sexta-feira, 11 de março de 2016

Ana Cecília Marques e o Nemt



SERVIÇO ESPECIALIZADO

Crianças de Tarumã ganham atendimento preventivo através do Nemt. Objetivo é ter no futuro uma adolescência mais saudável. É um dos únicos programas dessa especialidade que existe a nível mundial, diz a médica Ana Cecília Marques.

As crianças de Tarumã com necessidades especiais e que apresentam algum tipo de problema persistente na escola, vão receber atendimento especializado do Nemt (Núcleo Educacional e Multidisciplinar de Tarumã) a partir de 2016, e não justifica mais encaminhá-las para a Apae, em Assis, correndo risco de acidentes em viagens
numa estrada (SP 333 com tráfego de 9 mil veículos/ dia) com volume de tráfego pesado e muito elevado. A informação foi dada pela médica psiquiatra e mentora do projeto Periscópio, drª Ana Cecília Marques, beneficiando 60 crianças. Ela explica que o Nemt, broto do Periscópio, que já faz a prevenção contra uso de drogas, mobilizando cuidadores de toda a comunidade na fiscalização, já dispõe de uma estrutura técnica e especializada para oferecer esses serviços com qualidade, evitando o deslocamento até Assis diariamente.

AVALIAÇÃO
Segundo a drª Ana Cecília, “a partir da demanda avaliada, pesquisada, com crianças com problemas de aprendizagem, problemas de humor e familiares, enfim de crianças adoecidas na escola que emergiam na classe, nós construímos todo um levantamento para avaliar a taxa de problema que as crianças apresentavam e diante disso, com a comprovação da necessidade, pleiteamos junto ao prefeito Jairo da Costa e Silva e a secretária da educação Luciene Garcia Ferreira e Silva para que fosse construído um sonho que já era acalentado há muitos anos, mas agora com dados reais, contando com o apoio da Câmara, a criação de um Núcleo Educacional de Atendimento Multiprofissional dessas crianças que estão ligadas a escola. Esse núcleo tem um médico especialista na psiquiatria infantil, uma fonoaudióloga, um psicólogo e uma psicopedagoga que juntos abordam a criança que emerge da escola com problema persistente. Não é um probleminha que a criança apresentou naquele mês. Mas um problema que a própria psicopedagoga da escola já detectou junto com a professora e que se mantém ao longo do semestre e a criança não consegue evoluir. Isso demonstra que apesar da adaptação da criança ao ambiente escolar, deve apresentar um problema mais profundo e por esta razão deve ser submetida a uma avaliação mais aprofundada, que o núcleo vai oferecer”.

LEVANTAMENTO
A médica disse que foi feito um levantamento e que “temos pelo menos 60 crianças em tratamento hoje, que passam pelo fonoaudiólogo, reabilitam a linguagem; passam pela terapia e habilitam as suas realidades sociais pelo médico e psicopedagoga, e com isso em breve, no ano que vem, já que o Nemt é um broto do Periscópio, já devemos ter o resultado mostrando a eficácia da intervenção.” O Núcleo Multidisciplinar Saúde e Educação, inclusive com verbas consorciadas das secretarias que envolvem essa questão, otimizadas, a gente não esbanja dinheiro aqui no núcleo e tudo é baseado em dados previamente detectados, e que acredito que deve proteger essas crianças, alinhavou a drª Ana Cecília. Ela própria indaga: “Porque essas ações preventivas de saúde da criança são tão importantes? Porque todas as pesquisas no mundo, e são poucas, apontam para esse fator de adaptação escolar, seja na aprendizagem ou pela desordem do humor, ou comportamental, é o fator que pré dispõe problemas na adolescência. Quando a gente minimiza o dano, interrompe esse processo, a gente quase que está mudando o destino da criança, porque ela vai ter uma adolescência mais saudável e com menos fatores de risco envolvidos, entre eles, beber precocemente. Essa ação preventiva é das mais relevantes e a gente pode contar nos dedos de uma mão, onde é feito no mundo esse tipo de trabalho, e é feito aqui em Tarumã”, assinala sem deixar esconder a sua satisfação como médica, dos resultados obtidos com esse programa.

