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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Como lidar com a busca constante por aceitação e aprovação na adolescência

Se a família percebe que o jovem mudou de atitude, está irritado, isolado, indo mal na escola, tem alguma coisa errada, que pode ser um comportamento de risco que está alterando sua qualidade de vida. Os pais têm que estar atualizados, de olho, trabalhando a proximidade com muito diálogo — aconselha a psiquiatra Ana Cecilia Marques, coordenadora da Comissão de Dependência Química da Associação Brasileira de Psiquiatria, acrescentando que faltam políticas de prevenção para pais e jovens.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Beber para esquecer é mito. Álcool reforça memórias ruins, diz estudo

Quando os problemas apertam, há quem recorra a uma boa dose de bebida alcoólica para tentar esquecê-los. Mas, segundo um estudo feito por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, o efeito é um pouco diferente. O consumo de álcool, na verdade, reforçaria as memórias negativas.
No estudo, dividiram ratos de laboratório em dois grupos. Um bebeu água por duas horas e o outro, grande quantidade de álcool. Depois, todos foram submetidos a um som específico seguido de descarga elétrica. No dia seguinte, os animais ouviram o mesmo barulho, mas sem o choque. Os que tinham ingerido álcool demonstraram lembrar mais do choque do que os outros.
Para a coordenadora da Comissão de Dependência Química da Associação Brasileira de Psiquiatria, Ana Cecília Marques, o estudo deve ser feito em humanos para resultados mais precisos. Por enquanto, o que é certo, diz ela, é que, na primeira fase da bebedeira, o álcool pode resgatar memórias antigas, não necessariamente as vividas enquanto se bebe.
— Dependendo da dose, memórias mais intensas, boas ou ruins, podem ser desencadeadas por conta da liberação de dopamina, que estimula a acetilcolina (hormônio da memória) no sistema límbico (responsável pelas emoções) — explica.
Ela fala ainda como o álcool age naqueles que bebem para amenizar alguma dor:
— A dopamina traz a sensação de relaxamento e a pessoa não fica presa ao mal estar que vive. Mas com o fim do efeito do álcool, tem que enfrentar a realidade como ela é.
Afogar mágoas e não parar de falar sobre elas
Se quando se começa a beber a tendência é lembrar de coisas não tão boas, após algumas doses a mais, a sensação é de relaxamento mental.
— Após duas a três latas de cerveja, passa a se abolir a atenção, o reflexo, a capacidade de tomar decisões — conclui Ana Cecília.
O neurologista André Gustavo Lima afirma que o estudo da universidade americana pode trazer respostas químicas para um comportamento já conhecido: falar sem parar.
— Quem bebe fica desinibido, então, fala mais ainda do que o incomoda. O álcool ocupa receptores de glutamato do lobo frontal (responsável pelo planejamento de ações e movimento, bem como o pensamento abstrato) o que causa essa desinibição — diz o membro da Academia Brasileira de Neurologia.
Sinais de ressaca
Dor de cabeça
O álcool causa a dilatação dos vasos sanguíneos do cérebro, provocando o incômodo. Mas evite tomar medicação que tenha paracetamol. Elas sobrecarregam o fígado.
Sede e boca seca
São sinais de que o corpo está desidratado. Tome bastante líquido, como água, sucos, e isotônicos. Não entre na onda de tomar mais uma. Isso só intoxica mais o corpo.
Enjoos e náuseas
A bebida ataca o aparelho digestivo, aumenta a produção de suco gástrico e de secreções intestinais, podendo causar gastrite e vômito. Por isso, alimente-se de forma leve.
Sonolência
O álcool desregula a produção de glutamina, um estimulante natural do organismo. Isso agita o cérebro e dificulta o sono. Para se recuperar, descanse.
Não fume
Quanto mais nicotina, menos oxigênio no sangue, o que apressa e facilita a intoxicação pela bebida alcoólica.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

VIII Simpósio Internacional sobre Tabaco, Álcool e outras Drogas

VIII Simpósio Internacional sobre Tabaco, Álcool e outras Drogas
O que há de Novo na Prevenção e no Cuidado das Adicções
27 a 29 de outubro de 2016 - Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro/RJ

O que há de novo na Prevenção e no Cuidado das Adições.
Caros colegas,
Este ano levaremos o XVIII Simpósio de Tabagismo, Álcool e outras Drogas para dentro da Santa Casa de Misericórdia do Rio Janeiro. Cientes da crise que atravessamos no momento, decidimos por baixar todos os custos possíveis para oferecermos valores de inscrição acessíveis a todos e com isto garantir que possam continuar a participar do Simpósio. Não deixaremos, contudo, de manter a excelente qualidade da programação científica e de todos os palestrantes.
Informando sempre. Inovando cada vez mais.

