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sexta-feira, 2 de junho de 2017

Como deve ser o tratamento de saúde para dependentes do crack?

"O ideal seria que o tratamento começasse no ambulatório. O paciente chega à atenção primária, na Unidade Básica de Saúde, e o médico generalista detecta que ele está tendo problemas com álcool, tabaco e outras drogas, e então encaminha para o ambulatório especializado; mas isso não acontece", afirma a psiquiatra Ana Cecília Petta Marques.

Confira a matéria completa:

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Estadão Notícias: Programa ouve especialistas sobre ações na Cracolândia

Edição desta segunda-feira, 29, se debruça sobre o grave problema da Cracolândia em SP. Os governos estadual e municipal promoveram ações policiais ostensivas para acabar com a feira de drogas na região central da cidade. A questão que se impõe a partir de agora é tão urgente quanto tentar prender os traficantes: o que fazer com os mais de mil usuários que vagam por ali? Nós conversamos com defensor público Rodrigo Lessa, a psiquiatra Ana Cecilia Marques e  autor da reportagem especial sobre o tema publicada ontem no Estado, Alexandre Hisayasu.

Ouça a entrevista completa

Justiça de São Paulo autoriza busca e apreensão de dependentes químicos.

 Internação compulsória terá que ser autorizada por um juiz caso a caso. Após ação da polícia na Cracolância, usuários foram para praça.
A Justiça autorizou a busca e apreensão de dependentes químicos na região da Cracolândia, em São Paulo, mas neste sábado (27) só foi atendido quem procurou ajuda por vontade própria.
Os técnicos passaram o dia refazendo a fiação elétrica e religando o sistema de telefones que não funcionavam na antiga Cracolândia. Já em torno do novo endereço do crack, a maioria das lojas não abriu.
Quem trabalha ou mora ao redor da Praça Princesa Isabel ficou com medo da situação. Em cinco dias de ocupação, os usuários montaram barracas de lona. E, no meio de muito lixo, eles passam o dia consumindo drogas.
A abordagem dos assistentes sociais e das equipes médicas aos dependentes químicos ainda não mudou. Durante o dia eles foram ao meio da praça e só voltavam com alguém quando a pessoa queria atendimento por vontade própria. 
Na quarta-feira (24), a prefeitura pediu a autorização para fazer internações compulsórias, ou seja, contra a vontade do dependente químico. 
Na quinta (25), a Justiça autorizou que equipes médicas, com a ajuda da Guarda Civil Metropolitana, façam a busca e apreensão de pessoas, maiores de 18 anos.
Depois de exames médicos e psiquiátricos, a internação compulsória ainda terá que ser autorizada por um juiz caso a caso. A medida vale a partir deste sábado (27) e tem duração de 30 dias.
“O paciente que estiver fora de si, ou com uma crise grave de agressividade contra ele próprio ou ao redor, esse vai ser motivo de uma abordagem”, explicou o secretário municipal de Saúde, Wilson Pollara.
O Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana teme que haja abusos.
“O que nós tememos é uma verdadeira caçada humana. Não há como se fazer buscas e apreensões por parte de agentes de saúde e sociais em conjunto com a polícia ou com a Guarda Civil Metropolitana”, disse o conselheiro Ariel de Castro Alves.
A psiquiatra Ana Cecília Marques da Universidade Federal de São Paulo defende a internação compulsória.
“Eu acho que ela serve para poucos indivíduos, mas ela pode ajudar esse indivíduo em particular, são indivíduos que têm muita vulnerabilidade, então, onde o estado perdeu a mão, o indivíduo não adere ao tratamento”, afirmou a psiquiatra Ana Cecília.
Sem o crack tão perto, a vida muda. Quem mora nas ruas onde funcionava a Cracolândia agora se senta na porta de casa.
“Mudou muita coisa, o dia a dia, as crianças agora podem brincar sossegadas e a gente fica mais tranquila”, diz Jaqueline Rodrigues, moradora da região.
Ver crianças brincando, voltando da escolinha pela calçada eram coisas simples que por anos não se via por aqui.

domingo, 28 de maio de 2017

Participação no Bom Dia Brasil - 26/05 - Cracolândia

Ação na Cracolândia foi ‘desastrosa’, avaliam especialistas

O professor de antropologia da Fespsp Paulo Niccoli Ramirez e a psiquiatra Ana Cecília Marques analisam a operação feita na Cracolândia, em São Paulo, no começo desta semana, pelo governador Geraldo Alckmin e o prefeito João Doria.