Fonte: Revista Correio Assissense p. 5, Assis 2 a 8  marco, 2016

quarta-feira, 2 de março de 2016

ENTREVISTA: Projeto Periscópio

Entrevista: Dra. Ana Cecilia Marques fala sobre o projeto Periscópio. O Projeto “Periscópio” surgiu da necessidade de implantação de Políticas Públicas no município de Tarumã, direcionadas ao uso indevido de drogas.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O PROBLEMA DO ÁLCOOL

Palestra: O PROBLEMA DO ÁLCOOL
08/10/2015 - Dra. Ana Cecília


https://www.youtube.com/watch?v=xQ68_UFMQec

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

STF e a inconstitucionalidade do artigo 28 da lei de drogas: reduzindo um fenomeno tão complexo como é o uso de drogas a pó...
Ana Cecilia Petta Roselli Marques

Considerando que a política de drogas no país "engatinha", principalmente, na implementação de medidas preventivas, a base de uma política sólida, humana e efetiva;

Considerando que em função disso, a população não conhece o impacto das drogas no indivíduo e na sociedade, e vive uma relação com o tema muito imatura, infantil, leviana e desatualizada;

Considerando que a população adolescente é o alvo deste impacto, e levando em conta a sua vulnerabilidade natural, qualquer ação simplista produzirá um resultado imprevisível, pois o adolescente tem baixa percepção de risco em relação ao comportamento e banaliza suas consequências;

Considerando que quando uma droga ilícita se torna um produto qualquer, determina uma economia perversa, tão devastadora como o próprio tráfico, cujo melhor exemplo é o álcool;

Considerando que todos os países que flexibilizaram a lei de drogas sem instituir antes sua política, mesmo os países desenvolvidos, sofreram graves consequências, não obtiveram sucesso, e voltaram a restringi-la;

Considerando que as consequências mais diretas e graves das medidas liberalizantes são o aumento do consumo, atingindo crianças e adolescentes; o aumento de transtornos mentais e de comportamento, entre eles a esquizofrenia, a síndrome do pânico, a depressão, o aumento da prevalência de dependência e outras doenças relacionadas; o aumento de acidentes no trânsito, o aumento da experimentação de outras drogas, o aumento dos diferentes tipos de violência, entre outros problemas;

Considerando que segundo os relatórios da Polícia Federal, 1/4 dos presos cometeram crimes relacionados às drogas, e portanto, a minoria, não sendo eles responsáveis pelo complexo problema do sistema penitenciário e da própria justiça brasileira;

Considerando que a população brasileira já respondeu a pesquisas sobre o tema, e a maioria não aprova a legalização de nenhuma droga;

Considerando que as famílias brasileiras não estão preparadas para manejar o problema sem uma política que as proteja,

a ABEAD, uma associação que há mais de 40 anos, com pouquíssimos patrocínios, divulga estudos, promove o debate e incentiva ações baseadas em evidências científicas para que o tema seja entendido na sua complexidade, É CONTRA A AÇÃO DO STF QUE QUER TORNAR O ARTIGO 28 da lei de drogas INCONSTITUCIONAL, pois entende que qualquer ação no sentido de contribuir para o fácil acesso às drogas, lícitas ou ilícitas, um fenomeno multidimensional, reduzirá a visão sobre ele, e as cegas, o resultado será muito nocivo para TODOS OS BRASILEIROS.


A MAIOR PARTE DA população brasileira é CONTRA A LEGALIZAÇÂO DE DROGAS, e esta ação do STJ pode significar mais um passo na contramão da organização de uma boa política, que deve ser construída para garantir o DIREITO HUMANO DE NÃO USAR DROGAS!

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Programas devem ser coadjuvantes dos tratamentos

Para Ana Cecília, grupos como os Alcoólicos Anônimos não podem ser encarados como tratamento, mas ela reconhece que esses programas podem melhorar a eficácia da terapia multidisciplinar, quando associados. “O AA é coadjuvante e ajuda muito quando o paciente resolve se tratar, mas serve também para sensibilizar aqueles relativamente resistentes e que não enxergaram o problema”, afirma.

terça-feira, 10 de março de 2015

Drogas sintéticas e álcool



A psiquiatra Ana Cecília Marques, presidente da Abead (Associação Brasileira para o Estudo do Álcool e outras Drogas), afirma que o Brasil vem sendo alertado sobre a nova onda de drogas sintéticas há 15 anos, mas não há preocupação do governo a respeito.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Drogas sintéticas, crescimento alarmante

Vários campos do saber têm se mobilizado para responder às angústias humanas. Todos investem, de acordo com suas crenças, na procura de caminhos para o homem ser feliz. 

Grande parte da comunidade humana, científica ou não, dirige seus esforços para a solução de problemas ou a construção de melhores condições de vida, pautadas no aspecto físico das questões. 

É formidável todo esse progresso, e ele tem amenizado muitas aflições, mas soluciona os conflitos de fato, ou atua apenas nos sintomas? 