Venha se atualizar no que há de novo na Prevenção e no Cuidado das Adições!

terça-feira, 22 de março de 2016

ÁLCOOL COM ENERGÉTICO: UMA BOMBA QUE MATA!

Não é de hoje a moda entre os adolescentes de misturar energético com bebidas alcóolicas. Especialistas alertam para o perigo para a saúde dessa combinação explosiva, assim como para a bebida tomada pura, em excesso.
O álcool pode causar diversos problemas ao sistema nervoso central e tem consequências piores para os adolescents do que para os adultos. É o que afirma a psiquiatra e presidente da Abead (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas), Ana Cecília Marques. Ela explica que o álcool pode “provocar atrofia em áreas importantes do cérebro”, responsáveis pelo seu
O álcool afeta, também, o sistema cardiovascular, deixando as pessoas mais vulneráveis a um AVC (acidente vascular cerebral), que é o rompimento de artérias no cérebro. Um AVC pode deixar a pessoa com sequelas ou levá-la à morte.
Além de interferir na saúde, o álcool em excesso está associado a casos de violência, relação sexual desprotegida, entre outros.
Álcool e energético
A médica cardiologista e presidente da Socerj (Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro), Olga Ferreira de Souza, alerta que a mistura de álcool com energético pode levar ao aumento da pressão arterial, palpitações, arritmias cardíacas, AVC e morte súbita.
A cardiologista explica que os energéticos camuflam os sintomas de embriaguez, porque contêm estimulantes, como cafeína e taurina, que mascaram os efeitos do álcool. Assim a pessoa bebe mais e por mais tempo.
O álcool, depois de seu momento de euforia, causa um efeito depressor, levando a uma queda de entusiasmo e à sonolência. A cafeína do energético acelera osbatimentos cardíacos e produz hormônios, como a adrenalina, provocando riscos como arritmia e aumento da pressão arterial. O problema do jovem é que, geralmente, não faz check ups que revelam se ele pode ter alguma propensão a uma cardiopatia ou à pressão alta. Por desconhecer seu estado de saúde, o jovem corre muito risco ao consumir energético.
O consumo diário de cafeína recomendado para uma pessoa é 150 mg em 24h. Uma lata de energético tem, em média, 80 mg de cafeína. O jovem costuma consumir de duas a três latinhas de energético numa balada.
A cardiologista explica que não existe recomendação médica para o uso de energéticos e, infelizmente, não há restrições para a venda de energéticos, como ocorre com o álcool.
Uma pesquisa feita pela Unifesp demonstrou que a cafeína dos energéticos potencializa os efeitos do álcool no cérebro e pode causar envelhecimento precoce e a doenças degenerativas, como Mal de Alzheimer e de Parkinson.
A cardiologista alerta que “se for beber, que seja de forma moderada, pouca quantidade, evitando bebidas destiladas que possuem maior teor alcoólico”. É imprescindível beber água enquanto se consome bebidas alcóolicas para manter o corpo hidratado, já que um dos efeitos do álcool é desidratar as células. Também não se deve beber em jejum.
Um outro problema é que os adolescentes têm começado a beber cada vez mais cedo. Isso se deve, sobretudo, à falta de campanhas de conscientização voltadas para essa faixa etária alertando sobre os perigos do consumo de álcool e as consequências do seu uso.
Pais e jovens devem estar em alerta quanto ao uso de energético. Por terem a venda liberada, muitos adolescentes abusam do energético sem saberem das consequências danosas para o seu organismo.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Programas devem ser coadjuvantes dos tratamentos

Para Ana Cecília, grupos como os Alcoólicos Anônimos não podem ser encarados como tratamento, mas ela reconhece que esses programas podem melhorar a eficácia da terapia multidisciplinar, quando associados. “O AA é coadjuvante e ajuda muito quando o paciente resolve se tratar, mas serve também para sensibilizar aqueles relativamente resistentes e que não enxergaram o problema”, afirma.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

IV Jornada preparatória para o Congresso da ABEAD: Dia 14 de março de 2015

Estudantes, médicos, psicólogos, enfermeiros, educadores, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, psiquiatras e conselheiros em dependência química poderão ficar atualizados sobre as principais novidades da área. Inscreva-se agora mesmo:



sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Novo medicamento promete reduzir vontade de beber

Um remédio que promete ajudar abusadores de álcool a reduzir a quantidade de bebida –e não a parar de beber por completo– é a nova aposta de governos europeus em redução de danos.