Megaoperação Policial na região da Cracolândia prende traficantes

Confira minha participação na TV Brasil

Prefeitura confirmou apreensão de mais de 12 quilos de crack

http://tvbrasil.ebc.com.br/reporter-sao-paulo/2017/05/megaoperacao-policial-na-regiao-da-cracolandia-prende-traficantes

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Heroína chega à Cracolândia a R$ 50; droga é trazida de países africanos

Um dos fatores de risco para o consumo de drogas é o ambiente. Essa população da Cracolândia está exposta à heroína. Não estão consumindo, mas podem consumir. Não é nem pelo prazer, mas pelo comportamento de experimentação, pela curiosidade”, diz a pesquisadora do Instituto de Políticas sobre Drogas (Inpad) e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ana Cecília Marques.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Candidatos criticam programa de Haddad para a cracolândia

A psiquiatra Ana Cecília Marques, afirma que a eventual interrupção repentina poderia prejudicar aos usuários. “Eu consideraria uma transição para avaliação independente do programa. O que fosse bom permaneceria”. 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Cracolândia, o retorno

Apesar de, infelizmente, ainda não ser possível avaliar no momento, com critérios rigorosos e científicos se o programa de reinserção social De Braços Abertos --oferecido pela Prefeitura de São Paulo aos usuários de drogas que estão em situação de rua na cracolândia-- vem produzindo resultados positivos ou negativos, a grosso modo parece que nada adiantou.

Ao contrário, as evidências jornalísticas mostram que o número de usuários aumentou na região da cracolândia --localizada na Luz, próxima à Sala São Paulo, no coração do centro da cidade. Além disso, os usuários de drogas se espalharam para outras áreas, como a avenida Paulista, o que já era de se esperar com a aplicação de qualquer medida isolada.

Isso significa que a dependência de drogas é uma doença que se desenvolve no cérebro, muito complexa, e que precisa de várias etapas de intervenção.

São elas: desintoxicação, diagnóstico aprofundado da gravidade e de suas consequências, estabilização, prevenção de recaída, manutenção e seguimento. Ao longo do processo, cada caso recebe também a reinserção social.

Vale a pena ressaltar que desde o início das ações na cracolândia há pelo menos cinco anos, as expectativas sempre foram as melhores, mas sempre muito ingênuas.

Hoje, com o conhecimento disponível sobre o tema, como é possível imaginar que os indivíduos que lá estão, comprometidos física, mental e socialmente, podem ser reabilitados da dependência de drogas?

Como é possível imaginar que recuperar aqueles indivíduos que enfrentam a dependência do crack, uma doença que se desenvolve no cérebro, com repercussões profundamente deteriorantes e com diferentes consequências, sem tratamento, apenas por meio de trabalho e de uma moradia? Ou apenas com visitas aos centros de apoio?

A questão vai muito além. Para intervir em uma questão tão complexa, que coloca o usuário entre a vida e a morte a todo momento, pelos mais diversos motivos, que atinge a família e a toda a sociedade, é preciso adotar uma política de drogas humana, ecológica e ajustada a cada realidade.

É verdade que esse fenômeno ainda carece de estudos, ele não é de todo conhecido, mas os princípios para a elaboração de uma política baseada em boas práticas vem sendo discutidos no mundo.

A discussão mais importante hoje em dia é como entender de uma vez por todas qual o impacto das drogas e que esse impacto não será controlado por medidas simples e desconectadas.

É preciso uma política robusta, específica para cada droga e para cada contexto, e para o crack um capítulo especial àqueles que estão em situação de rua.

Política essa que significa um conjunto de medidas aplicadas ao mesmo tempo e na mesma direção.

A reinserção social é preciso, mas o tratamento e o controle da oferta de drogas são imprescindíveis.

Quando será que o governo irá assumir o seu papel de gestor e promover a coalizão das ações, implementando um método mais efetivo para o problema?

