sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Debate no Senado Federal sobre regulamentação do uso recreativo, medicinal ou industrial da maconha

“Temos que entender a maconha por meio de suas múltiplas dimensões. Entender o ser humano, um ser biológico, psicossocial, espiritual e que, em algum momento da sua história, vai encontrar com algum tipo de droga. É assim que temos que pensar na política e analisar se a droga deve ou não ser legalizada”.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Audiência Pública da Comissão de Direitos Humanos

"É preciso não vilanizar as drogas. Só dessa forma conseguiremos achar as melhores estratégias para o manejo de cada droga", afirmou a presidente da ABEAD, Dra. Ana Cecília Marques, na Audiência Pública da Comissão de Direitos Humanos sobre a Sugestão nº 8/2014 acerca da regulamentação da maconha.




Audiência Pública da Comissão de Direitos Humanos

A ABEAD, representada pela presidente Ana Cecília Marques, está na Audiência Pública da Comissão de Direitos Humanos, sobre a Sugestão nº 8/2014, que trata da regulamentação do uso recreativo, medicinal ou industrial da maconha, relativamente sobre o posicionamento dos atores sociais contrários à liberação. 

Além da psiquiatra, compõem a mesa o relator Senador Cristóvão Buarque; Padre Aníbal Gil Lopes, representante da arquidiocese do Rio de Janeiro; Marcos Zaleski, psiquiatra; Alexandre Sampaio Zakir, delegado de polícia corregedor do Estado de SP; e o deputado federal Osmar Terra.



quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Estigmas que enclausuram


Culpa, vergonha e medo de falar sobre o problema. Esses são alguns dos sentimentos inerentes às pessoas que precisam de atenção especial, em razão do abalo à saúde mental. Embora se fale em predisposição genética, o que pouca gente sabe é que o uso de drogas é um fator de risco para o desenvolvimento de quadros psiquiátricos graves, como a depressão, esquizofrenia, ansiedade, demência, entre outras morbidades.

Sobre o receio de ir ao médico psiquiatra e as medidas necessárias para que o tratamento seja precoce, a presidente da ABEAD, Ana Cecília Marques, assinou um artigo no Jornal Correio Braziliense. Para a médica, já passou da hora de intervir a favor da vida.

Leia a matéria na íntegra:

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Cerveja na chupeta: contato precoce com a bebida pode favorecer o vício na fase adulta


Especialistas alertam que brincadeiras com álcool indicam uma permissividade com a droga que pode despertar, nas crianças, um interesse precoce pela bebida

Alguns acham engraçado, outros o fazem por hábito cultural. Ainda há os que pensam que, assim, vão desestimular os filhos a beber no futuro. O fato é que não é raro os adultos oferecerem um pouco de álcool às crianças, seja molhando a chupeta na cerveja, seja deixando que tomem um golinho. Embora não exista consenso se a prática poderá, mais tarde, influenciar um comportamento de abuso ou adição, especialistas alertam que, por trás da brincadeira, está a permissividade familiar em relação à bebida alcoólica. E isso, sim, pode ter consequências negativas.

Na edição do próximo mês da revista Alcoholism: Clinical Experimental Research, será publicado um artigo de pesquisadores americanos no qual se procurou investigar como crianças com menos de 12 anos têm esse primeiro contato com a bebida. Os especialistas do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh e do Centro de Pesquisa em Adição da Universidade de Michigan não estavam interessados em analisar o comportamento de adolescentes que bebem regularmente ou consomem drinques eventuais. Na verdade, queriam entender o que se passa antes disso, uma fase que chamam de iniciação na prova do álcool.

 “O primeiro drinque regular não é, geralmente, a primeira experiência que muitas crianças têm com a bebida”, observa o psiquiatra Robert A. Zucker. Segundo o pesquisador de Michigan, embora pesquisas indiquem que apenas 7% de adolescentes com 12 anos já tenham tomado o primeiro drinque, mais da metade deles experimentou alguma vez antes, por volta dos 8 anos. “E, apesar disso, historicamente, essa ‘provinha’ de álcool na infância tem recebido muito pouca atenção de nós, pesquisadores”, reconhece o médico, acrescentando que, para o estudo, beber tem o significado de consumir uma dose inteira e provar quer dizer tomar um ou poucos goles.