Essa estratégia é controversa porque a maior parte dos profissionais que trabalham com o tratamento do alcoolismo buscam abstinência, não a diminuição do uso.

A droga chamada nalmefene (Selincro) foi aprovada na Europa em 2013 e lançada em 20 países. Na Escócia, foi incluída no sistema público de saúde neste ano. O Reino Unido estuda fazê-lo a partir de novembro.
O fabricante (Lundbeck) diz não ter prazo definido para pedir o registro no Brasil.

O medicamento bloqueia a sensação de prazer trazida pelo álcool. Resultados de testes clínicos feitos pelo fabricante constataram que a droga, em conjunto com suporte emocional, reduz em 60% a vontade de beber, quando comparado com placebo e apoio psicossocial.

Pessoas que tomavam nove latas de cerveja por dia, por exemplo, cortaram o consumo para três doses.

Em estudo publicado no "British Medical Journal", o Instituto Nacional para Excelência em Cuidados de Saúde (sistema de saúde inglês) diz que a droga demonstrou custo-efetividade para o sistema de saúde quando comparada à oferta de apenas suporte psicológico.

Para a psiquiatra Analice Gigliotti, o remédio é uma boa alternativa às pessoas que abusam do álcool, mas que não têm dependência da bebida. "É o que a gente chama de alcoolista leve ou moderado, que, às vezes, perde o controle", afirma.

O psicólogo Frederico Eckschmidt, especialista em dependência química e pesquisador da USP, também considera o medicamento um bom aliado às estratégias de redução de danos para os abusadores de álcool, quando associado a outras, como entrevistas motivacionais.

"A questão é que para o alcoólatra mesmo, parece não existir uso recreativo do álcool. Toda vez que ele vê a bebida, vem a compulsão."

Entre os critérios para ser considerado um alcoólatra estão compulsão pela bebida, falta de controle no consumo, sintomas de abstinência e tolerância (precisa de cada vez mais para sentir o mesmo prazer de antes).

Para a psiquiatra Ana Cecília Marques, presidente da Abead (Associação Brasileira para o Estudo do Álcool e outras Drogas), o medicamento "é mais do mesmo", já que ele tem mecanismo de ação semelhante à naltrexona, substância já usada no tratamento da dependência.

"Medicamentos similares diminuem a fissura, mas funcionam para uns pacientes, e para outros, não." Segundo ela, a meta dos tratamentos do alcoolismo é a abstinência, não a redução de doses.

"Eles envolvem remédios, mas, necessariamente, outras terapias comportamentais e motivacionais para evitar as recaídas."

O clínico-geral Gustavo Gusso, professor da USP, critica o modelo do estudo, que só incluiu pessoas motivadas a reduzir o consumo. "Proibir bebida em locais públicos pode ter melhor resultado."

Disponível em:http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2014/10/1533760-novo-medicamento-promete-reduzir-vontade-de-beber.shtml

terça-feira, 22 de julho de 2014

Álcool e violência

Terminada a Copa do Mundo, em cujos estádios foi permitida a comercialização de bebidas alcoólicas durante os jogos, uma questão que fica para a sociedade é o impacto do consumo de álcool sobre os índices de violência. Contamos hoje com a psiquiatra Ana Cecilia Petta Roselli Marques para abordar o tema. Fica aqui também um convite a todos os leitores para participarem desse importante debate por ocasião da “1ª Jornada Preparatória: Políticas Preventivas sobre Drogas e a Realidade Brasileira”, promovida pela Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (ABEAD), que acontecerá no próximo dia 15 de agosto (informações no final do texto).