E quando será também que a sociedade brasileira vai entender que tem direito --humano-- às melhores práticas disponíveis e que deve lutar junto com o governo por um desfecho positivo para o problema das drogas?


Ou será que, contemplativa e depressivamente, assistiremos mais uma vez ao "retorno da cracolância"? Não. Existe esperança, existe ciência, e agora é a vez da política.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Prefeitura de SP vai 'demitir' usuário de crack que não trabalhar


A Prefeitura de São Paulo vai excluir de seu programa para a região da cracolândia os usuários de droga que não estão trabalhando. A Folha apurou que mais da metade dos beneficiários não cumpre a jornada diária de tarefas como varrição e jardinagem. 

Lançado em janeiro deste ano pelo prefeito Fernando Haddad (PT), o programa, chamado Braços Abertos, dá R$ 15 por dia de trabalho a 429 usuários da região. 

Eles também recebem hospedagem em quartos de hotel, alimentação e tratamento médico e psicológico.
Na semana passada, a gestão municipal instalou na região um "cercadinho" de barras de ferro. De acordo com Haddad, a medida era um pedido dos próprios usuários. Eles negaram e retiraram o aparato do local. 

O desligamento de usuários está previsto para começar nas próximas semanas e abrirá vagas para a inclusão de novos beneficiários. Na primeira leva, segundo a reportagem apurou, deverá ir embora um grupo de 30.
Os casos dos demais que não estão trabalhando serão analisados. Eles devem integrar as próximas levas de descredenciamento. 

Não serão afetadas pessoas com baixa frequência no trabalho, mas em tratamento médico ou acompanhadas por assistente social. Quem for desligado terá que deixar o quarto onde se hospeda.
O usuário será informado com antecedência e, se quiser, será encaminhado para outro projeto assistencial. Quem não tiver para onde ir poderá ficar em albergues. 

O beneficiário que receber o alerta da exclusão poderá ter uma segunda chance, desde que se comprometa a voltar ao trabalho. 

O dado da prefeitura é que 111 pessoas das 429 cadastradas não têm trabalhado. No entanto, a reportagem apurou com colaboradores do programa e dependentes que o problema atinge mais da metade dos beneficiários.

Para a psiquiatra Ana Cecília Marques, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas, é um erro esperar que todos os usuários trabalhem. "Alguns não dão conta, porque vão ter recaídas, vão passar mal e não conseguem." 

Para ela, os dependentes em estágio mais grave deveriam passar por tratamento de saúde antes de trabalhar.
O Braços Abertos substituiu parceria entre o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) na cracolândia. 

Em 2012, operação policial de combate ao tráfico impediu usuários de se concentrar na região. Eles acabaram voltando à área posteriormente.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

"Modelos repressivos fracassaram", diz psiquiatra sobre ação na Cracolândia

Como era esperado, os dependentes de crack inscritos na Operação Braços Abertos, iniciada nesta quinta-feira (16) na Cracolândia, em São Paulo, não deixaram de consumir a droga, como mostrou reportagem do Estado de S.Paulo. O programa, segundo a prefeitura, tem como objetivo devolver a dignidade dos usuários. Nenhum dos participantes é obrigado a se tratar para ganhar  R$ 15 por dia, hospedagem, refeições e assistência médica em troca das quatro horas de varreção diárias.

"É uma proposta de reinserção social, não de tratamento", enfatiza o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, coordenador do Programa de Orientação, Atendimento a Dependentes (Proad) da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e consultor técnico da área de saúde mental, álcool e drogas da Secretaria da Saúde de São Paulo. "É uma construção", mencionou a secretária municipal de Assistência Social, Luciana Temer, na reportagem

Redução de danos
Para o especialista da Unifesp, referência em redução de danos no país, a medida é reflexo da conclusão de que "os modelos mais repressivos e coercitivos fracassaram no mundo inteiro" no que se refere às drogas. Na opinião do médico, tirar o usuário de seu ambiente para tratá-lo não funciona a longo prazo, mesmo quando há recursos financeiros, porque a droga "não é causa, é consequência". Para ele, ficar 'limpo' quando se está em uma clínica é uma situação fácil. "Mas quando a pessoa volta para a sua vida e seus problemas, ela recai", diz.