Os especialistas utilizaram dados de um estudo longitudinal sobre fatores de risco para ingestão precoce de álcool, o Projeto Adolescente. No início da década de 2000, uma amostra de 452 crianças — 238 meninas e 214 meninos — de 8 a 10 anos e suas famílias foi escolhida aleatoriamente e contatada pelos pesquisadores. Os pequenos, então, passaram por uma entrevista com ajuda de computador, assim como os pais deles. Os questionários foram refeitos três vezes ao longo de 18 meses. Sete anos e meio depois, os participantes voltaram a ser procurados pelos investigadores.

A abordagem com as crianças consistia em perguntar se elas sabiam que bebidas como licor, cerveja e vinho continham álcool e questionar se já haviam provado alguma delas. Aquelas que diziam “sim” deveriam clicar em todos os contextos nos quais isso havia ocorrido: cerimônia religiosa, jantar com a família, festa familiar, sozinhas ou com alguém fora do seio familiar. Então, perguntava-se se já haviam tomado um drinque inteiro alguma vez. Os pesquisadores colocaram no grupo de abstêmios as que só tinham provado álcool na prática religiosa. Quanto às demais, 201 tinham tomado pelo menos um gole na infância.

União de fatores
Nas entrevistas, também se procurou saber se as crianças achavam que os pais aprovavam esse comportamento. Um teste semelhante foi aplicado com os adultos, que deveriam responder se tinham alguma objeção em relação ao contato precoce dos filhos com a bebida, além de dizer se consumiam álcool e em com qual frequência. O fator que mais influenciou as crianças a provar o álcool foi a percepção da aprovação dos pais. O fato de o pai e/ou da mãe beber socialmente também teve influência. “Por sua vez, as respostas das famílias foram bem de acordo com as das crianças, com os pais admitindo que aprovavam plenamente que seus filhos tomassem alguns goles de álcool”, conta Zucker.

Na amostra analisada, passados sete anos e meio, nenhuma dessas crianças haviam desenvolvido problemas como abuso de álcool, consumo de maconha e outras drogas, delinquência e comportamento sexual de risco. “Isso sugere que, sozinho, o fato de provar álcool na infância não está relacionado ao envolvimento com esses tipos de problema na adolescência”, diz o pesquisador.

O que não significa, contudo, que está tudo bem oferecer golinhos de bebida para crianças. “Essa pesquisa também sugere que, se as crianças não percebem seus pais como desaprovadores, elas serão mais propensas a tomar o primeiro passo no uso de álcool. Mais do que isso, ela mostra que, se os pais bebem na frente dos filhos, estes também terão maior propensão a beber quando crianças. Espero que isso faça os pais mais cautelosos a respeito de beber na frente dos filhos e sobre as mensagens que estão enviando para elas quanto à bebida”, afirma o coautor do estudo, John E. Donovan, psiquiatra do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh.

Além disso, Donovan alerta que pesquisas anteriores — algumas conduzidas por ele — indicam que provar o álcool na infância aumenta os riscos de se começar a beber regularmente antes da idade adulta. De acordo com Ana Cecília Marques, presidente da Associação Brasileira de Estudo do Álcool e Outras Drogas (Abead), os que experimentam a bebida aos 12 anos têm 12% de risco de se tornarem dependentes, percentual que vai para 2% quando esse contato é feito aos 22. “O ideal é adiar ao máximo possível”, aconselha a psiquiatra. 


Festeje, mas eduque 
Para o psiquiatra John E. Donovan, do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh, uma das principais mensagens da pesquisa do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh e do Centro de Pesquisa em Adição da Universidade de Michigan é que a permissividade dos pais em relação ao consumo do álcool — próprio ou por parte das crianças — deve ser repensada.

Presidente da Associação Brasileira de Estudo do Álcool e Outras Drogas (Abead), Ana Cecília Marques concorda. “A história do álcool tem a ver com a história da humanidade, está até na Bíblia. Por isso, não é tão fácil fazer a prevenção. Mas o modelo parental é fundamental para a estruturação dos filhos, é preciso explicar para a criança e para o adolescente que, quanto mais tarde experimentar, melhor.”

A psiquiatra afirma que os pais não precisam se tornar abstêmios. “Mas, se estão em uma festa de adultos e os filhos também estiverem ou forem brindar em um momento especial, têm de aproveitar para ensinar que aquele não é um produto para crianças e adolescentes. Também têm de prestar atenção à quantidade e não ficar enchendo a cara na frente dos filhos. Não vejo como erradicar a bebida alcoólica do planeta, mas é preciso proteger os filhos sendo pais equilibrados”, diz.