Álcool e Violência: uma epidemia não debatida

A Política do álcool no Brasil tem avançado muito pouco, mas sua história é longa. Há pelo menos 40 anos alguns pesquisadores brasileiros se juntaram com uma preocupação única: o impacto da bebida alcoólica na sociedade. Uma proposta voltada para a prevenção foi encaminhada ao governo federal, pois as repercussões do uso do álcool já atingiam jovens adultos, no auge de sua capacidade produtiva. Hoje, os relatórios apontam para muitas outras interfaces do uso do álcool como causa do desenvolvimento de doenças crônicas não comunicáveis; violência interpessoal, doméstica, contra crianças, auto-infringida levando ao aumento das taxas de suicídio; doenças mentais, acidentes no trânsito, entre outras consequências que geram incapacidades e morte precoce.
Se não bastassem todas estas evidências, ainda existe a parte não declarada desta história, para que todos entendam a necessidade de desenvolver uma política justa, obrigação de todos os governos. Na década de 90, durante um jogo de futebol, que decidia um importante campeonato brasileiro, aconteceu um desastre, a “Noite das Garrafadas”, com um saldo muito negativo de mortos e feridos gravemente, em decorrência da intoxicação alcoólica. A mistura de bebida alcoólica com esporte, não combina mesmo.
Naquele momento, a sociedade não se omitiu, e pressionou os políticos, aliados ao Ministério Público, e criou o Código de Direitos do Torcedor, que se transformou no Estatuto do Torcedor, e logo a seguir, em 2003,  a Lei do Estatuto do Torcedor, que proibiu a venda de bebidas alcoólicas nos estádios. Uma conquista da sociedade brasileira que mereceu comemoração, uma política de vanguarda. Desde então, e comprovado por vários relatórios, como o livro de Maurício Murad (2007), o levantamento sobre Os Danos relacionados ao Álcool da Organização Panamericana de Saúde (2012), o consumo de bebidas e a violência diminuíram, consideravelmente.
Infelizmente, não durou muito… Assim que o Brasil comemorou ser a sede da Copa em 2014, por volta de 2007, imediatamente a FIFA obteve do governo brasileiro um documento assinado pelo presidente da república, garantindo que o país aceitaria todas as regras da federação, entre outras, a liberação da bebida alcoólica nos estádios de futebol. E esta tem sido a maior derrota para os brasileiros, pois uma medida de proteção foi anulada a despeito da comprovação de sua efetividade. Voltou à cena a intoxicação, cujas repercussões são tão graves quanto aquelas decorrentes do uso crônico.  E quem esteve no estádio comentou sobre o fluxo contínuo de usuários nos locais de distribuição de bebidas, atrapalhando o espetáculo.
O que mais pode estar por trás da liberação de bebidas alcoólicas nos estádios? É preciso ficar muito atento com as manobras dos grupos de interesse em manter a lei Geral da Copa e a permissão para vender bebidas alcoólicas nos estádios. Também desejar que o policiamento ostensivo observado durante os jogos continue depois da Copa, é sonhar demais…
É preciso registrar que o país tem um consumo per capita de etanol alto, cujo impacto individual, familiar, social e econômico, aponta há muito tempo para a necessidade de uma política especial, sem retrocessos. O bem estar comum deve estar acima de tudo, do dinheiro, da indústria, dos governos, e só este direito humano garantido produzirá um desenvolvimento sustentável e uma nação protegida.

Dra. Ana Cecilia Petta Roselli Marques (psiquiatra) é Presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (ABEAD)

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Brasileiros bebem acima da média




Segundo a OMS, o consumo anual é de 8,7l de álcool puro por habitante com mais de 15 anos, dois litros e meio a mais que o índice mundial. Especialistas alertam para os efeitos sociais e fisiológicos do costume

Os números são de uma epidemia. Três milhões e 300 mil mortes em 2012. O agente por trás de tantos óbitos — 5,9% dos registrados no mundo naquele ano — não foi um vírus ou uma bactéria ou um tumor maligno. Ele está dentro de copos e garrafas e é consumido por 47,7% da população global acima de 15 anos. Trata-se do álcool, substância diretamente relacionada com mais de 200 doenças, como cirrose hepática, alguns cânceres, diabetes e distúrbios neuropsiquiátricos. O abuso da bebida, segundo um relatório divulgado ontem pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mata mais que HIV, atos violentos e tuberculose. O documento também mostra que, no Brasil, o consumo de álcool está acima da média global.