Silveira acredita no tratamento ambulatorial, como o oferecido nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) Álcool e Drogas hoje no país. "Mas para o crack faltava outras coisas. Não dá para tratar uma pessoa que está há três dias sem comer", explica.
Ele lembra que a taxa de sucesso para quem inicia tratamento contra drogas é de apenas 35% em qualquer parte do mundo. "Essa pessoa tem que ser isolada da sociedade?", pergunta, referindo-se aos 65% restantes. "É aí que entra a redução de danos: ela pode adquirir formas de consumo que sejam o mais compatível possível com uma vida normal", considera o psiquiatra, que cita a enorme quantidade de pessoas que trabalham o dia todo e se drogam quando chegam em casa, sem causar comoção à sociedade. 

Tentação do dinheiro

Fabian Nacer, que já foi dependente de heroína, de crack, e chegou a morar na Cracolândia por seis anos, acha que a ação da prefeitura "é uma grande furada" e não vai dar em nada. Na contramão do que defende o psiquiatra da Unifesp, ele é enfático sobre a primeira providência que deveria ser tomada em relação à região: afastar os usuários daquele ambiente. 

Nacer está há anos sem consumir droga. Fez faculdade, especializou-se em dependência química e hoje faz palestras sobre o tema em escolas e outras instituições. "Até hoje sou chamado para fazer trabalhos na Cracolândia e eu não vou", enfatiza. Ele também levanta outra questão: "Uma nota de dez reais parece um demônio [para quem está em tratamento]. O cara precisa ficar longe de dinheiro, às vezes até por dois anos", recomenda o ex-usuário.

A observação de Nacer faz mais sentido depois que se ouve como é a rotina dos habitantes da Cracolândia: "Eu dormia na rua e, ao acordar, ia direto para o farol. Eu tinha no máximo 40 minutos para conseguir dez reais, senão começava a passar mal, a perna tremia, me dava vontade de vomitar e eu chegava até a ficar agressivo". Vencida a primeira fissura, todo o resto do dia se resumia a conseguir mais dinheiro para consumir mais pedras.

 "Estão querendo dizer que, se a pessoa tiver dignidade, ela vai ter gosto pela vida e vai querer se tratar - eu não sei de onde eles tiraram isso". Na opinião dele, todos esses conceitos estão muito distantes quando se tem uma necessidade física para suprir, ainda que para os assistentes sociais o usuário chore e jure que quer largar aquela vida

Nacer sugere que a operação nada mais é do que um acordo com os usuários para "deixar a rua limpa", mencionando a minifavela que foi desmontada no local. "Você sai de lá, varre um pouco e eu te dou dinheiro", ironiza. Ele acredita que no início alguns usuários até vão cumprir a jornada para receber o salário e comprar mais droga, mas acha que, aos poucos, eles devem deixar de aderir.

Doença do cérebro
A psiquiatra Ana Cecília Marques, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), também acredita que a operação "é dinheiro público mal aplicado", e que não adianta reinserir o usuário socialmente se não houver tratamento primeiro.
Ela acha que até pode haver boa intenção na iniciativa, apesar de mencionar a proximidade com a Copa do Mundo, mas pensa que há um profundo desconhecimento sobre o crack por trás da ação. 

"A dependência é uma doença do cérebro, que abole a capacidade da pessoa de resolver os problemas do dia a dia", diz. "Em casos leves, até é possível conciliar reinserção social com tratamento, mas em casos graves é preciso tirar a pessoa daquele ambiente", declara.

Para concluir o assunto, a médica faz uma observação: "Quando um paciente está muito doente, a gente dá uma licença-saúde para ele se tratar. Eles estão fazendo o contrário: estão mandando pessoas doentes trabalhar".

Prefeitura de SP começa a remover barracos erguidos na Cracolândia

Poder público tenta, novamente, retirar os moradores da região.  Trezentas pessoas serão encaminhadas para hotéis.


A Prefeitura de São Paulo está retirando os moradores que ocuparam a região conhecida como Cracolândia. Trezentas pessoas serão encaminhadas para pequenos hotéis e vão ter alimentação, trabalho e estudo, para, aos poucos, saírem das drogas.