Aos 13 anos, França* ficou órfão de pai e, a contragosto, foi designado pela mãe como o “homem da casa”. Até então, jamais havia chegado perto de álcool. O pai, operário que ajudou a construir Brasília, não era “farrista”, embora a mãe gostasse de beber escondida. Por volta dos 15, 16 anos, quando arrumou o primeiro emprego, o rapaz começou a frequentar festas e, em uma delas, se embriagou. Chegou em casa constrangido, mas se surpreendeu com a reação materna. “Em vez de me repreender, ela disse que homem tinha de ter um vício”, recorda.

Sem responsabilizar a mãe pela dependência que desenvolveu, hoje, França, 56 anos, está internado pela segunda vez em uma clínica de reabilitação. “Ela bebia escondida desde moça. Morreu no fim do ano passado aos 86 anos e eu soube que tinha bebido. Mas não a responsabilizo. Eu continuei a beber porque gostei, porque aquilo me dava prazer”, ressalta.

Inclinação natural
Diretora da Clínica Renascer, a psicanalista Janete Krissak Pinheiro observa que existe uma inclinação natural na sociedade para encontrar a culpa no outro, principalmente no que diz respeito aos comportamentos de dependência, como o alcoolismo. “Mas, independentemente da família estimular a bebida, se acontece um efeito de prazer, é isso que fica. Não é porque você vive em um meio em que é muito mais fácil beber que vai se tornar alcoolista.”

Contudo, a psicanalista reforça a importância de os pais darem o exemplo e colocarem limites nos hábitos dos filhos. “A criança é o fruto da educação que recebe. Embora não dê para classificar que beber é algo insano, você também não vai começar a beber às 10h e parar às 16h. A criança vê isso. Obviamente, se a família traz essa mensagem de permissividade com o álcool, a criança vai entender e assimilar isso como algo natural. O desenvolvimento do alcoolismo se dá porque algo na ordem do limite não foi associado pela criança”, reforça.

Entre os pacientes da Clínica Renascer, está João*, 52 anos, há mais de 80 internado para reabilitação. Diferentemente de França, ele começou a beber tarde, com 21 anos. Embora dependente, decidiu jamais deixar que os filhos, hoje dois homens de 18 e 21 anos, chegassem perto de bebida no ambiente doméstico e nunca deu uma provinha para eles. “Depois que eles nasceram, álcool dentro de casa só o de limpeza”, conta. A falta de incentivo parece ter surtido efeito — nenhum dos dois bebe. 

terça-feira, 26 de agosto de 2014

2ª jornada preparatória 2014 para o XXIII Congresso da ABEAD 2015

Caros

O debate precisa continuar.
Cada vez mais é necessário o aprofundamento sobre o tema, principalmente sobre o que acontece nos bastidores, para entender e agir na direção certa.

Participem da 2ª jornada preparatória 2014 para o XXIII Congresso da ABEAD 2015, que vai apresentar o tema "Maconha: os dois lados da moeda".

Um dos cenários: existem dois projetos de lei pela legalização no Senado, mesmo diante da última pesquisa Nacional que mostrou uma grande maioria da população brasileira contra a legalização.

Sua participação é de extrema importância.
Não deixe de comparecer.




terça-feira, 22 de julho de 2014

Álcool e violência

Terminada a Copa do Mundo, em cujos estádios foi permitida a comercialização de bebidas alcoólicas durante os jogos, uma questão que fica para a sociedade é o impacto do consumo de álcool sobre os índices de violência. Contamos hoje com a psiquiatra Ana Cecilia Petta Roselli Marques para abordar o tema. Fica aqui também um convite a todos os leitores para participarem desse importante debate por ocasião da “1ª Jornada Preparatória: Políticas Preventivas sobre Drogas e a Realidade Brasileira”, promovida pela Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (ABEAD), que acontecerá no próximo dia 15 de agosto (informações no final do texto).