Baseado em dados dos 194 países-membros das Nações Unidas, o documento alerta que a bebida não apenas provoca danos diretos à saúde, mas aumenta a suscetibilidade a males infecciosos e está por trás da ocorrência de crimes e acidentes. A OMS traçou o perfil de consumo das nações, relatou o impacto da bebida na saúde pública e avaliou as respostas das políticas governamentais. No total, o consumo anual foi de 6,2l de álcool puro por ano na população com mais de 15 anos. Contudo, como 38,3% do planeta é abstêmio, calcula-se que os que bebem ingerem 17l no período de 12 meses.

A região que mais consome álcool é a Europa, com 10,9l por ano — na Bielorrússia, a campeã mundial de ingestão, são 17,5l. Já o Mediterrâneo é onde menos se bebe: 0,7l anualmente. O relatório indicou que, entre 2008 e 2010, os brasileiros ingeriram 8,7l ao ano, mais que a média mundial. A quantidade caiu, comparado ao biênio 2003-2005, quando o consumo no Brasil era de 9,8l. Nas Américas, os campeões de bebida são Granada (12,5l), Santa Lúcia (10,4l), Canadá (10,2l), Chile (9,6l) Argentina (9,3l), Estados Unidos (9,2l) e Paraguai (8,8l). O país do continente americano que menos bebe é a Guatemala (3,8l).

“É preciso fazer mais para proteger as populações das consequências negativas do consumo de álcool”, disse, em nota, Oleg Chestnov, diretor-geral adjunto da OMS para doenças não transmissíveis e saúde mental. “O relatório mostra claramente que não há espaço para a complacência quando se trata de reduzir os perigos do uso do álcool”, afirmou.

Políticas falhas
O levantamento indica ainda que alguns países estão fortalecendo as medidas protetivas. Isso inclui criar impostos, limitar a venda ao aumentar o limite mínimo de idade e regular a propaganda de bebidas alcoólicas. Mas as políticas públicas são insuficientes em muitas nações. Na Bolívia, por exemplo, a única política é a taxação. O país sequer tem legislação sobre a condução de veículos sob o efeito de bebida. Lá, o consumo de álcool aumentou, passando de 5,1l por ano entre 2003-2005 para 5,9l no período de 2008-2010.

Embora o Brasil tenha aprovado, em 2007, a Política Nacional sobre o Álcool e Outras Drogas, a presidente da Associação Brasileira de Estudo do Álcool e Outras Drogas (Abead), Ana Cecilia Petta Roselli Marques, avalia que, na prática, o que se têm são medidas isoladas e de alcance reduzido. “No Brasil, quem dita a política do álcool é a indústria”, critica. Ela exemplifica a questão com a Copa do Mundo: cedendo à pressão da Fifa, o país liberou a venda de bebida alcoólica nos estádios.

Na avaliação da psiquiatra e pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), para ser bem-sucedida, uma política de combate ao álcool tem de incluir ações de prevenção, tratamento e controle da oferta. Ana Cecilia critica as propagandas de bebida que, diferentemente do que acontece com o tabaco, são liberadas, passando mensagens que associam o álcool à diversão, ao lazer e à sensualidade de maneira inofensiva. Além disso, o foco do marketing está cada vez mais nas mulheres, observa. “Infelizmente, a mulher está replicando o comportamento dos homens no cigarro, no álcool e em todas as drogas”, diz. O documento da OMS destaca essa tendência. 

No Brasil, as mulheres beberam 4,2l por ano em 2010, sendo que 11,1% consumiram álcool de forma pesada em pelo menos uma ocasião. “Nós descobrimos que, no mundo todo, cerca de 16% dos bebedores se envolveram em episódios de embriaguez — geralmente referidos por ‘beber em binge’ —, que é muito prejudicial à saúde”, explicou Shekhar Saxena, diretor de saúde mental e abuso de substâncias da OMS. Esse padrão, caracterizado pelo consumo de cinco ou mais doses de uma única vez (no caso de mulheres, quatro ou mais), está associado a disfunções no cérebro, doenças cardiovasculares e diminuição da longevidade. Segundo a OMS, o álcool encurta em cinco anos a vida dos brasileiros.

