentos anuais.
No Rio, concessão de benefício cresce 25% em um ano
No Rio de Janeiro, que historicamente é o sexto estado que mais concede
auxílios-doença relativos a drogas, o pagamento do benefício cresceu 10% em
2013, passando de 6.577, em 2012, para 7.234. No mesmo período, a quantidade de
benefícios concedidos a dependentes químicos de cocaína e crack teve um aumento
de 25,2%, crescendo de 471 para 590.
No estado, sete de cada dez pacientes que procuram o Núcleo de Estudos e
Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas da Uerj — uma das principais referências
no assunto — são dependentes de crack. Em geral, eles têm a opção de aderir a
um tratamento em um dos 27 Centros de Atenção Psicossocial (Caps) existentes na
capital fluminense. Os Caps são unidades especializadas em saúde mental e
buscam a reinserção social dos indivíduos que padecem de transtornos mentais
graves e persistentes. Eles estão abertos ao usuário que quiser ajuda, mas
também recebe pessoas encaminhadas pela assistência social ou por ordem
judicial. Sua equipe é multidisciplinar e reúne médicos, assistentes sociais,
psicólogos e psiquiatras.
Mas os espaços para acolhida costumam ser pequenos para a demanda. Nesse
cenário, sofrem até os bebês que são abandonados por mães viciadas em crack e
superlotam os abrigos existentes.
Em 2013, em entrevista ao GLOBO, a juíza titular da 1ª Vara da Infância, da
Juventude e do Idoso da capital, Ivone Ferreira Caetano, alertou que os abrigos
oferecidos pela prefeitura tinham virado verdadeiros depósitos de crianças. Em
resposta, a Secretaria municipal de Desenvolvimento Social informou que a
“lotação da rede pública para crianças de zero a 4 anos estava diretamente
ligada à diminuição da capacidade de atendimento em clínicas e abrigos
particulares” e que o abrigo Ana Carolina, em Ramos, seria reaberto.
Para atuação policial nas cracolândias do Rio, o Ministério da Justiça
encaminhou ao estado, em novembro, armamento de baixa letalidade. A polícia
recebeu 250 kits com pistolas de eletrochoque e spray de pimenta.
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