Álcool e Violência: uma epidemia não debatida

A Política do álcool no Brasil tem avançado muito pouco, mas sua história é longa. Há pelo menos 40 anos alguns pesquisadores brasileiros se juntaram com uma preocupação única: o impacto da bebida alcoólica na sociedade. Uma proposta voltada para a prevenção foi encaminhada ao governo federal, pois as repercussões do uso do álcool já atingiam jovens adultos, no auge de sua capacidade produtiva. Hoje, os relatórios apontam para muitas outras interfaces do uso do álcool como causa do desenvolvimento de doenças crônicas não comunicáveis; violência interpessoal, doméstica, contra crianças, auto-infringida levando ao aumento das taxas de suicídio; doenças mentais, acidentes no trânsito, entre outras consequências que geram incapacidades e morte precoce.
Se não bastassem todas estas evidências, ainda existe a parte não declarada desta história, para que todos entendam a necessidade de desenvolver uma política justa, obrigação de todos os governos. Na década de 90, durante um jogo de futebol, que decidia um importante campeonato brasileiro, aconteceu um desastre, a “Noite das Garrafadas”, com um saldo muito negativo de mortos e feridos gravemente, em decorrência da intoxicação alcoólica. A mistura de bebida alcoólica com esporte, não combina mesmo.
Naquele momento, a sociedade não se omitiu, e pressionou os políticos, aliados ao Ministério Público, e criou o Código de Direitos do Torcedor, que se transformou no Estatuto do Torcedor, e logo a seguir, em 2003,  a Lei do Estatuto do Torcedor, que proibiu a venda de bebidas alcoólicas nos estádios. Uma conquista da sociedade brasileira que mereceu comemoração, uma política de vanguarda. Desde então, e comprovado por vários relatórios, como o livro de Maurício Murad (2007), o levantamento sobre Os Danos relacionados ao Álcool da Organização Panamericana de Saúde (2012), o consumo de bebidas e a violência diminuíram, consideravelmente.
Infelizmente, não durou muito… Assim que o Brasil comemorou ser a sede da Copa em 2014, por volta de 2007, imediatamente a FIFA obteve do governo brasileiro um documento assinado pelo presidente da república, garantindo que o país aceitaria todas as regras da federação, entre outras, a liberação da bebida alcoólica nos estádios de futebol. E esta tem sido a maior derrota para os brasileiros, pois uma medida de proteção foi anulada a despeito da comprovação de sua efetividade. Voltou à cena a intoxicação, cujas repercussões são tão graves quanto aquelas decorrentes do uso crônico.  E quem esteve no estádio comentou sobre o fluxo contínuo de usuários nos locais de distribuição de bebidas, atrapalhando o espetáculo.
O que mais pode estar por trás da liberação de bebidas alcoólicas nos estádios? É preciso ficar muito atento com as manobras dos grupos de interesse em manter a lei Geral da Copa e a permissão para vender bebidas alcoólicas nos estádios. Também desejar que o policiamento ostensivo observado durante os jogos continue depois da Copa, é sonhar demais…
É preciso registrar que o país tem um consumo per capita de etanol alto, cujo impacto individual, familiar, social e econômico, aponta há muito tempo para a necessidade de uma política especial, sem retrocessos. O bem estar comum deve estar acima de tudo, do dinheiro, da indústria, dos governos, e só este direito humano garantido produzirá um desenvolvimento sustentável e uma nação protegida.

Dra. Ana Cecilia Petta Roselli Marques (psiquiatra) é Presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (ABEAD)

quinta-feira, 26 de junho de 2014

ANOTE EM SUA AGENDA!
JORNADAS PREPARATÓRIAS PARA O  XXIII CBABEAD 2014

15/08/2014

POLÍTICAS SOBRE DROGAS E A REALIDADE BRASILEIRA
Coordenação: ABEAD e Uni Paulistana
Rua Madre Cabrini, 58 - Vila Mariana - São Paulo, SP

8:00 ás 9:00
Anfiteatro da Uni Paulistana
Inscrições 
Abertura

9:00 às 12:00
Advocacy: o futuro da prevenção? 
Advocacy: conceitos – Adriana Carvalho
Estratégias de Comunicação e Mobilização – Daniela Guedes
A Lei Antifumo: case brasileiro - Monica Andreis
Prevenção de Álcool e Tabaco para o município:  a experiência de Tarumã (SP) Ana Cecilia Marques

12:00 às 13:30
Almoço

13:30 às 14:30
Conferência: A Prevenção de Drogas: o que podemos aplicar no Brasil para avançar com a Prevenção?
Sérgio de Paula Ramos

14:30 às 17:30
Painel: Princípios aplicados, resultados obtidos?
Coordenação: Ana Cecilia Marques