Em todo o mundo, é preciso estreitar as políticas voltadas às populações mais pobres, alertou o órgão das Nações Unidas. Embora o gênero seja o principal fator de risco — homens bebem mais —, a vulnerabilidade social também pesa no consumo. Não que a ingestão seja maior. Na realidade, enquanto 75,6% dos homens de renda alta bebem, o percentual é de 24,9% entre os mais pobres. O problema está nas consequências sofridas. “Grupos de baixa renda são mais afetados pelas consequências sociais e de saúde. Eles têm menos acesso a atendimento médico de qualidade e são menos protegidos por redes comunitárias e familiares”, ressaltou Shekhar Saxena. Ele afirmou que a OMS vai trabalhar arduamente com seus países-membros para reduzir em 10% a ingestão perigosa de álcool até 2050.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Principal causa de afastamento do trabalho, álcool leva à depressão e pode até matar, alertam médicos

Alcoolismo é considerado doença crônica que tem cura, mas deve ser tratado por toda a vida

Alcoolismo é a principal causa de pedidos de auxílio-doença, de acordo com dados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O número de pessoas que se afastaram do trabalho por transtornos mentais e comportamentais decorrentes do abuso do uso do álcool aumentou em 19% em quatro anos. Em 2009, eram 12.055 e, em 2013, 14.420. De acordo com especialistas ouvidos pelo R7, o excesso ou abuso de bebidas alcoólicas trazem prejuízos para o organismo como também para a vida social do dependente.
A psiquiatra e presidente da Abead (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas), Ana Cecília Marques, explica que o álcool provoca uma espécie de anestesia no cérebro e, consequentemente, a pessoa perde a “concentração, atenção, os reflexos e a memória”.
— O álcool provoca a demência alcoólica que é uma doença em que o indivíduo fica senil antes do tempo, pois o cérebro para de funcionar devido a alterações no cérebro. Além de afetar todo o sistema nervoso central, o álcool também mexe com sistema cardiovascular, ou seja, as pessoas ficam mais vulneráveis a ter AVC (acidente vascular cerebral). Esse rompimento de artérias, também chamado de derrame, pode deixar a pessoa com sequelas ou levar à morte.
Ainda em relação ao organismo, a especialista explica que a substância também gera hipertensão, além de problemas gastrointestinais, como gastrite, cirrose hepática e hepatite alcoólica. Uma das consequências do alcoolismo pode ser também o desenvolvimento de vários tipos de câncer, como de boca, garganta, intestino e outros.

Além do aspecto físico, os dependentes poderão também entrar em depressão, após o isolamento social.
— Como o álcool provoca várias consequências no sistema nervoso central, a pessoa, muitas vezes, se isola, já que os pensamentos e o comportamento são alterados. Com isso, a pessoa fica tão autocentrada que tem dificuldades de se relacionar. Ela fica irritada, ansiosa e pode entrar em depressão.
Segundo o psiquiatra e especialista em dependência química e presidente-executivo do Cisa (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool), Arthur Guerra de Andrade, o alcoolismo “tem traços hereditários, mas é uma doença multifatorial”, que pode estar associada a problemas sociais, culturais, psicológicos e até profissionais.
Sou dependente?

A professora do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Zila Sanchez explica que para identificar se a pessoa está dependente basta verificar a “relação que ela estabelece com o álcool”.
— A necessidade de ele acordar e ter que beber ou até mesmo deixar pra trás tudo que achava importante para beber pode ser um sinal. Tudo é uma questão de como ele trata o consumo do álcool.
De acordo com Andrade, dificilmente o alcoólatra procura ajuda sozinho “porque ele sempre acha que pode parar de beber quando quiser”.
— A negação faz parte do quadro clínico, assim como mudança de comportamento, saúde debilitada, prejuízos no trabalho e problemas nas relações familiares.
Tratamento

De acordo com a presidente da Abead, o alcoolismo é uma doença crônica e, como todas as outras, deverá “ser tratada ao longo da vida”. Por enquanto, a ciência não descobriu a cura.
— Porém, hoje há ótimos tratamentos em que 60% das pessoas se recuperam. Porém, se não for tratado, pode ser fatal. Não necessariamente a pessoa que tem a doença necessita ser internada ou tomar remédios. 90% dos casos de dependentes são tratados em consultório. 5% são internados porque são casos muito graves e outros 5% são internados por pouco tempo, apenas para desintoxicar. No tratamento, o médico conta com a ajuda de um profissional de outra área, como terapeuta ocupacional, psicólogo e até mesmo assistente social.
Aumento do consumo

O último levantamento realizado pela Unifesp mostra que, em seis anos, o consumo de álcool no Brasil cresceu 20%. Entre 2006 e 2012, o índice de pessoas que bebem pelo menos uma vez por semana passou de 45% para 54%.