Temos notícia que 97 novas drogas por ano entram no mercado. Assevera Camila Brandalise, jornalista da Revista “ISTOÉ”, que a facilidade do surgimento de novos laboratórios e do acesso às matérias-primas, na maioria dos casos, a anfetamina, tem feito a produção e o consumo dessas novas drogas sintéticas aumentarem drasticamente, como aponta estudo divulgado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). 

O mundo está envolvido pela maré montante do vício, que encontra suas fontes abastecedoras numa ramificação oculta e poderosa, encarregada de espalhar, especialmente entre os jovens, as substâncias tóxicas que não somente debilitam o físico, como também minam as fibras morais, solapando o caráter. 

Segundo a psiquiatra Ana Cecília Marques, Presidente da Associação Brasileira para o Estudo do Álcool e outras Drogas (Abead), o Brasil já vem sendo alertado sobre a nova onda de drogas sintéticas há mais de 15 anos, mas não se vê uma preocupação do governo em informar e pesquisar sobre essas substâncias. 

Os dados são preocupantes ainda mais quando se observa que quase 50% da população em tratamento por dependência química são jovens na faixa etária de 20 a 30 anos. Além disso, 50% são solteiros, 50% não tinham trabalho, 94% são homens, 67% não estavam estudando e 40% não possuem o ensino fundamental. 

Outro dado apontando é que 70% dos internados para tratamento por dependência química são encaminhados pela Justiça. "A relação da dependência química com a criminalidade é muito próxima. Eu costumo comparar a situação dos dependentes com a de uma pessoa que, em um dia muito quente, não encontra água para beber. Multiplica essa sensação por mil para saber as consequências da droga. Daí vêm as reações como o roubo, para conseguir dinheiro para comprar droga". 

Estudo da ONU mostra que o número de novas drogas sintéticas vem crescendo rapidamente, e para controlar esse avanço, é necessário buscar saber o perfil dos produtores e usuários dessas drogas, alertando-os da possibilidade perigosa de estar comprando uma droga e levando outra, o que fatalmente traria desgraças imediatas. 

O colorido paraíso químico das viagens psicodélicas tantas vezes tem adquirido a palidez mortal, como tragicamente o confirmaram nomes famosos, entre os quais os de Elvis Presley, Jimy Hendrix, Janis Joplin e, mais perto de nós, Elis Regina. 

Diante de tantas tragédias que já aconteceram, em nome de uma pseudo-liberdade, podemos afiançar: Só é livre verdadeiramente, quem tem compromisso com a vida; Aqueles que fogem desse compromisso, não são livres, são soltos. Quem é verdadeiramente livre, vai onde quer. Quem é solto, não sabe para onde caminha, vive a dar cabeçadas. 

Disponível em: http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=466240

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Conheça os palestrantes da IV Jornada preparatória: Mulheres, álcool e drogas

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Congresso: Mulheres, álcool e drogas: qual é o peso do gênero?

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

IV Jornada preparatória para o Congresso da ABEAD: Dia 14 de março de 2015

Estudantes, médicos, psicólogos, enfermeiros, educadores, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, psiquiatras e conselheiros em dependência química poderão ficar atualizados sobre as principais novidades da área. Inscreva-se agora mesmo:



sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Vai cheirar cocaína? Então prepare-se para o pior!

A droga afeta os sistemas neurológico e imunológico de forma irreversível e a ressaca química demora semanas

O uso de cocaína está disseminado em todas as camadas da sociedade. Entre os usuários, estão jovens de classe média que utilizam a droga nas baladas e em reuniões na casa de amigos. A maioria experimenta com o objetivo de conhecer seus efeitos ou até mesmo porque desejam passar mais tempo “ligadão”, embora muitos desconheçam que, mesmo o uso esporádico, é prejudicial.

Isso porque, as substâncias presentes na cocaína afetam o sistema neurológico e imunológico de forma irreversível e muito perigosa. Além de todas as transformações internas, o uso constante causa, ao longo dos anos, uma degradação física evidente.

“A cocaína é uma droga estimulante que afeta o organismo inteiro, atingindo principalmente cérebro, coração e a frequência respiratória”, explica a psiquiatra Ana Cecília Marques. Segundo o também psiquiatra  Anderson Ravy Stolf, mestrando do programa de pós-graduação em psiquiatria pela UFRGS, a cocaína, assim como o crack, está associada a uma diminuição da resposta imunológica do organismo.