Tendências epidemiológicas do uso de drogas entre os adolescentes brasileiros 2006/2012
Clarice Madruga 

Adolescência e os comportamentos de risco hoje
Ilana Pinsky

Quem são e o que nos dizem as famílias brasileiras?
Helena Sakyama 

Prevenção de Drogas começa em casa e continua na Escola
Evelina Holender 

E a Universidade?
João Paulo Lotufo 

E as empresas?
Selene Barreto 

Intervenção Breve no Brasil: avanços
Erikson Furtado

A Prevenção segundo a Política Brasileira de Drogas
 Vitore Maximiliano 

17:30 às 18:30
Debate com os especialistas: Estamos no caminho certo?
Coordenação: Ana Cecilia Petta Roselli Marques

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Maconha: legalizar jamais!



A polêmica sobre o uso da maconha tem sido alvo de muita atenção pela mídia, bem como na área científica em geral. Profissionais da saúde estão unidos contra a possível legalização, lutando em benefício da saúde.

Destaco a batalha da Dra. Ana Cecília Roselli Marques, psiquiatra da ABEAD (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas), em entrevista ao Jornal Folha de S. Paulo em 01/02/2014 a Dra. Ana Cecília explicou que:

“Estudos mostram que, além da dependência, o uso crônico produz bronquite crônica, insuficiência respiratória, aumento do risco de doenças cardiovasculares, câncer no sistema respiratório, diminuição da memória, ansiedade e depressão, episódios psicóticos e de pânico e, também, um comprometimento do rendimento acadêmico e/ou profissional. Por que optar por um caminho que oferece tantos riscos?”

A maioria dos usuários de maconha encontra-se no estágio da pré-contemplação, ou seja, o usuário não encara seu uso como problemático ou causador de problemas, tampouco considera algum tipo de mudança. Em geral, não busca tratamento voluntariamente, e sim por causa dos pais, família, escola, trabalho ou por encaminhamento judiciário

O indivíduo nesse estágio acredita estar imune ás consequências adversas, por exemplo, acha que não se tornará dependente ou que tem controle sobre o uso, sabemos que não existe esse controle no tocante ao uso de drogas.

Uma série de estudos indica que a potência desta droga vem aumentando e, com isso, causando maiores prejuízos à saúde mental daqueles que a consomem.

A maconha é a substância proibida por lei mais usada em nosso país. Cerca de 1,5 milhão de adolescentes e adultos usam maconha diariamente no Brasil. O dado faz parte do II Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD), primeira amostragem sobre o consumo da droga no Brasil.

Segundo o estudo, 3,4 milhões de pessoas entre 18 e 59 anos usaram a droga no último ano e 08 milhões já experimentaram maconha alguma vez na vida, o equivalente a 7% da população brasileira. Desses, 62% deles tiveram contato com a droga antes dos 18 anos e 01 em cada 10 adolescentes que usa maconha é dependente.



Estes dados parecem sugerir que a disponibilidade da maconha esteja crescendo, inclusive entre os jovens, que vem utilizando esta substância de forma compulsiva, apesar dos efeitos nocivos à saúde.

A adolescência é um período marcado por inúmeras transformações e conquistas importantes. No entanto, fatores como o uso de drogas podem transformar o adolescente em um adulto problemático com sequelas irreversíveis para o desenvolvimento de sua vida futura.

O consumo de drogas nesta fase pode trazer sérias consequências físicas e/ou psíquicas para o desenvolvimento, como déficits cognitivos, problemas físicos, psicológicos, envolvimento em acidentes e infrações.

O uso da substância psicoativa faz com que o indivíduo sinta uma diminuição do perigo relacionado ao problema a ser enfrentado.

O uso da maconha muitas vezes começa a ser associado a várias situações pelas quais o indivíduo passa, se ele está nervoso fuma; se está tenso fuma para relaxar, se sente depressivo fuma, se tem um problema fuma antes de pensar em tentar resolvê-lo e assim por diante, tornando assim cada vez mais dependente.

Os que são favoráveis à legalização, pensam apenas na figura do usuário, mas, devemos pensar nos motivos sociais que levam à essa proibição legal, como, por exemplo, impedir que os efeitos do uso nocivo à saúde que causam a dependência cheguem com mais facilidade aos nossos adolescentes.