Para a retirada, há pessoas para limpar o local, para vigiar, para orientar e para cuidar. Com todo esse pessoal, o poder público tenta, de novo, agir na região e retirar as pessoas de barracas montadas nas ruas. 

O crack fez essas pessoas se submeterem a condições absolutamente desumanas de vida em barracas, onde colchão, roupas, lixo, restos de comida e objetos catados na rua se misturam. Há também muita mosca e coisas molhadas por causa da chuva. 

“Das outras vezes, nós éramos tratados todos como marginais, criminosos. Hoje, somos doentes precisando de uma oportunidade”, diz uma das moradoras do local.
Os funcionários da Prefeitura vão desmontando os barracos e acumulando pedaços de madeira, papelão, telha, toda a estrutura que formava esses barracos. Os moradores só puderam retirar os objetos pessoais, como roupas. 

Os moradores estão indo para hotéis pagos pela Prefeitura, onde vão ter alimentação, cursos de qualificação e um pequeno salário para trabalhar em varrição de praças. “Nós temos que ter o tempo dessas pessoas. Se ela quiser se libertar, liberar ou deixar de consumir a droga, acho isso muito louvável, e esse é o caminho que indicamos. Agora, se ela tiver uma condição que ela pode continuar trabalhando e ir se desligando aos poucos da droga, também é um caminho que aceitamos”, explica o secretário de Saúde de São Paulo, José de Filippi Júnior. 

“Eu acho que é uma medida ingênua, bem intencionada, mas infelizmente, boas intenções não funcionam em uma situação tão grave como essa. Então, eu não vejo muita coerência de você promover a reinserção antes de fazer o tratamento”, opina a psiquiatra Ana Cecília Marques, professora da Unifesp. 

Uma das mulheres que estava morando nas ruas e agora está no hotel fala, sem se identificar, sobre o que quer para o futuro: “Primeiramente, eu preciso muito de um lar e recuperar meu filho. Eu preciso sair para ter ele de volta. É a coisa mais importante do mundo”. 



São Paulo irá oferecer 400 vagas de trabalho para usuários de drogas

Voluntário terá 3 refeições e R$ 15 por dia, além de hospedagem em hotel. Tratamento médico será obrigatório para os interessados.

A Prefeitura de São Paulo anunciou que vai oferecer trabalho e moradia para o usuário de droga da Cracolândia que passar por tratamento médico. As vagas que a Prefeitura vai oferecer aos dependentes químicos são em serviços de zeladoria, como limpeza da cidade e recolhimento de materiais recicláveis.

Quem entrar no programa vai ter que trabalhar quatro horas por dia e passar duas horas em programas de requalificação profissional. Serão oferecidas 400 vagas. Em troca, a Prefeitura oferece três refeições diárias, hospedagem em hotéis da região, R$ 15 por dia, com pagamento semanal, tudo acompanhado de tratamento médico obrigatório.

O secretário municipal de Segurança Urbana Roberto Porto acredita que o programa vai dar certo porque partiu de sugestões dos próprios usuários. “Eles propuseram em reuniões com o prefeito, que foram mantidas por diversas semanas, eles é que apontaram as necessidades para se poder fazer um tratamento maior, algo que partiu de uma necessidade deles mesmos”, declarou o secretário.

Segundo a Prefeitura, a ideia é mudar um pouco a lógica normalmente aplicada nesse tipo de programa, que é de primeiro tratar o doente do ponto de vista médico e só depois promover a reintegração na sociedade, oferecendo emprego e moradia.

Ana Cecília Marques, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), disse que desconhece uma experiência semelhante citada pela Prefeitura que teria tido êxito na Holanda e duvida dos resultados em São Paulo. "A reinserção sem cumprir as etapas recomendadas do tratamento é como se eu começasse ao contrário. Eu aplicaria os recursos público seguindo os princípios recomendados do melhor tratamento para os pacientes", disse.


O secretário de Segurança Urbana disse ainda que os barracos que estão na Cracolândia vão ser desmontados pelos próprios usuários de droga depois de receber a ajuda da Prefeitura.

Disponível em: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/01/sao-paulo-ira-oferecer-400-vagas-de-trabalho-para-usuarios-de-drogas.html