 “O uso dessas drogas facilita a ocorrência de infecções. Pode-se observar isso de forma clara nos pacientes que possuem infecção pelo HIV e utilizam cocaína. Eles são mais suscetíveis às infecções chamadas de oportunistas”, diz ele. No sistema neurológico, ela causa hiperexcitação cerebral e consequente morte dos neurônios e a diminuição da irrigação sanguínea no cérebro. A presença de cocaína no cérebro gera também alterações das funções neuropsicológicas, influenciando áreas relacionadas ao julgamento, percepção, concentração, tomada de decisões e impulsividade.

Além dos problemas internos, a droga também pode acabar com sua performance na cama. Isso porque, os usuários têm mais chances de sofrer de disfunção erétil e acabar broxando. “A cocaína pode causar impotência por vários motivos. Os mais comuns são os acidentes vasculares (isquemia) e depressão, afinal, durante a abstinência o homem fica abatido, apático, sem libido, em uma ressaca química que demora dias ou até mesmo semanas para passar”, explica a Dra Ana Cecília.

Ou seja, se momentaneamente a cocaína faz com que você aguente por mais tempo as baladas e sinta uma enorme euforia sexual, com o passar do tempo, a libido diminui e as chances de você ficar devendo na hora H aumentam e muito.

Caso você seja atleta e decida utilizar a cocaína para melhorar sua performance nos treinos, o sinal de alerta deve ser redobrado. Isso porque, de acordo com dr. Anderson, a droga gera um aumento das substâncias que, em níveis muito altos, prejudicam o músculo, como ácido lático. Por isso, não se iluda com a euforia durante o treino. Ela dá a falsa impressão de que a substância aumenta a capacidade de realizar exercícios. Mas o efeito é justamente contrário.

“Após uso agudo, principalmente quando em combinação com exercícios vigorosos, há aumento da  chance de infartos do coração e do cérebro (derrames), pela vasoconstrição das artérias”, explica o especialista.

Fisicamente não é possível precisar dentro de quanto tempo há mudança após uso intenso da droga, porque isso envolve a suscetibilidade individual à substância. Sabe-se que ela está associada ao aumento de problemas dermatológicos, inclusive infecções de pele, e à própria degradação da aparência física. Além disso, usuários constantes podem adquirir “toques”, gerados por dois motivos principais. “O mais comuns são: a intoxicação e a síndrome de abstinência”, alerta a Dra. Ana Cecília.

Disponível em: http://www.areah.com.br/cool/saude/materia/6270/1/pagina_2/os-efeitos-da-cocaina.aspx

Novo medicamento promete reduzir vontade de beber

Um remédio que promete ajudar abusadores de álcool a reduzir a quantidade de bebida –e não a parar de beber por completo– é a nova aposta de governos europeus em redução de danos.

Essa estratégia é controversa porque a maior parte dos profissionais que trabalham com o tratamento do alcoolismo buscam abstinência, não a diminuição do uso.

A droga chamada nalmefene (Selincro) foi aprovada na Europa em 2013 e lançada em 20 países. Na Escócia, foi incluída no sistema público de saúde neste ano. O Reino Unido estuda fazê-lo a partir de novembro.
O fabricante (Lundbeck) diz não ter prazo definido para pedir o registro no Brasil.

O medicamento bloqueia a sensação de prazer trazida pelo álcool. Resultados de testes clínicos feitos pelo fabricante constataram que a droga, em conjunto com suporte emocional, reduz em 60% a vontade de beber, quando comparado com placebo e apoio psicossocial.

Pessoas que tomavam nove latas de cerveja por dia, por exemplo, cortaram o consumo para três doses.

Em estudo publicado no "British Medical Journal", o Instituto Nacional para Excelência em Cuidados de Saúde (sistema de saúde inglês) diz que a droga demonstrou custo-efetividade para o sistema de saúde quando comparada à oferta de apenas suporte psicológico.

Para a psiquiatra Analice Gigliotti, o remédio é uma boa alternativa às pessoas que abusam do álcool, mas que não têm dependência da bebida. "É o que a gente chama de alcoolista leve ou moderado, que, às vezes, perde o controle", afirma.

O psicólogo Frederico Eckschmidt, especialista em dependência química e pesquisador da USP, também considera o medicamento um bom aliado às estratégias de redução de danos para os abusadores de álcool, quando associado a outras, como entrevistas motivacionais.

"A questão é que para o alcoólatra mesmo, parece não existir uso recreativo do álcool. Toda vez que ele vê a bebida, vem a compulsão."

Entre os critérios para ser considerado um alcoólatra estão compulsão pela bebida, falta de controle no consumo, sintomas de abstinência e tolerância (precisa de cada vez mais para sentir o mesmo prazer de antes).