No entanto, é importante considerar que além do risco da dependência, da síndrome amotivacional, dos efeitos agudos e crônicos causados pelo uso da maconha, com a sua legalização provavelmente teremos muitos problemas parecidos com os causados pelas drogas lícitas (aquelas permitidas pela Lei), o álcool e o tabaco, cito como exemplo, o aumento dos acidentes de trânsito causado por pessoas sob efeito da substância.

Vale destacar ainda que o uso de drogas não prejudica só o dependente, é um problema que atinge toda família, a dependência química tem um poder destruidor sobre a vida dos familiares.

Para finalizar, sabemos que a maconha é a porta de entrada para outras drogas, entre elas o crack. A maconha é uma erva, mas, uma erva perigosa, que deve continuar sendo proibida. Ao invés de criar uma possível solução, legalizar seria gerar um novo e gravíssimo problema, legalizar jamais!

Adriana Moraes – Psicóloga Especialista em Dependência Química - Colaboradora da UNIAD.
Referências:

[1] Integração de competências no desempenho da atividade judiciária com usuários e dependentes de drogas/ organização de Paulina do Carmo A. Vieira Duarte e Arthur Guerra de Andrade. Brasília: Ministério da Justiça, Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, 2011;

[2] Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e outras Drogas. IILENAD: Levantamento Nacional de Álcool e Drogas. São Paulo: UNIFESP, 2012;


A mídia e a indústria do álcool na Copa do mundo no Brasil


Especialistas põem em xeque uso de armas não letais no combate ao crack em São José por dentro



Grupo acha que medida vai afastar usuário de tratamento adequado; prefeitura rebate e diz que é preciso conter avanço do uso de drogas

Previstas para chegaram a São José entre o final deste mês e o começo do próximo, as armas não letais do "Crack, é possível vencer", do governo federal, geram polêmica.
A cidade, que deu início à força-tarefa para combater o uso de álcool e drogas nas ruas, receberá 50 pistolas de eletrochoque, 150 ampolas de gás de pimenta e um micro-ônibus com 20 câmeras.
Quatro motocicletas já estão no município à espera de emplacamento.
A força-tarefa vai até os pontos onde há consumo de crack, álcool e outras drogas. À Polícia Militar, cabe o primeiro contato, com revistas e pesquisa de antecedentes criminais.
Em seguida, entram os assistentes sociais. Acompanham a Guarda Municipal, que passou por capacitação da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), e a Polícia Civil. 

Opiniões. 
 
"A ideia de uma polícia que chega antes é equivocada. Afugenta as pessoas como ratos. São armas de controle que não servem para dependentes. Em São Paulo, pessoas migraram para outros pontos e continuaram nas ruas", critica a psiquiatra especialista em crack, Ana Cecília Tetta Marques.
A assistente social Cláudia César Castagini concorda. "Só vai amedrontar. É uma violência. Quem já está vulnerável, vai se sentir um bandido".
O especialista em segurança pública, José Vicente da Silva Filho, é contrário às armas.
"Terão baixíssimo impacto. A maioria fica prostrada e não agressiva. A polícia é para os traficantes."
Já o pastor Eduar do Humberto Banhara, que atuou em clínica de recuperação, é favorável. "A internação só pode ser eficaz se o doente quiser. Mas há lugares em que os agentes sociais não chegam. Pode contribuir para o choque emocional. Há pessoas há 15 dias nas ruas que não sabem onde estão", disse.

Outro lado. 
 
O secretário de Defesa do Cidadão, José Luís Nunes, rebate . "É preciso separar aqueles que precisam de tratamento social dos que cometem crimes. Tem gente que se mistura aos que têm problemas, para vender drogas, para cometer furtos", diz. As ofensivas terão continuidade.


pistolas de choque

A cidade receberá, nos próximos dias, 50 pistolas de eletrochoque pelo programa "Crack, é possível vencer", do Governo Federal. Elas neutralizam as reações musculares imobilizando, em média, por oito segundos. As armas são capazes de atingir um alvo a até dez metros de distância e têm memória digital para gravação dos últimos 1.000 disparos
(com dia , hora, minuto e segundo)
gás de pimenta

Também integrarão o projeto 150 ampolas de gás de pimenta, com jatos direcionados, não inflamáveis, que não contaminam o ambiente
microônibus

Também chegará um microônibus com 20 câmeras em sua parte externa. As imagens serão repassadas ao COI (Centro de Operações Integradas) em tempo real e armazenadas por cerca de 15 dias. Nove monitores de alta definição estão inclusos.