Para a psiquiatra Ana Cecília Marques, presidente da Abead (Associação Brasileira para o Estudo do Álcool e outras Drogas), o medicamento "é mais do mesmo", já que ele tem mecanismo de ação semelhante à naltrexona, substância já usada no tratamento da dependência.

"Medicamentos similares diminuem a fissura, mas funcionam para uns pacientes, e para outros, não." Segundo ela, a meta dos tratamentos do alcoolismo é a abstinência, não a redução de doses.

"Eles envolvem remédios, mas, necessariamente, outras terapias comportamentais e motivacionais para evitar as recaídas."

O clínico-geral Gustavo Gusso, professor da USP, critica o modelo do estudo, que só incluiu pessoas motivadas a reduzir o consumo. "Proibir bebida em locais públicos pode ter melhor resultado."

Disponível em:http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2014/10/1533760-novo-medicamento-promete-reduzir-vontade-de-beber.shtml

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Cracolândia, o retorno

Apesar de, infelizmente, ainda não ser possível avaliar no momento, com critérios rigorosos e científicos se o programa de reinserção social De Braços Abertos --oferecido pela Prefeitura de São Paulo aos usuários de drogas que estão em situação de rua na cracolândia-- vem produzindo resultados positivos ou negativos, a grosso modo parece que nada adiantou.

Ao contrário, as evidências jornalísticas mostram que o número de usuários aumentou na região da cracolândia --localizada na Luz, próxima à Sala São Paulo, no coração do centro da cidade. Além disso, os usuários de drogas se espalharam para outras áreas, como a avenida Paulista, o que já era de se esperar com a aplicação de qualquer medida isolada.

Isso significa que a dependência de drogas é uma doença que se desenvolve no cérebro, muito complexa, e que precisa de várias etapas de intervenção.

São elas: desintoxicação, diagnóstico aprofundado da gravidade e de suas consequências, estabilização, prevenção de recaída, manutenção e seguimento. Ao longo do processo, cada caso recebe também a reinserção social.

Vale a pena ressaltar que desde o início das ações na cracolândia há pelo menos cinco anos, as expectativas sempre foram as melhores, mas sempre muito ingênuas.

Hoje, com o conhecimento disponível sobre o tema, como é possível imaginar que os indivíduos que lá estão, comprometidos física, mental e socialmente, podem ser reabilitados da dependência de drogas?

Como é possível imaginar que recuperar aqueles indivíduos que enfrentam a dependência do crack, uma doença que se desenvolve no cérebro, com repercussões profundamente deteriorantes e com diferentes consequências, sem tratamento, apenas por meio de trabalho e de uma moradia? Ou apenas com visitas aos centros de apoio?

A questão vai muito além. Para intervir em uma questão tão complexa, que coloca o usuário entre a vida e a morte a todo momento, pelos mais diversos motivos, que atinge a família e a toda a sociedade, é preciso adotar uma política de drogas humana, ecológica e ajustada a cada realidade.

É verdade que esse fenômeno ainda carece de estudos, ele não é de todo conhecido, mas os princípios para a elaboração de uma política baseada em boas práticas vem sendo discutidos no mundo.

A discussão mais importante hoje em dia é como entender de uma vez por todas qual o impacto das drogas e que esse impacto não será controlado por medidas simples e desconectadas.

É preciso uma política robusta, específica para cada droga e para cada contexto, e para o crack um capítulo especial àqueles que estão em situação de rua.

Política essa que significa um conjunto de medidas aplicadas ao mesmo tempo e na mesma direção.

A reinserção social é preciso, mas o tratamento e o controle da oferta de drogas são imprescindíveis.

Quando será que o governo irá assumir o seu papel de gestor e promover a coalizão das ações, implementando um método mais efetivo para o problema?

E quando será também que a sociedade brasileira vai entender que tem direito --humano-- às melhores práticas disponíveis e que deve lutar junto com o governo por um desfecho positivo para o problema das drogas?


Ou será que, contemplativa e depressivamente, assistiremos mais uma vez ao "retorno da cracolância"? Não. Existe esperança, existe ciência, e agora é a vez da política.

Auxílio-doença por uso de drogas cresce 60% em Minas

O número de auxílios-doença concedidos pelo INSS por situações relacionadas ao uso de drogas vem crescendo em Minas Gerais. Para a presidente da ABEAD, Ana Cecília Marques, o Brasil é um dos poucos países da América Latina onde tem aumentado o consumo de todas as drogas, e isso está relacionado a falta de uma política de controle.

Entenda  http://goo.gl/mk103U